Sociedade

Centros de aconselhamento familiar registam aumento nos casos de violência

Alberto Quiluta

Jornalista

Os centros de aconselhamento familiar e salas de atendimento às vítimas de violência registaram, no primeiro semestre deste ano, um aumento de 531 casos, se comparados ao ano passado, no mesmo período, informou, ontem, a secretária de Estado para a Família e Promoção da Mulher.

09/08/2022  Última atualização 08H10
Actos de manifestação têm servido para sensibilizar a sociedade sobre determinadas práticas que ferem as mulheres © Fotografia por: edições novembro

Elsa Bárber explicou que o ano passado registaram, no total, 2.929 casos de violência doméstica, dos quais 632 contra homens e 2.297 sobre as mulheres, o que perfaz, com o acréscimo de 531 casos, um aumento de 1,9 por cento.

Entre as principais incidências, que fizeram aumentar o número de casos este ano, constam, de acordo com a secretária de Estado, as de abandono familiar, violência sexual e de discriminação baseada no género.

A dirigente destacou ainda, durante o fórum científico sobre "Saúde Mental da Mulher Africana”, que os dados, obtidos através dos terminais 145 e 146, são uma partilha de gestão feita com o apoio do Ministério da Saúde, cujo registo atingiu um total de 15.701 ligações.

Angola, referiu, enquanto Estado membro da Organização das Nações Unidas e de distintas plataformas mundiais e regionais de empoderamento da mulher e protecção da criança, "tem assumido compromissos para garantir, de um modo global, o desenvolvimento sustentável das famílias.

"Para contribuir na redução dos indicadores, o Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher realizou cursos de capacitação de formadores e operadores, para ajudarem no combate aos casos de violência e na divulgação do Manual de Atendimento às Vítimas”.

 

Desafios

Entre os vários programas de promoção do género no país, realizados pelo Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher (MASFAMU) destacam-se as medidas de prevenção contra a gravidez na adolescência e o casamento precoce, a violência baseada no género e o tráfico de pessoas, em particular para a prostituição.

O MASFAMU, adiantou, tem, também, trabalhado para o apoio à vítima de violência e o empoderamento económico das mulheres. "A inclusão de mulheres no sistema económico e financeiro em África e no mundo é uma das metas da maioria dos Governos, pelo facto de o resultado sempre afectar na educação das novas gerações e nas transformações culturais e sociais de um país”, defendeu.

Para Elsa Bárber, é fundamental potenciar as oportunidades económicas para as mulheres, de forma a promover a mudança de atitudes e normas, desconstruindo os estereótipos de género, adoptando e implementando políticas e legislação que erradiquem todas as formas de violência contra a mulher.

A criação de macro-programas sobre a discriminação contra a mulher no meio rural e outros de incentivos às tecnologias, educação, inclusão e literacia financeira são, para a secretária de Estado, essenciais ao empoderamento.

O ministério, disse, procura, regularmente, para que o Executivo proponha um orçamento sensível ao género, capaz de apoiar os projectos para a promoção da mulher.

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