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“Caso 26” pode receber alta nos próximos dias

O cidadão angolano conhecido como o paciente do “Caso 26”, infectado pela Covid-19, pode receber alta nos próximos dias, depois de dois testes terem dado negativo. No domingo fez mais um e aguarda resultado.

09/06/2020  Última atualização 08H47
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Em declarações ao Jornal de Angola, Francisco Lola disse estar feliz com o progresso no tratamento que vem realizando há 41 dias.

Considerado paciente assintomático da Covid-19, Francisco Lola infectou cerca de 26 pessoas, das quais mais de quatro ficaram curadas.
Com residência no Futungo e Cassenda, o “caso 26” chegou ao país no dia 19 de Março vindo de Lisboa num voo da TAAG.

O facto de ter duas residências motivou a instituição de cercas sanitárias nos bairros onde vive, nos dias 5 e 6 de Maio, tendo os levantamentos sido efectuados nos dias 21 e 28 do mesmo mês respectivamente.

“Já testei negativo duas vezes e no domingo fizeram mais uma colecta para certificar a cura e poder voltar a casa. Estou há 41 dias confinado”, disse.

Francisco Lola confessa que tem duas famílias e, por este motivo, esteve na origem das cercas nos bairros Futungo e Cassenda.

Francisco Lola contagiou uma das esposas e dois filhos, um de quatro anos e outro de um ano e seis meses.

O paciente do “Caso 26” disse que a situação não aconteceu como as pessoas têm especulado. "Cumpri a quarentena. Primeiro fiz sete dias no Cassenda e os restantes dias na família do Futungo", disse.

Revelou que depois de saber que estava infectado e por ter convivido com várias pessoas começou a sentir peso de consciência, principalmente, quando foram impostas cercas sanitárias nos dois bairros onde vive.

Por esta situação, os vizinhos ficaram revoltados, mas depois de levantarem as cercas foi recebendo chamadas de encorajamento pelo momento que estava a passar.

“Depois de me aperceber da situação colaborei com as autoridades sanitárias no sentido de localizar os contactos dos meus vizinhos para se fazer maior rastreio”, disse.

Francisco Lola revelou que a convivência no centro de tratamento do Calumbo não foi fácil. Durante os primeiros 20 dias rezava pelas pessoas infectadas.

Doentes assintomáticos

Numa conferência de imprensa realizada no CIAM, sobre a actualização dos dados da Covid-19, a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, reconheceu que todos os dias as autoridades sanitárias têm aprendido como controlar a pandemia da Covid-19 e procurar implementar as medidas de vigilância epidemiológica e manejo, de acordo com a realidade do país.

A ministra explicou que a maior parte dos doentes da Covid-19 no país são assintomáticos e normalmente, noutros países são tratados em casa, mas nem sempre o tratamento ao domicílio tem sido eficaz.

No caso de Angola, é preciso olhar para as condições em que o paciente vive, seja de habitação ou saneamento. Para melhorar esta situação, a Comissão Multissectorial estuda uma solução intermédia para os pacientes não serem tratados em ambiente hospitalar, passando, assim, a estar sob o controlo das entidades sanitárias nos centros de tratamento, inaugurados recentemente pelo Presidente da República.

O tratamento dos doentes estáveis no país tem sido terapêutico, através de medicamentos como a cloroquina e azitromicina.

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