Especial

Candidatos reclamam morosidade na comercialização de casas

Victorino Matias | Dundo

Jornalista

Com o surgimento da Centralidade do Mussungue, na cidade do Dundo, uma parte considerável da população da Lunda-Norte encontrou um novo conceito de bem-estar com as respectivas famílias, mas outros continuam na ex-pectativa e esperança de conseguir uma residência condigna naquela urbanização, concebida, numa primeira fase, para 5.004 apartamentos.

15/03/2022  Última atualização 07H45
© Fotografia por: DR

Enquanto uns viram o sonho concretizado, outros, ainda, enfrentam o dilema de não ter casa própria, numa zona habitacional urbanizada e com serviços sociais funcionais.  

Em termos globais, a Centralidade do Mussungue está preparada para receber mais de 30 mil famílias, mas, deste número, faltam 17 por cento, pois dos 5.004 apartamentos existentes cerca de 730 ainda não foram entregues aos candidatos que remeteram as  suas candidaturas à Imogestin e ao Fundo do Fomento Habitacional, entidades às quais o Executivo incumbiu a responsabilidade do processo de gestão e comercialização das  residências.

No quadro do Dia Mundial dos Direitos do Consumidor, que hoje se assinala, o Jornal de Angola apurou que o atraso que se verifica na entrega das chaves dos restantes 730 apartamentos deve-se ao trabalho em curso de acabamento das obras, tendo em conta que as casas em referência apresentam problemas técnicos, relacionados com filtração de água.  

Esta situação deixa preocupada as pessoas, que, impacientemente, esperam por uma residência condigna, através da renda resolúvel ou outras modalidades definidas pelo Executivo.

Ouvidos pelo Jornal de Angola, alguns cidadãos que se inscreveram desde que começou o processo de venda e entrega das chaves dos primeiros apartamento, em Dezembro de 2015, dizem estar agastados e pedem a intervenção do Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (INADEC), pelo facto de terem já efectuado o pagamento da primeira prestação.

O pagamento da prestação inicial, refira-se, afigura-se como uma das principais exigências para candidatar-se a uma residência no maior projecto habitacional erguido pelo Governo na capital da Lunda-Norte.

 Denunciada falta de transparência 

Fernando Rocha, funcionário público, foi um dos candidatos que concorreu para a aquisição de um apartamento do tipo T4+1 na Centralidade do Mussungue, em 2016, e diz que, até hoje, nunca teve resposta da empresa gestora do processo de venda dos imóveis, mesmo tendo pago, naquela altura, a prestação inicial de 37 mil kwanzas.

"Confesso que não sei o que fazer, já contactei por várias vezes a Imogestin, sem qualquer resposta aceitável. Sinto-me frustrado", desabafou, acrescentando que existem poucas hipóteses de ser sorteado para ter um apartamento para o conforto da família, que, actualmente, vive no bairro Satxindongo, onde os problemas de desurbanização e ausência de serviços essenciais básicos são incalculáveis.

Na mesma situação encontram-se centenas de funcionários públicos e outros munícipes que esperam ver o problema resolvido, como Paulino Inocêncio, professor do ensino primário, que se mostra agastado pela demora na entrega do apartamento.

O cepticismo se retira o processo que constituiu para conseguir a casa ou ficar na esperança de algum dia vir a ser contemplado tomou conta de Paulino Inocêncio, que denunciou existirem pessoas que estão a receber casas, com recurso ao pagamento da famosa "gasosa" e por influência dos que estão a dirigir o processo.

De acordo com Paulino Inocêncio, há dois meses, a Centralidade do Mussungue recebeu novos moradores, sem divulgação de listas, como anteriormente acontecia, por este motivo vê reduzida as possibilidades de conseguir realizar o sonho de viver numa zona urbanizada.

"Se já não existem casas para atribuírem aos requerentes que nos digam ou nos devolvam o dinheiro que transferimos para as contas bancárias do Fundo de Fomento Habitacional", sublinhou.

Dignidade, conforto, segurança para as famílias, acesso aos serviços essenciais básicos, sobretudo água potável e energia eléctrica, são alguns dos principais benefícios que o professor quer encontrar no novo lar.

 

 

 

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