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Centenas de salas de aula prontas para o ano lectivo

Carlos Paulino | Menongue

Jornalista

A província do Cuando Cubango tem disponíveis para o ano lectivo prestes a começar 272 escolas, correspondentes a 1.754 salas de aula, para acolher 154.903 alunos matriculados, da iniciação ao segundo ciclo do ensino secundário, informou, quarta-feira, na cidade de Menongue, o director do Gabinete Provincial da Educação.

02/09/2022  Última atualização 09H05
© Fotografia por: DR

Em declarações ao Jornal de Angola, Inácio José Samba explicou que, para se alcançar um bom índice de aproveitamento escolar, o Gabinete Provincial da Educação está a promover um ciclo de actualização de conhecimentos dos 6.095 professores, com temas psico-pedagógicos.

Fez saber que o Gabinete Provincial da Educação recebeu 728.638 manuais escolares, da iniciação a 6ª classe, para distribuição gratuita, nos nove municípios que compõem a província, dos cerca de 1.071.657 inicialmente previstos. 

Inácio José Samba acrescentou que estão a ser criadas as condições para o transporte, nos próximos dias, dos manuais escolares em falta, que estão em armazéns do Ministério da Educação na província de Benguela, para que cheguem, o mais rápido possível, ao Cuando Cubango, para que sejam distribuídos nas primeiras semanas após o início do ano lectivo.

  Garantiu que, em toda a extensão da província, o sector da Educação tem tudo preparado para o arranque do ano lectivo 2022/2023, cuja abertura oficial está agendada para o próximo dia 5, sob o lema "Transformar a educação para responder aos desafios da inclusão escolar e criar resiliência”. 

  Disse que os directores das escolas foram orientados a continuarem a implementar as medidas de biossegurança contra a Covid-19 nos estabelecimentos escolares, sobretudo a obrigação dos alunos usarem máscaras faciais e lavagem das mãos, tendo em vista que o SARS-Covi-2 ainda não foi extinto.  

  Informou que a instituição que dirige necessita de pelo menos 30 novas escolas e dois mil professores, para inserir cerca de 20 mil crianças que se encontram fora do sistema de ensino e aprendizagem na província do Cuando Cubango.  

Salientou que o número de professores e de salas de aula são ainda reduzidos, tendo em conta a extensão territorial do Cuando Cubango, de cerca de dois mil quilómetros quadrados, que conta com uma população estimada em mais de 700 mil habitantes, na sua maioria em idade escolar. 

Referiu que em comparação com as outras províncias do país, o Cuando Cubango não beneficiou, até agora, de nenhuma escola, no âmbito do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM). "Regista-se, em muitas localidades, um grande número de crianças que não estudam, porque não existem escolas ou as que existem não suportam a demanda das pessoas em idade escolar”, disse, acrescentando que regista-se, também, um bom número de alunos a estudarem debaixo de árvores e em capelas.

Inácio José Samba informou que, no ano lectivo 2021/2022, foram matriculados no Cuando Cubango 154.531 alunos, da iniciação ao segundo ciclo do ensino secundário, estando em curso o levantamento do índice de aproveitamento escolar em todos os municípios.

 Merenda escolar 

O director do Gabinete Provincial da Educação deu a conhecer que o programa da merenda escolar tem sido implementado apenas em algumas escolas, porque os valores alocados às Administrações Municipais, cujo montante não foi revelado, são insuficientes para atender o número elevado de alunos matriculados. 

 Segundo Inácio José Samba, a falta da merenda escolar está na base do fraco aproveitamento escolar em várias localidades do Cuando Cubango, porque muitos alunos deixam de estudar e preferem acompanhar os pais ou encarregados de educação nas lavras e/ou no pasto de animais.  "Urge a necessidade de se inverter este quadro preocupante, com o reforço de mais verbas, para que a merenda escolar possa abranger todas as escolas do pré-escolar. Os pais devem ter mais responsabilidade em relação à formação dos filhos e não permitirem que se dediquem a actividades de lavoura e da pastorícia, com realce no período das aulas”.

Inácio José Samba disse que ainda existem muitas crianças que residem nos municípios do Cuangar, Calai e Dirico a atravessarem diariamente a fronteira para estudar na Namíbia por opção de alguns pais ou encarregados de educação, bem como de muitos alunos namibianos que estudam em localidades do Cuando Cubango.

  Segundo o director do Gabinete Provincial da Educação, ao longo dos municípios da orla fronteiriça com a Namíbia e Zâmbia foram construídas muitas escolas, desde o alcance da paz no país, em 2022, e não há motivos neste momento dos pais enviarem os filhos para estudarem no território namibiano, onde o ensino não é gratuito. "Quando um pai ou encarregado de educação decide que o seu educando deve estudar no território namibiano, o Estado angolano não tem o direito de impedi-lo, porque depende da opção de cada pessoa”.

  Inácio Samba defendeu a necessidade de se fazer um estudo pormenorizado sobre os factores que fazem com que muitos alunos angolanos estudem na Namíbia e namibianos preferirem estudar em Angola. Aproveitou a ocasião para manifestar o seu desagrado pelo facto de se continuar a registar na província um número considerado de fuga de professores, provenientes de muitas regiões do país, que, quando são colocados nos municípios do interior do Cuando Cubango, abandonam os seus locais de trabalho, alegando a falta de condições de alojamento e outros serviços sociais básicos.

Deu a conhecer que, segundo orientações do governador do Cuando Cubango, José Martins, doravante os candidatos oriundos de outras províncias e que são admitidos no sector da Educação devem trabalhar nos municípios onde se inscreveram, estando proibida a  passagem de guias de transferências, enquanto não for cumprido o tempo de serviço, de acordo o que a lei estipula.

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