Sociedade

Centro de Saúde do Sequele enfrenta mil e um problemas

Kílssia Ferreira

Jornalista

Logo, nos primeiros metros no interior do Centro de Saúde de Referência do Sequele nota-se a presença de pequenas quantidades de areia. Há, também, poeira e papéis espalhados no chão, por falta de balde de lixo nos cómodos.

23/07/2021  Última atualização 06H15
© Fotografia por: DR
As portas estão danificadas e os pacientes circulam pela unidade sem entrave algum. Por causa disso, basta que se tome os corredores da instituição para que se dê de caras com os técnicos a atender os doentes nos consultórios. Praticamente, a privacidade entre ambos é rompida!Por exemplo, um cenário como esse foi o que aconteceu na sala de consultas externas, onde a nossa equipa de reportagem presenciou o atendimento a um paciente naquelas condições.

Os quartos de banho deitam um cheiro nauseabundo, o que denota alguma falta de limpeza regular. Os referidos compartimentos apresentam um estado lastimável, motivado pela presença de grandes quantidades de água intacta no chão. Apesar de degradante, os pacientes usam-nos para as necessidades fisiológicas!

 Para os doentes que precisam de arrefecer o corpo, por causa das febres, por exemplo, a equipa médica é, às vezes, obrigada a sacrificar os pacientes, orientando-os para molharem-se fora do centro."Eu tive que ir refrescar o meu filho num esgoto junto do hospital”, disse Armanda Cambibi, que tem o seu menino acamado com problemas de malária.

Durante a nossa reportagem do Jornal de Angola, verificou que o centro de atendimento médico, localizado no município de Cacuaco, está, presentemente, sem condições higiénicas.

No fundo, como constatou a equipa de reportagem deste diário, há falta de salubridade na sala de espera, nos compartimentos de atendimento médico, nos corredores e nas escadas, bem como nos quartos de banho para pacientes.

Fonte do centro de saúde, que recusou ser identificada, referiu que aquela estrutura de impacto social não dispõe de auxiliares de limpeza, há mais de cinco meses, situação que tem obrigado os enfermeiros e analistas a realizarem, também, esse serviço.

A mesma fonte, que se identificou apenas como supervisor, disse que, além dos técnicos de saúde, são os estudantes do Instituto Médio de Saúde (IMS) do Sequele) que têm colaborado para esse serviço de limpeza e outros, na condição de voluntários.

Essa informação foi confirmada por duas técnicas de Enfermagem, ao lamentarem o facto. Disseram que a situação é do conhecimento das entidades que velam pelo sector da Saúde a nível local e não só.
Sala de partos

 A par dos técnicos e dos alunos do IMS/Sequele, que cobrem a falta de auxiliares de limpeza, os familiares são, igualmente, chamados a ajudar. É o que acontece na sala de partos, em que são obrigados a limpar e a deixar em condições de atendimento.

Essa denúncia veio, inicialmente, a partir de um vídeo partilhado nas redes sociais por um cidadão que procurou pelos serviços de parto para a sua esposa, que deu à luz na madrugada do último domingo.

 Na denúncia pública, o jovem mostra um saco de plástico, que continha a placenta extraída no corpo da mulher e que a equipa médica pediu que fosse ela a desfazer-se da mesma, por não haver condições de incineração dos referidos resíduos.

 O cidadão do vídeo das redes sociais, que se identifica, também, como profissional do sector da Saúde, denuncia a falta de condições de atendimento, precariedade e falta de higiene em alguns cómodos, além da ausência de iluminação nalguns pontos do exterior do centro de saúde.
Visita inesperada
 Depois do vídeo ter sido difundido, na última segunda-feira, uma equipa de responsáveis do Ministério da Saúde deslocou-se à Urbanização do Sequele, para constatar as condições de trabalho no único Centro de Saúde de Referência daquela região.

 A comitiva, liderada pelo secretário de Estado para a Área Hospitalar, Leonardo Inocêncio, percorreu as várias áreas do centro, tendo na sequência, reunido, cerca de 30 minutos, com  o responsáveis da Direcção Municipal de Saúde de Cacuaco e da referida unidade clínica.

 No final do encontro, o Jornal de Angola quis inteirar-se da situação do centro com o secretário de Estado, mas este recusou-se a prestar qualquer declaração.

Noutro capítulo, a nossa reportagem constatou que a malária continua a ser a doença com maior número de casos a nível do Centro de Saúde do Sequele. Em Junho, a enfermidade registou 2.038 casos, o que representa um aumento de 507 doentes, comparados aos 1.523 do mês anterior.

No mês passado, com 739 casos, houve um maior número de crianças até aos quatro anos afectadas, enquanto, em Maio, as mais atingidas foram pessoas maiores de 14 anos, num total de 893.

Os habitantes dos bairros Mayé-Mayé, 30 e Vila Kativa, além de Kapalanga, em Viana, foram os que mais procuraram pelos serviços do Centro de Saúde do Sequele.

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