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Centenas de mortes desde o início do estado de sítio

Pelo menos 672 civis foram mortos por rebeldes e 67 pelo Exército governamental, em Ituri e Kivu do Norte, Nordeste da República Democrática do Congo (RDC), desde o início do estado de sítio, em Maio, segundo a Organização Não-Governamental Human Rights Watch (HRW), citada pela AFP.

17/09/2021  Última atualização 09H00
ONG considera ineficaz estratégia do Governo de estabelecer o estado de sítio em Ituri © Fotografia por: DR
"O Governo congolês pude reconhecer a necessidade de mais segurança em Ituri e Kivu do Norte, mas o estado de sítio não atingiu esse objectivo”, afirmou Thomas Fessy, investigador da HRW na RDC.

A organização de defesa dos direitos humanos, que recorreu aos últimos dados recolhidos pelo Kivu Security Tracker, sustentou que o estabelecimento de um estado de sítio e de uma administração militar em Maio último não conseguiram pôr fim à violência no território daquelas duas províncias há anos.

Num relatório apresentado à Assembleia Nacional (câmara baixa do Parlamento congolês) e ao Senado (câmara alta), na semana passada, o deputado congolês Jean-Baptiste Kasekwa denunciou a morte de 596 civis naquelas duas províncias desde 6 de Maio, data em que foi imposto o estado de sítio.

"A estratégia posta em prática pelo Governo congolês não foi bem sucedida”, assegurou o deputado em declarações à agência Efe, confirmando que "morreram 596 civis durante este tempo, uma média de cinco pessoas por dia, mas com um pico de sete pessoas mortas por dia no primeiro mês do estado de sítio”. De acordo com o relatório apresentado por Kasekwa, 914 civis foram mortos em 2018, 1.070 em 2019 e 1.569 em 2020.

Os ataques a civis no Nordeste da RDC têm sido constantes nos últimos anos, atribuídos sobretudo aos grupos rebeldes islamistas ugandeses das Forças Democráticas Aliadas (ADF) e às milícias do Codeco (Cooperação para o Desenvolvimento do Congo), bem como aos próprios soldados das Forças Armadas Congolesas.

Na noite de 4 para 5 de Setembro, um ataque atribuído às ADF na área de Tshani Tshani e Mapasana, na província de Ituri, resultou na morte de 30 pessoas. Em 27 de Agosto, pelo menos 19 pessoas foram mortas num outro ataque deste grupo na cidade de Kasanzi, no Kivu do Norte. No mês de Julho apenas, as ADF foram responsáveis por, pelo menos, 18 ataques e 90 mortes de civis no Kivu do Norte.

"O Presidente Félix Tshisekedi afirmou que o controlo militar iria restaurar a segurança na região, mas o número de civis mortos em ataques permaneceu praticamente inalterado”, apontou a HRW.

Além disso, segundo a Organização Não-Governamental, e com base em dados recolhidos pelo Kivu Security Tracker, o Exército congolês não aumentou as operações militares durante o período desde o início do estado de sítio para melhorar a segurança na área.
O estado de sítio está em vigor em Ituri e Kivu do Norte desde seis de Maio e foi prolongado sete vezes, sucessivamente, por ambas as câmaras do Parlamento, de acordo com os meios de comunicação locais.


  Soldados condenados à prisão perpétua por homicídio

Quatro soldados da República Democrática do Congo (RDC) foram condenados à prisão perpétua e outros dois receberam uma pena de 20 anos de prisão pelo homicídio de cinco pessoas no Kivu do Sul, no Leste do país, noticiou, quarta-feira, a comunicação social.

De acordo com o porta-voz do Exército na província congolesa, citado pela AFP, as sentenças foram proferidas pelo tribunal militar e referem-se aos homicídios de quatro homens e uma mulher, no final de Junho. Na altura, o presidente da câmara acusou os soldados de terem disparado contra civis que regressavam do mercado.

O Exército negou a responsabilidade dos soldados, acrescentando que foram antes eles que foram vítimas de violência naquela cidade, onde "o inimigo se esconde entre a população”, disse então o porta-voz.

Ainda na quarta-feira, centenas de habitantes da localidade de Kitutu "queimaram pneus e obstruíram a circulação rodoviária para exigir das empresas chinesas o fim das suas actividades ilegais, desobedecendo a  ordem do Governo provincial, disse Jean- Pierre Mukuninwa, responsável de uma cooperativa mineira local à AFP.

A Assembleia Nacional tinha enviado há um mês uma Comissão Parlamentar de Inquérito encarregue de verificar as informações sobre a exploração ilegal dos recursos naturais e a protecção do ambiente, particularmente no território de Mwenga.

Depois da publicação pelo jornalista camaronês Alain Foka, de um documentário sobre a exploração ilegal dos minerais da RDC, o embaixador da China naquele país, Zhu Jing, assegurou que o seu país condenava qualquer açambarcamento dos recursos naturais do Congo.
A RDC dispõe de importantes jazigos de minerais diversos calculados em 25 biliões de dólares.

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