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Calma regressa lentamente às principais ruas de Beni

O clima de contestação na cidade de Beni, no Leste da República Democrática do Congo (RDC), foi ontem, suspenso, depois do Exército ter fornecido um número gratuito para denunciar alegados membros dos grupos armados presentes na região, noticiou a Lusa.

07/12/2019  Última atualização 11H54
Dr © Fotografia por: A vida está a voltar à normalidade com os refugiados a regressarem às zonas de origem em Beni

Beni tenta recuperar de um período em que foi alvo de vários ataques, atribuídos ao grupo armado ugandês Forças Democráticas Aliadas, que matou mais de 100 pessoas no espaço de um mês.
A frequência destes grupos armados levou a uma onda de contestação contra o Exército e a missão das Nações Unidas, a Monusco, que resultou na morte de vários manifestantes.
De acordo com um relatório citado, na terça-feira, pela agência France-Press, cinco pessoas morreram nestas manifestações, em que os participantes acusavam as forças militares de “passividade”. Nesse sentido, para evitar novos casos de linchamento de soldados congoleses, as Forças Armadas lançaram uma linha para a denúncia de membros suspeitos das ADF.
“A partir de hoje, se vir um visitante nos bairros ou avenidas e não saiba quem ele é, cedemos um número gratuito para ajudá-lo”, anunciou o porta-voz do Exército congolês, o general Léon-Richard Kasonga.
“Poucos minutos depois de ligar para este número, uma equipa de intervenção irá até si para abordar o suspeito", acrescentou o responsável. O porta-voz referiu, também, que oito soldados foram severamente agredidos nos últimos três dias pela população, que julgava pertencerem às ADF.
A calma, relatada pela France-Press, foi restaurada, apesar de um novo apelo a uma greve por um grupo local. As lojas e mercados reabriram, após vários dias de “cidade morta”, e os táxis e motas voltaram às ruas.
O Exército congolês alega ter matado 80 membros das ADF nos últimos dias, incluindo quatro dos seis líderes, assim como a tomada de várias bases do grupo.

MSF abandona o terreno

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) abandonou uma zona afectada pelo vírus do ébola no Nordeste da RDC, depois dos ataques que mataram quatro funcionários da saúde que combatiam o surto na região.
“É o Ministério da Saúde que nos gere. Nós retirámos as nossas equipas de Biakato, província de Ituri, após a insegurança recente”, afirmaram fontes dos MSF, citados pela agência espanhola Efe.
A decisão surge depois da morte de quatro membros de equipas que combatiam o surto, a 27 de Novembro, durante dois ataques, conduzidos por homens armados, que causaram ainda ferimentos a vários civis.
Um dos ataques ocorreu num acampamento na cidade de Biakato e o outro num gabinete de coordenação de resposta ao ébola, em Mangina, na província de Kivu Norte.
Também em declarações à Efe, o coordenador-geral do Comité Nacional Multi-sectorial de Resposta ao ébola, Jean-Jacques Muyembe, atribuiu os ataques aos rebeldes Mai Mai.
Na quinta-feira, um grupo de indivíduos armados com catanas e paus tentou atacar o hospital de Biakato, onde os MSF operam um centro de tratamento.
Muyembe lamentou a decisão da organização e admitiu que é difícil conduzir trabalhos devido à insegurança na região, tendo apelado ao Governo para encarar com seriedade o problema.
A OMS comunicou, a 28 de Novembro, a suspensão das operações em Biakato, na sequência de ataques a centros de tratamento.
De acordo com a OMS, os ataques foram os piores sofridos este ano pelas unidades de saúde. As autoridades congolesas estimam que, no espaço de um mês, os ataques na região tenham provocado a morte de mais de 100 civis, entre crianças e adultos.
O controlo do vírus tem sido dificultado pela recusa de algumas comunidades em receber tratamento e pela insegurança verificada nas áreas afectadas.
Mais de cem grupos armados operam nas províncias de Ituri e Kivu Norte, sendo que os profissionais de saúde na região se tornam alvos fáceis dos ataques.

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