Opinião

Certezas e incertezas

Luciano Rocha

Jornalista

Angola começa, hoje, outro capítulo da História que carrega, antiga de muitos anos, escrita com letras de glória e sangue esquecidas por tantos que lhe ignoram passados e presentes confluídos em futuros.

15/09/2022  Última atualização 05H15

Angola começa, hoje, novo capítulo, com a tomada de posse do  Chefe de Estado - no nosso caso, também de Governo - tal como de quem lhe pode suceder em circunstâncias extraordinárias. Os cinco anos que se seguem hão-de ser, no mínimo, em grande parte, de incógnitas absolutas,  mesmo para os habituais profetas de desgraças e acólitos, sempre   prontos a apresentarem soluções para quaisquer males desconhecidos a troco de baús do "vil metal”. Em dólares ou euros, até kwanzas , desde que em quantidades capazes de transbordarem incontáveis bacias de plásticos e outros tantos  sutiãs  de  kinguilas acobertadas por quem devia impedi-las de colaborarem com a gatunagem de "colarinho branco que permanece impávida  a mexer no dinheiro depositado por honestos cidadãos, com os desfechos que se conhecem: enriquecimento de perna traçada e participação na fuga de divisas. Curiosamente, ou talvez não, o tema - não o único - foi tabu ou aflorado muito pela rama pela e  ama  forças participantes nas campanhas que antecederam as eleições de Agosto. Os momentos de expectativa imediatamente a seguir à investidura do Chefe de Estado  concentrar-se-ão na formação do Executivo, número de Ministérios e secretarias de Estado, titulares dos cargos, assessores, amanuenses, hipotéticas reduções relativamente ao anterior, constituição do Parlamento, eventuais novas coligações. Também deve ser desperdiçado tempo com discussões sobre viaturas, designadamente marcas, modelos, cilindradas.

As indicações de governadores provinciais,  administradores municipais , distritais e comunais, além dos responsáveis da Comissão Administrativa de Luanda não são menos importantes. Espere-se para ver...

A partir da altura, em que aqueles pressupostos estiverem concretizados, começa a ser possível fazer comparações entre o passado recente e o presente que pode ser indiciador de melhor futuro, sem repetição de erros evitáveis e prejudiciais ao país e à esmagadora maioria dos angolanos, principalmente, como sempre, aos mais vulneráveis.

A competência comprovada jamais devia ser preterida em nome do quer que seja, mas continua a crescer que nem enxurrada. A maneira mais eficaz de combater este mal alastrante é reacender os combates à corrupção e nepotismo, que têm como alavancas o  nepotismo e todo o turbilhão de atitudes que lhe estão pegadas, tal qual polvo em pedras do mar. Exemplos?  Amiguismo, facciosismo, troca de favores, culto da mediocridade, absentismo laboral. 

O parêntesis  foi aberto para sublinhar que o absentismo laboral também se divide em vários grupos, todos contribuintes do mal comum, ainda por cima bem pago, inclusive incentivados, elogiados, distinguidos. Uma das formas desta fuga ao trabalho é  a de "corpo presente”. O praticante  passa fugazmente pelo local, graças ao qual recebe o salário. mostra-se e sai de mansinho, assim como se vai à cantina mais próxima para comprar algo que, na hora de confeccionar o jantar, se deu conta que faltava. Outros praticantes da mesma trafulhice ficam simplesmente sentados, usam computadores das empresas em interesses privados, à falta destes usam telefones particulares, em qualquer das circunstâncias alheios ao ambiente que os rodeia.  Os outros que verguem a mola.

Angola abre hoje um novo capítulo de certezas e incertezas. Não se espera que acabem todos os males, mas se reforcem lutas que já fizeram tremer quem, à vezes ao nosso lado, rema contra a maré do desenvolvimento. Sem ele não se atenuam desigualdades galopantes entre os que tem tudo e lhes sobeja outro tanto e os sem nada. 


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