Cultura

Casais celebram em tempo de pandemia

Alexa Sonhi

Jornalista

Apesar dos estragos que a pandemia da Covid-19 tem causado a muitas famílias no mundo, com a morte de entes queridos e a falta de empregos, ainda assim, muitos casais apaixonados em Luanda, mantêm as regras e procuram, nas lojas, mercados ou em bancadas de rua, o presente ideal para o grande amor da sua vida, no dia dedicado à São Valentim.

14/02/2021  Última atualização 14H48
Dia dos namorado assinala-se hoje © Fotografia por: Edições Novembro
Júlio Gonçalves, desempregado, há um ano, sente a obrigação de brindar a namorada com algum presente, embora reconheça a sua realidade financeira. "Começamos a namorar a pouco tempo, e como fiquei muito tempo atrás dela, então não posso deixar esta data passar assim em branco"
Para o jovem, a ocasião reveste-se de grande simbolismo, "porque vai ser o primeiro Dia dos Namorados que vamos passar juntos. Tive de envidar esforços para conseguir dinheiro, a fim de comprar alguma prenda para festejar a data", tendo escolhido um urso de peluche branco e vermelho.

À par disso, adquiriu também chocolate, uma garrafa de vinho branco e um par de chinelas de marca Havainas personalizada, tendo ao todo desembolsado a quantia de 40 mil kwanzas.
Já Emilio Lemos, 45 anos, encontrou o presente, para a rainha do seu coração, numa das lojas do Largo 1º de Maio. Para o efeito, comprou uma cesta contendo um conjunto de langerie feminino de cor vermelha e branca,  um coração de material de peluche, grafado com a escrita "I love you", chocolate  e  uma garrafa de vinho branco, tendo gasto 30 mil kwanzas.

Reconhecendo estar muito apertado financeiramente, o homem apaixonado diz que a esposa merece muito mais do que aquilo, "porque são 20 anos de convivência onde já surgiram cinco filhos".   
Ainda abalado com a morte da mãe, em Novembro de 2020, vítima de Covid-19, Joaquim dos Santos saiu de casa para comprar um brinde para a namorada com quem sonha "casar dentro em breve e ter três filhos".   
"Comprei apenas um relógio e um frasco de perfume que ela tanto quis. Amanhã (hoje), às primeiras horas, ser-lhe-á entregue o presente, por intermédio de um moto-boy e à noite está previsto um jantar romântico em minha casa, para ela ver que também sei cozinhar", concluiu o jovem apaixonado.

Procura por brindes diminuiu

Embora muitos casais mantêm o hábito de trocar presentes, neste dia dedicado ao amor, ainda assim, para quem  está a vender brindes que simbolizam a data, as coisas não andam nada bem, porque a procura diminuiu consideravelmente, comparativamente ao mesmo período dos anos anteriores.  

Roselene Machado, que montou a sua bancada, desde quarta-feira na avenida Kima- kienda, disse, ao Jornal de Angola, que as vendas estão muito fracas. No primeiro dia não vendeu nada. Entre quinta e sexta-feira, apenas conseguiu vender cinco presentes, enquanto que ontem, até  às 12 horas, ainda não tinha angariado nenhum cliente.

Segundo a vendedora de brindes, "os poucos presentes solicitados são todos para mulheres que os homens compraram para as oferecer, já as próprias mulheres quase que não compram nada para os parceiros. Estas, têm o habito de cobrar prendas, mas elas mesmas não gostam de comprar para oferecerem aos maridos ou namorados", disse  Roselene. 

A maior parte das bancadas de rua e lojas espalhadas pelos bairros e pela cidade, os presentes que mais saltam às vistas são de carácter feminino. Dona Gina, utente de uma barraca, no Largo 1º de Maio, apenas vende artigos para senhoras, alegadamente porque  "as senhoras não compram".

Dona Gina afirmou que desde quarta-feira, altura em que montou a sua barraca, expôs 15 presentes, mas apenas dois são destinados para rapazes. "Se insistirmos em vender, será prejuízo, porque o dinheiro não vai sair," explicou, sustentando que as vendas de brindes "baixaram muito por causa  da Covid-19 e devido à crise financeira que o país está a viver".
Quer nas lojas, mercados ou em bancadas, os preços dos brindes praticados servem para todos os gostos e bolsos, sendo que variam entre 2.000 e 50.000 kwanzas, mas existem outros ainda muito mais caros, cabendo a escolha por parte do cliente em função da sua disponibilidade financeira.

Segundo o que o Jornal de Angola apurou juntos das vendedoras, os brindes mais concorridos são os ursos brancos e vermelhos, corações, perfumes, quites dermatológicos, conjuntos de langerie femininos, bouquet de flores naturais e quites de aperitivos romáticos. 

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