Sociedade

Cerca de 35% das raparigas teve gravidez indesejável

Alberto Quiluta

Jornalista

O relatório do Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP), chegado, ontem, à nossa Redacção, dá conta que cerca 35 por cento das raparigas angolanas teve gravidez não intencional.

06/11/2022  Última atualização 11H33
Gravidez indesejável © Fotografia por: Arquivo

Segundo o relatório do FNUAP sobre a gravidez não intencional, sob o lema  "Ver o invisível, crise negligenciada de gravidez não intencional”, mais de 60 por cento das gravidezes não intencionais terminam em aborto.

Estima-se que aproximadamente 45% de todos os abortos são inseguros, causando 5 a 13 por cento de todas as mortes maternas, tendo assim um grande impacto na capacidade do mundo para atingir os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

O relatório pioneiro "Ver o invisível” defende o reforço de acções contra a negligência em relação à gravidez não intencional e adverte que a crise dos direitos humanos tem consequências profundas para as sociedades, entre as mulheres, raparigas e para a saúde global.

Lê-se no relatório que, a nível mundial, quase metade de todas as gravidezes são involuntárias, um número assustador de 121 milhões por ano.

Segundo a directora executiva do FNUAP, Natália Kanem, os números impressionantes de gravidezes não intencionais representam um fracasso global na defesa dos direitos humanos básicos das mulheres e raparigas.

"Metade de todas as gravidezes no mundo são não intencionais, para as mulheres e raparigas afectadas a escolha mais transformadora da vida – engravidar ou não - não é uma escolha deliberada”, assegurou.

A directora executiva do FNUAP disse que, a nível do globo, estima-se que 257 milhões de mulheres que querem evitar a gravidez não estão a utilizar métodos contraceptivos seguros e modernos e quase um quarto de todas as mulheres não são capazes de dizer não ao sexo.

Acrescentou que o relatório tem a responsabilidade de agir e mostrar a facilidade com que os direitos mais fundamentais das mulheres e das raparigas são impulsionados para o esquecimento em tempos de paz e no meio da guerra.

Apela ainda aos decisores e aos sistemas de saúde para que deem prioridade à prevenção de gravidezes não intencionais, melhorando a acessibilidade, aceitabilidade, qualidade e variedade da contracepção e expandindo grandemente a qualidade dos cuidados de saúde e a informação de qualidade em saúde sexual e reprodutiva.

Exorta ainda aos decisores, políticos, líderes comunitários e todos os indivíduos a apoiarem o empoderamento de mulheres e raparigas, para tomarem decisões assertivas sobre sexo, contracepção e maternidade, de modo a fomentarem as sociedades que reconheçam o seu pleno valor.

Deste modo, as mulheres e raparigas poderão contribuir plenamente para a sociedade e terão as ferramentas, informação e poder para fazer esta escolha fundamental - ter ou não ter filhos - para si próprias.

O relatório sobre o Estado da População Mundial é a publicação anual emblemática do FNUAP. É publicado anualmente, desde 1978, e aborda questões emergentes no domínio da saúde sexual e reprodutiva, dos direitos conexos, trazendo-as para o domínio público, de forma a explorar os desafios e oportunidades presentes para o desenvolvimento internacional.

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