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Casas em zonas de risco estão a ser demolidas

Garrido Fragoso

Pelo menos 230 casas, construídas em zonas de risco, em bairros periféricos de Ndalatando, no Cuanza-Norte, estão a ser destruídas desde sexta-feira, por iniciativa da Administração Municipal do Cazengo.

14/04/2020  Última atualização 12H03
DR

Segundo o administrador do Cazengo, Malundo Catessamo, o objectivo é assegurar a integridade física das famílias e desencorajar a construção de moradias em zonas inadequadas. A decisão da Administração Municipal do Cazengo, acrescentou, surge na sequência do desalojamento e perda de bens de mais de oito mil pessoas, devido as fortes chuvas do dia 5 do corrente mês.
O administrador do Cazengo disse que o processo abrange os bairros Posse, Sambizanga, 11 de Novembro e outros onde existam casas em zonas consideradas de risco. Malundo Catessamo fez saber que nas zonas ribeirinhas ao rio Muembeje estão a ser demolidas todas as casas construídas a cerca de quarenta metros da água. Nelson Felizardo, morador do bairro Sambizanga, que construiu a sua casa de blocos, de três quartos, sala, cozinha e casa de banho, a três metros do leito do rio Muembeje, afirma que é com profunda tristeza que se apercebeu que a sua moradia está cadastrada para demolição.
“Sou taxista, meu carro está avariado há mais de um mês, não sei como recomeçar, por isso peço ao Estado que me dê mais alguns meses para que possa me organizar e encontrar outro espaço condigno, onde possa viver com dignidade com os meus três filhos, esposa e sobrinho”, disse.
Em relação ao realojamento das mais de 200 famílias sinistradas pelas chuvas do dia 5, o administrador Malundo Catessamo garantiu que o processo começou sexta-feira, com a integração de 31 famílias no condomínio contentorizado, situado na zona sul do Sambizanga, junto ao Hospital Municipal do Cazengo.
Frisou que o fornecimento de água potável está assegurado, através de um reservatório de 10.000 litros, que vai ser reabastecido segundo a necessidade da população. Fez saber que neste momento o local já tem energia eléctrica.
Malundo Catessamo acrescentou que na zona do Quirima do meio a energia que vai beneficiar as vítimas das chuvas vem da sede do bairro, que fica a cerca de 700 metros, através de um ramal da linha de baixa tensão, enquanto a água vai ser fornecida por dois furos hertzianos.
O administrador do Cazengo garantiu que até amanhã todas as condições vão estar criadas para albergar mais 48 famílias em Canaulo, no Golungo-Alto, onde estão disponíveis perto de 180 casas.
Assegurou que o Governo Provincial do Cuanza-Norte assinou um acordo com as operadoras de transportes públicos locais, no sentido de criarem rotas de circulação para as referidas zonas, por forma a assegurar a movimentação dos trabalhadores, comerciantes e camponeses, que, devido às chuvas, foram realojados.
O administrador do Cazengo revelou que, desde o passado dia 11, qualquer cidadão na condição de sinistrado pode deslocar-se ao Quilómetro Onze, para receber a sua parcela para a autoconstrução dirigida.”Cada cidadão tem direito a um espaço com 12 metros de largura e 20 de comprimento, para a construção da casa própria”, concluiu.

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