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Casos de malnutrição tendem a aumentar

Pelo menos 2.483 casos de malnutrição, dos quais 293 em estado avançado, foram registados, desde Janeiro do corrente ano, nos nove municípios do Cuando Cubango, na sequência da estiagem que assola a província.

02/10/2019  Última atualização 09H38
Nicolau Vasco | Edições Novembro | Menongue © Fotografia por: Ângulo de Menongue onde as autoridades traçam estratégias para minimizar os efeitos da seca

A informação foi avançada, na cidade de Menongue, pelo porta-voz da Comissão Provincial de Protecção Civil e Bombeiros, Soares Inglês, durante uma conferência de imprensa, tendo acrescentado que a maior parte dos casos de malnutrição foram registados em crianças.

O Jornal de Angola apurou que até ao momento três crianças já morreram devido à malnutrição, das quais duas no município do Rivungo e uma na comuna do Licua.
Soares Inglês explicou que, de acordo com o protocolo nacional de controlo a este tipo de enfermidade, a percentagem regular ou normal é dez por cento, mas a província do Cuando Cubango já atingiu 14,28 por cento, sendo uma situação bastante preocupante.
Realçou que neste momento necessita-se com urgência de leite e medicamentos, para o tratamento das 2.483 pessoas desnutridas.
Soares Inglês disse que, para não aumentarem os casos de malnutrição, a Comissão Provincial de Protecção Civil e Bombeiros necessita de pelo menos 194 mil toneladas de bens alimentares, para apoiar 354 mil pessoas afectadas pela estiagem no Cuando Cubango, até a época da colheita da campanha agrícola 2019/2020, tendo em vista que o governo local está a gizar programas para o cultivo nas zonas baixas, altas e nas encostas, no sentido de minimizar os efeitos da seca.
Salientou que a Comissão Provincial de Protecção Civil e Bombeiros necessita também de dez camiões-cisterna, 35 tractores com as respectivas alfaias, construção de 68 furos de água e reservatórios comunitários, com capacidade de cinco a dez mil litros, para atender todos os municípios do Cuando Cubango.
“Necessitamos igualmente de viaturas do tipo 4X4, como Camaze e MAN, adaptáveis ao terreno bastante arenoso do Cuando Cubango, para a transportação dos produtos alimentares às localidades afectadas pela estiagem", referiu Soares Inglês.
Fez saber que a província do Cuando Cubango beneficiou, na primeira até a terceira fase, de mais de 500 toneladas de produtos diversos, com realce para 180 toneladas de bens alimentares, entregues pelos órgãos auxiliares do Presidente da República, Comissão Nacional de Protecção Civil e Bombeiros, governos provinciais de Luanda, Benguela, Bié e Lunda-Sul, empresários, igrejas e membros da sociedade civil, para acudir às populações atingidas pela seca.
Soares Inglês anunciou que na quarta fase, que arranca nos próximos dias, a Comissão Provincial do Cuando Cubango de Protecção Civil e Bombeiros já recebeu ajuda de mais de 200 toneladas, das quais 120 em bens alimentares, do Governo da Lunda-Sul.

Mais apoios

O porta-voz da Comissão Provincial de Protecção Civil e Bombeiros agradeceu a solidariedade de todas as instituições que prestaram apoio à província do Cuando Cubango e pediu que outras empresas ou entidades sigam o mesmo exemplo, tendo em vista que a situação das pessoas afectadas pela estiagem ainda é bastante crítica.
Informou que os produtos recebidos são insuficientes para satisfazer a carência alimentar das 354 mil pessoas afectadas pela seca. “Para atendermos as 354 mil pessoas afectadas pela seca seriam necessários, só em um mês, 16 mil toneladas de bens alimentares e até à terceira fase recebemos apenas 500 toneladas”, disse Soares Inglês.
Frisou que a Comissão Provincial de Protecção Civil e Bombeiros tem feito um grande esforço para que cada família receba um pouco de comida, que muitas das vezes dura apenas dois a três dias ou no máximo uma semana.
Soares Inglês defendeu a necessidade de haver mais doações, no sentido de se evitar que o número de pessoas com malnutrição aumente. “Para se mitigar as consequências da seca, o Governo tem como prioridade a distribuição de alimentos em quantidade adequada, até à época de colheita do ano agrícola 2019/2020, sobretudo nos municípios do Cuangar, Calai, Dirico, Mavinga e Rivungo,os mais afectados”.

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