Política

Carolina Cerqueira apela à responsabilidade social

Edna Dala

Jornalista

A ministra de Estado para a Área Social, Carolina Cerqueira, considerou, terça-feira (23), a responsabilidade social das empresas como uma forma de redistribuição da riqueza que as instituições acumulam através das vendas.

24/11/2021  Última atualização 07H59
Ministra de Estado lembrou, ontem, que a riqueza é uma via de mão dupla: dar e receber © Fotografia por: João Gomes | Edições Novembro
Discursando na abertura do I Seminário sobre Responsabilidade Social das Empresas, sob o tema "Responsabilidade Social é  Dignificar as Comunidades", reforçou que é também um compromisso com o desenvolvimento das comunidades locais.

Durante o encontro promovido pelos Órgãos Auxiliares do Presidente da República, Carolina Cerqueira sublinhou que "as empresas ganham mais estando numa sociedade, cujos membros tenham um notável bem-estar, do que em sociedades desprovidas de conhecimento técnico e científico, em ambiente degradado ou que tenham a saúde fragilizada”.

Agindo deste modo, acrescentou, cada instituição estará não só a contribuir para o progresso e a inclusão social e promoção do bem-estar, mas também de criar recursos para o consumo, para que o resultado seja maior para as próprias empresas.

No quadro do Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2018 -2022, realçou, estão em marcha vários programas que têm beneficiado as populações mais carenciadas das diferentes regiões do país, com o objectivo de melhorar a qualidade de vida e o empoderamento das famílias.

A melhoria da condição de vida das populações em todo o território nacional é prioridade nacional e também do Executivo, constante no Plano de Desenvolvimento Nacional 2018-2022, que definiu como primeiro eixo o Desenvolvimento Humano e bem-estar.

Este compromisso, alertou, não é uma tarefa exclusiva do Governo, pois convoca a participação de todos, por via dos negócios ou da solidariedade social que incluem as empresas e sua responsabilidade social.

Carolina Cerqueira referiu, ainda, que as empresas são os principais parceiros do Estado na luta pela melhoria da qualidade de vida das comunidades. Para a ministra de Estado, são elas que empregam as pessoas, geram riqueza e, por via da solidariedade social, podem e devem desenvolver projectos comunitários sem fins lucrativos.

"Vamos todos juntos, colocar na agenda, a responsabilidade social das empresas, porque juntos somos mais fortes”, reiterou.
Carolina Cerqueira aproveitou a oportunidade para encorajar a comunidade empresarial angolana a abraçar as boas práticas universais.

"Esse encorajamento do Estado está bem espelhado na Lei do Mecenato, que estabelece um conjunto de benefícios fiscais das empresas que, de forma altruísta, prestem serviços, financiem total ou parcialmente obras e projectos sociais, culturais, educacionais, desportivos, ambientais, juvenis, científicos, tecnológicos e de informação às comunidades”, sublinhou.

Acrescentou que, à luz da Lei do Mecenato, cujo processo de aplicação está em curso, as empresas podem implementar, entre outras, acções de incentivo à formação artística e cultural, concessão de bolsas de estudo e de criação artística, assim como a outorga de prémios a criadores.

O Governo, frisou, está a trabalhar para a melhoria contínua do ambiente de negócios, para que os empresários tenham a vida mais facilitada e possam participar  activamente no desenvolvimento duradouro.


Sustentabilidade e coesão

Em declarações à imprensa, o director do Centro de Estudos Jurídicos Económicos e Sociais da Universidade Agostinho Neto (CEJES), José Van-Dúnem, considerou o seminário importante, sobretudo, para se esclarecer o papel das organizações e das empresas em relação à responsabilidade social, para que a sociedade perceba o que está em causa quando se fala em responsabilidade social.

José Van-Dúnem dissertou sobre a "Responsabilidade social: um novo paradigma da cultura das organizações” e disse que existe uma tendência, para se confundir responsabilidade social com filantropia e solidariedade.

"Nisto, muitas vezes, se esquece que só tem responsabilidade social quem tem condições para o fazer”, destacou.
Sobre o apoio contínuo do Executivo às empresas no que concerne aos benefícios fiscais, manifestado pela ministra de Estado Carolina Cerqueira, José Van-Dúnem reforçou que para a efectivação é importante que a Lei seja aprovada, porque as empresas precisam ser incentivadas e sentir um conforto da parte do Estado para que haja também um retorno em relação ao investimento feito.

Bruno dos Santos, da Fundação Brilhante, disse que a instituição afecta ao sector diamantífero tem uma "enorme responsabilidade, principalmente, com as comunidades, ali onde a Endiama e parceiros prestam actividades no meio rural”.

António Candeias, representante da Sistec, lembrou que a empresa é das primeiras que por iniciativa própria, e não por sugestões, abraçou a actividade de responsabilidade social.

"Desde a fundação, apoiou vários projectos, com destaque para a corrida São Silvestre, criação de espaços com equipamentos para ginástica profissional e educação física, não apenas em Luanda”, apontou António Candeias.

Durante o seminário, foram ainda abordados temas como "O impacto das empresas âncora no meio rural”, apresentado pelo coordenador do Grupo Técnico Empresarial - Carlos Cunha, "A responsabilidade social em números”, dissertado pelo académico Alves da Rocha, e "A responsabilidade social das empresas e os impostos”, por Milton Ngunza, coordenador do Centro de Estudos Tributários da Administração Geral Tributária.


  Bons negócios devem agregar valores à comunidade

A ministra de Estado para a Área Social destacou, igualmente, que nos dias de hoje os bons negócios não são aqueles que apenas geram lucros para as firmas. Os bons negócios, acrescentou, além de serem feitos nos marcos da Lei, de cumprirem as obrigações fiscais e gerar lucros, devem agregar valor à comunidade em que estão inseridos.
Segundo Carolina Cerqueira, devem agregar valor, quer pelo seu investimento no capital humano quer na melhoria do ambiente, através do investimento ou no relacionamento com as comunidades locais.

Em Angola, reconheceu, já há exemplos encorajadores da responsabilidade social de empresas, instituições financeiras e de agências de desenvolvimento, com o escopo de participar, conjuntamente, com o Executivo, em programas de desenvolvimento humano e comunitário com vista a mitigar as carências e dificuldades que as populações enfrentam.
Por seu turno, a secretária do Presidente da República para os Assuntos Sociais, Fátima Viegas, disse que o seminário teve como objectivo contribuir para o debate sobre responsabilidade social e definir mecanismos para dinamizar a participação das empresas e das organizações na implementação de projectos sociais.

O debate proposto com o seminário, explicou, insere-se na preocupação de incentivar um maior diálogo entre parceiros e definir linhas de actuação conjunta em benefício dos cidadãos, das famílias, das comunidades e da sociedade.
"Precisamos estabelecer uma relação aberta e encontrar consensos sobre temas de interesse social e formas comuns de abordagem das principais questões com que as comunidades se confrontam", reforçou.

Na ocasião, Fátima Viegas referiu que o encontro acontece num momento particular da vida económica, social e cultural do país, impondo a necessidade de uma reflexão sobre a responsabilidade social das empresas e das organizações, em prol da melhoria da qualidade de vida das populações.


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