Cultura

Carlos Paes mostra obras na Galeria Artistas de Angola

A exposição de pintura de Carlos Paes, intitulada “Ser angolano é meu fado e meu castigo”, uma homenagem ao pintor e poeta Albano Neves e Sousa, com curadoria do fotógrafo António Silva, está patente até 31 deste mês, na Galeria Artistas de Angola, em Lisboa.

03/12/2022  Última atualização 09H10
Artista apresenta um conjunto de trabalhos, entre óleos e acrílicos sobre tela, papel e madeira © Fotografia por: DR
Nesta mostra, Carlos Paes apresenta um conjunto de trabalhos, entre óleos e acrílicos sobre tela, papel e madeira. A homenagem a Albano Neves e Sousa completa esta iniciativa, com a exibição de uma selecção de obras do consagrado pintor angolano.

De acordo com o pintor, "Ser angolano é meu fado e meu castigo” é uma mostra composta por pintura e escultura em diferentes materiais. "Óleos e acrílicos sobre tela ou papel, madeira e técnicas mistas, são encontrados nas quarenta obras seleccionadas. As vivências em Angola deixam uma noção de cor e forma que sobressaem no trabalho exposto, bem como a geometrização do representativo que atinge, por vezes, o abstracto.”

Todas as peças em exibição testemunham um grande amor e dedicação às terras e gentes de Angola e África. Neves e Sousa, retratou o povo e a beleza de Angola como ninguém, pela sua mestria e arte foi apelidado de: o "Pintor de Angola”. Pintou as mais diversas etnias angolanas, com destaque na diversidade da figura da mulher angolana.   

Há várias linhas condutoras que ligam os trabalhos de ambos os pintores, que são as telas, as tintas, a exploração da plasticidade da cor e do ritmo da forma, a representação da figura humana, predominantemente feminina, África e Angola, e uma equilibrada inspiração cubista, que toca todas as telas, na sua forma e na composição. Entre telas e pinceladas é possível mergulhar neste movimento artístico sem nos afundarmos ou deixarmo-nos envolver completamente.

Sobre Neves e Sousa, Jorge Amado escreveu "(…) Pintor de Angola, de sua paisagem poderosa, de sua poderosa gente, dos costumes, da magia e da realidade – ele tocou com seu lápis ou com seu pincel cada momento e cada detalhe do país e do povo. O sol de Angola imprimiu a cor definitiva de sua palheta (…).”

Carlos Paes nasceu em Ovar em 1949,foi cedo para Angola, onde viveu até 1975. Desde sempre foi assíduo frequentador do ateliê do Pintor Neves e Sousa, e o contacto com outros artistas, baseou a sua formação artística. Concluiu o curso de História da Arte Moderna e Contemporânea, orientado pelo professor Fernando Pemes (Assessor Cultural da Fundação de Serralves).

Desde muito jovem viu vários dos seus trabalhos serem reconhecidos e premiados. Entre 1970 e 1989 fez escultura a par de desenho e pintura. Expões com regularidade a partir de 1990, tanto em Portugal como em Espanha, Angola e Brasil

Tem colaborado na concepção de cenografia para teatro e construção de marionetas e artefactos para teatro de objectos.

Está representado em diversos países em acervos públicos (Associação Nacional de Jovens Empresários, Porto; Comissão Nacional de Luta Contra a SIDA, Lisboa; Câmara Municipal de Oeiras - Galeria Verney; Galeria do Superior Tribunal de Justiça, Brasília - Brasil; Colecção Toyota Angola, Luanda - Angola) e particulares (Alemanha, Angola, Bélgica, Brasil, Espanha, Itália, Noruega, Portugal e Reino Unido). Reside actualmente em Aveiro, onde desenvolve a sua actividade.

Por sua vez, Albano Neves e Sousa nasceu a 15 de Janeiro de 1921em Matosinhos, mas cedo viajou com a família para Luanda, Angola, onde estudou e completou o curso liceal. Por motivos alheios à sua vontade, em 1975 deixou a sua Angola e fixou-se em Salvador, Bahia - Brasil, onde faleceu, em Maio de 1995.

As suas primeiras exposições foram em Angola, em 1936, no Andulo, e em 1937, em Luanda, com o apoio do jornal A Província de Angola. Em 1943, obteve uma bolsa de estudos, da Câmara Municipal de Luanda. Fez o curso superior da Escola de Belas Artes do Porto, onde obteve os prémios "José Meireles Jr.”, "Centenário Soares dos Reis”, "Três Artes”, "Rodrigo Soares”, "Rotary Club do Porto 1950” e "Rotary Club do Porto 1951”. Participou no Grupo dos Independentes do Porto, de cujo núcleo fez parte nos anos de 1944 a 1950; tendo organizado, com Fernando Lanhas, a 1ª exposição de arte infantil no Porto, Galeria Portugália, 1949.Defendeu tese em 1952 e regressou a Angola, passando a viver em Luanda.

Recebeu, também, mais os seguintes prémios: 1º prémio de aguarela da I Exposição de Artes Plásticas de Luanda; 2º prémio de pintura da Casa de Metrópole, em Luanda; medalha de bronze de "Caça e Pesca”, Dusseldorf, Alemanha, 1954; 1º prémio, pastel, na exposição de artes plásticas da Câmara Municipal de Luanda, 1967; menção honrosa na Exposição Internacional de Desenho em Rijeka, Yugoslávia, 1970; medalha de ouro de desenho na Academia de Pontzen, Napóles, Itália, 1974.

Participou em várias exposições, designadamente, em: África do Sul, Angola, Bélgica, Brasil, Espanha, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Venezuela; e realizou viagens de estudo ao Brasil, Espanha, Estados Unidos, França, Inglaterra e Itália.

Executou várias decorações em edifícios públicos em Angola (incluindo o Hotel Universo), São Tomé e Cabo Verde. No aeroporto internacional de Luanda, tem um trabalho em grafite com a área de 345m2. Executou também a decoração do Pavilhão de Angola na exposição de Bulawaio, Zimbabwe, 1953. Em 1975 foi aos Estados Unidos decorar os interiores dos aviões "Boeing 737” dos Transportes Aéreos de Angola. Pintou, também, dois painéis para o Banco Auxiliar, no Brasil, em Salvador, 1981, e em Aracaju, em 1983.

Foi agraciado pelo Governo Português com a comenda da Ordem do Infante D. Henrique, em 1963, e com a comenda da Ordem de Mérito, em 1993.

Está representado nos Museus: dos Açores; do Caramulo; da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa; Nacional Soares dos Reis, Porto; de Angola; de Ovar; da C.M. de Maputo, Moçambique; de Pontevedra, Espanha; de Arte da Universidade do Ceará, Fortaleza, Brasil. E em diversas colecções particulares, incluindo: Rei Juan Carlos de Espanha; Rei Semião da Bulgária; Unilever, Holanda; Nestlé, Suíça; Dr. António Espírito Santo; Dr. Manuel Espírito Santo; Dr. Manoel Vinhas e Luís Miranda, de Portugal.

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