Política

Canal do Cafu melhora vida das populações afectadas pela seca

César Esteves

Jornalista

O sistema de transferência de água a partir do rio Cunene, na povoação do Cafu, para as zonas de Ombala Yo Mungu, Namacunde e Ndombondola, na província do Cunene, melhorou significativamente a vida da população local, que sofria na pele os efeitos da seca, afirmou, quarta-feira, ao Jornal de Angola, o director-geral do Instituto Nacional de Recursos Hídricos.

10/08/2022  Última atualização 08H59
Manuel Quintino destacou a satisfação que diz ser notória da população © Fotografia por: CIPRA | Arquivo
Manuel Quintino salientou que o quadro registado, hoje, naquelas localidades é completamente oposto ao vivido pelos habitantes, que era caracterizado por um drama provocado pelos efeitos da seca cíclica que se regista na região Sul do país.

"Antes, quando houvesse seca, registava-se um grande sofrimento das populações, que se viam impedidas de desenvolver actividades agrícolas e de dar de beber o gado”, ressaltou o responsável, lembrando que a falta do líquido naquelas regiões levava os criadores de gado a percorrerem longas distâncias, durante a transumância, a procura de água para o abeberamento do gado. "Hoje, é notório a satisfação no rosto das populações por já terem água próximo das suas residências”, frisou.

O director geral do Instituto Nacional de Recursos Hídricos referiu que o Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola (PCESSA) surgiu para dar dignidade às pessoas daquela região que há muito sofriam com este problema.

"Há uma grande aposta do Executivo angolano, através do Ministério da Energia e Águas, em termos da busca de soluções para o combate aos efeitos da seca, razão pela qual foram já identificados, no quadro do PCESSA, um conjunto de projectos estruturantes virados ao combate aos efeito da seca para as populações do Sul do país”, salientou.

O Canal do Cafu, que não é o único projecto estruturante criado para a província do Cunene, para o combate aos efeitos da seca, foi inaugurado em Abril deste ano pelo Presidente da República. É das primeiras respostas concretas ao problema da seca na província, desde a independência do país, 1975.

Até antes da sua existência, o problema era combatido a base de furos de água, tendo sido aberto, em toda a província, mais de 70, que foram incapazes de atenuar o sofrimento da população, por, na sua maioria, serem negativos. O sistema de transferência está projectado para um caudal máximo de 6 metros cúbicos (seis mil litros) por segundo, mas, neste momento, devido às condições hidrológicas do rio Cunene, só está a captar dois metros cúbicos por segundo.

O projecto, que arrancou em 2019, dispõe de uma tubagem pressurizada com uma extensão aproximada de dez quilómetros, um canal condutor geral com uma extensão de 47 quilómetros e, logo a seguir, no lote 1, uma bifurcação com dois canais, sendo o Leste e o Oeste. O canal Leste, que vai levar a água a Namacunde, conta com uma extensão aproximada de 55 quilómetros. Já o Oeste, que segue em direcção à povoação de Ndombondola, possui uma extensão aproximada do primeiro. Para além dos canais, o sistema de transferência de água conta, igualmente, com 30 chimpacas (reservatórios de água) e 93 bebedouros para as pessoas e para os gados. Cada uma das chimpacas mede 100 metros de comprimento, 50 de largura, cinco a seis de profundidade e uma capacidade de armazenamento de água a variar entre 25 e 30 mil metros cúbicos.

No dia da sua inauguração, o Presidente João Lourenço autorizou o aumento de mais cinco quilómetros complementares no canal e uma chimpaca, para beneficiar uma comunidade residente em Ndombondola. Com isso, a rede de canal passou a dispor de uma distância aproximada de 165 quilómetros e 31 chimpacas. Orçado em cerca de 136 milhões de dólares, o projecto está a beneficiar 235 mil pessoas, 250 mil cabeças de gado, uma área aproximada de 5 mil hectares para a prática da agricultura irrigada e gerou 3.275 postos directos de trabalho.

Recorde-se que o projecto Cafu consiste num sistema de captação e transferência de água do rio Cunene para várias povoações, através de um canal adutor com 160 km de extensão, ao longo dos quais foram construídas 30 chimpacas (locais para abeberamento do gado), com capacidade para 30 milhões de litros cada.

Huíla, Namibe e Cuanza-Sul

O director geral do Instituto Nacional de Recursos Hídricos afirmou que a província do Cunene não será a única a beneficiar de projectos virados para o combate aos efeitos da seca.

Manuel Quintino disse estarem contempladas, também, as províncias da Huíla, Namibe e Cuanza-Sul, mas esclareceu que os projectos criados para essas províncias não serão semelhantes ao do Cafu, no Cunene, pelo facto de não existirem aí rios com caudal permanente o ano todo.

Isso, referiu, impedirá que se faça a captação, uma vez que, para bombear, tem que se ter um curso de água permanente para, a partir dali, definir a quota, quantidade ou o volume que se vai retirar na unidade de tempo. "Não é possível replicar o Cafu, sobretudo no Namibe, porque aí não existem rios de caudal permanente", esclareceu.

Entretanto, Manuel Quintino admitiu que tal pode acontecer em outras regiões do país, onde existem zonas com caudal permanente, que permite a captação ou transferência do tipo Cafu.

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