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CEDEAO decide levantar sanções económicas ao Mali

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) decidiu, domingo, levantar as sanções comerciais e financeiras que afectavam o Mali desde Janeiro, após ter sido validada uma nova proposta de transição da Junta Militar.

05/07/2022  Última atualização 08H15
Líderes da África Ocidental alcançaram acordos sobre as crises surgidas após os golpes © Fotografia por: Dr

Segundo a AFP, os líderes da África Ocidental aprovaram, na cimeira que decorreu em Accra, capital do Ghana, a proposta da Junta Militar que governa o Mali para um período de transição do poder até Março de 2024.

No mesmo evento, os líderes que integram aquela organização regional chegaram a acordo com a Junta Militar que governa o Burkina Faso para um período de transição do poder de dois anos, que termina em Julho de 2024, afirmaram, também em declarações à AFP, dois participantes na cimeira.

"No caso do Burkina Faso, tínhamos pedido que a Junta revisse a sua proposta. Pedia um período de transição de 36 meses. Todos concordaram que será de 24 meses a contar a partir de 1 de Julho”, assegurou um participante, sob anonimato, com a informação a ser confirmada pela France Press junto de fonte oficial da CEDEAO.

A questão da segurança no país era outra das preocupações dos membros da cimeira que se regozijaram com a recente libertação de um refém de origem polaca que foi sequestrado em 27 de Abril de 2022 a caminho do Níger, em Djibo (Norte), a 15 de Janeiro de 2016, um sequestro reivindicado pelo grupo jihadista Ansar Dine.

Mali e Burkina Faso, assim como a República da Guiné, foram alvo de medidas de retaliação comercial e financeira devido aos golpes de Estado militar que aconteceram nos três países.  O Mali, um país pobre e sem litoral que enfrenta um conflito há mais de uma década, estava sujeito a um embargo às transacções comerciais e financeiras, excluindo as necessidades básicas.

O Burkina Faso, outro país da região do Sahel afectado pela violência ‘jihadista’, e a República da Guiné estavam apenas, por enquanto, suspensos dos órgãos da CEDEAO.

A África Ocidental assistiu a uma sucessão de golpes de Estado em menos de dois anos: o golpe de 18 de Agosto de 2020, em Bamako, um segundo, em 24 de Maio de 2021, o golpe de 5 de Setembro de 2021, em Conacri, e o golpe de 24 de Janeiro, em Ouagadougou.

Alarmada pelo risco de contágio numa região vulnerável, a CEDEAO tem multiplicado as cimeiras, mediações e pressões políticas para acelerar o regresso dos civis ao poder.

Guiné-Bissau assume a liderança da organização

A Guiné-Bissau assumiu, domingo, pela primeira vez, a presidência rotativa CEDEAO, numa decisão tomada durante a cimeira de Chefes de Estado e de Governo da CEDEAO, que decorreu em Accra, no Ghana.

"O Presidente Umaro Sissoco Embaló terá agora em mãos os dossiês sobre a crise política na sub-região, sobretudo no Mali, Burkina Faso e República da Guiné, mas, também, desafios da segurança, caso da vaga de terrorismos. Terá ainda por tarefa concluir a implementação das reformas em todas as instituições da CEDEAO”, acrescenta o comunicado.

O Primeiro-Ministro da Gui-né-Bissau, Nuno Gomes Nabiam, afirmou que a presidência da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), atribuída, no domingo, ao país, é o resultado da "aposta na dinamização da diplomacia”.

"Desde 1975 que somos parte da CEDEAO, mas nunca tivemos o privilégio de presidir à organização, e agora, resultado da aposta na dinamização da nossa diplomacia, sob os auspícios do Presidente Sissoco Embaló, conseguimos catapultar a boa imagem do país, o avanço e a afirmação cada vez mais do país, tanto no panorama sub-regional, como a nível mundial”, salientou Nabiam numa mensagem na rede social Facebook.

O Primeiro-Ministro destacou, também, que a "Guiné-Bissau está de parabéns” e que cabe ao Governo "tomar todos os dispositivos necessários para que a experiência seja coroada de êxitos e que as metas sejam todas atingidas e os desafios vencidos”.

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