Reportagem

Cacuaco comemora 82 anos com desafios virados para a mudança

Avelino Umba|

Reza a história que Cacuaco é uma das comunidades mais antigas da província de Luanda. Ascendeu à categoria de vila no dia 24 de Junho de 1940, período em que foi instalada a Administração, segundo dados fornecidos por algumas entidades tradicionais locais.

27/06/2022  Última atualização 10H21
© Fotografia por: DR

Antes da sua ascensão à essa categoria, a localidade pertencia ao Conselho de Viana.
Hoje, passados todos estes anos, todos os desafios estão virados para a mudança.

Dois anos depois, as festas do município de Cacuaco voltam ao município, para celebrar, este ano, os 82 anos desde que ascendeu à categoria de vila, no dia 24 de Junho de 1940 e 6 anos desde que a 26 de Junho de 2016 no âmbito da desconcentração da província de Luanda foram criados os distritos urbanos.

A situação de emergência sanitária vivida no país e no mundo devido à Covid-19 não permitiu que fossem realizadas durante os últimos dois anos estas duas efemérides que quase coincidem em datas de comemoração.

Tradicionalmente, as festas de Cacuaco têm a duração de 15 dias, durante os quais, são mostrados em feiras as potencialidades turísticas, agrícolas e das pescas, assim como as variedades sociais e culturais do território, actualmente habitado por pessoas oriundas de várias regiões do país.

Para este ano foram programadas várias actividades, com realce para as recreativas, culturais, desportivas e religiosas para saudar, também, o dia do seu Padroeiro, Santo António (da Igreja Católica do Kifangondo) que se celebra todos os anos no dia 24 de Junho.

As barracas foram  montadas e preparadas ao longo de toda a orla marítima para receber os turistas e cidadãos que para lá se deslocaram.

As actividades recreativas tiveram início muito cedo com a realização de espectáculos musico-culturais no bairro Ponto 3, no Distrito do Sequele, numa parceria entre a Comissão Municipal e a Carbura Service. Uma missa campal para a celebração eucarística e uma procissão ao mar foi realizada no dia 24 de Junho, a partir das 9h00, na capela São João Baptista na Vila-sede de Cacuaco.

Já ao cair da tarde do mesmo dia houve um espectáculo musico-cultural com artistas de craveira para animar as festas na orla marítima.

No dia 25, teve lugar um desfile de carnaval, a partir das 10h00 na vila que contou com a presença de membros do Conselho da Administração, convidados e público em geral, enquanto a tarde  ficou reservada para uma prova de motocross no bairro Mayombe.

O programa incluiu ainda a realização de uma corrida de karts, que aconteceu ontem, 26, às 15 horas no Largo da Feira de Artesanato.    

Fazem parte também do leque de actividades, a realização de ginásticas para todos na orla marítima, uma partida de futebol onze de velhas glorias no Campo Kijila Maka (Domant).

Durante as festas são mostrados aos turistas o que o município tem de melhor e de atractivo, sobretudo os pontos turísticos, as potencialidades agrícolas e as pesca.

A maior parte das histórias que giram à volta das festas de Cacuaco está centrada no padroeiro São João Baptista, considerado pescador de almas.


ADÃO PACHECO
Administrador defende maior desconcentração administrativa


O administrador do Distrito Urbano de Cacuaco, "espelho” do município com o mesmo nome, Adão Pacheco Valentim, defende maior desconcentração administrativa para assegurar melhor prestação de serviços às populações.

Falando no âmbito das comemorações do 6º aniversário do surgimento do Distrito, Pacheco Valentim asse-

gurou que contrariamente ao passado, em que as receitas arrecadadas através das várias cobranças e serviços feitas localmente não iam para os cofres dos distritos, hoje, a situação mudou para melhor, já se pode resolver muitos problemas com estes valores.

"Se não fossem os valores das receitas comunitárias arrecadadas localmente não sei como nós conseguiríamos andar, porque dos Recursos Ordinários do Tesouro (ROTE) do Orçamento Geral do Estado às vezes só recebemos entre 300 a 400 mil kwanzas.

Felizmente, com a entrada em vigor do despacho do senhor administrador municipal, sobre as receitas vindas dos mercados, já temos vindo a resolver os problemas a nível do nosso Distrito como por exemplo o pagamento da Internet”, revelou.

Em função dessa abertura, encetada pelo administrador municipal, Auzídio Jacob,  Adão Pacheco espera que venha haver mais desconcentração administrativa, pois, ela vai permitir a realização de muito mais acções de âmbito local.

Questionado se o Mercado do Sabadão é um dos que aporta receitas à administração, Adão Pacheco disse que já não faz parte do Distrito de Cacuaco – Sede e há um processo a decorrer na PGR sobre o mesmo, lamentando o facto de ter perdido uma das suas maiores fontes de receitas, a favor do vizinho Distrito Urbano do Sequele, em função da ligeira mexida que se procedeu, passando do antigo local onde estava antes, para onde se localiza actualmente.

"Deixa-me dizer-vos que o Mercado do Sabadão já não faz parte de uma das nossas fontes de receitas, devido à alteração que se fez, mo-vendo-o do sítio onde fora implantado no primeiro momento para outro. Actualmente, a divisão entre a vila- sede de Cacuaco e o Sequele é justamente a estrada da antiga Universidade Metodista Unida na Caop. Todas as infra-estruturas sociais, económicas e de outra índole que se encontram na margem esquerda no sentido ascendente pertence ao Sequele. Com isso ele deixou de pertencer ao nosso Distrito e passou à tutela do Sequele”, explicou o administrador.

O administrador admitiu que para além do processo em curso na Procuradoria-Geral da República, aquele mercado encontra-se, também desactivado.

"Tudo quanto sei, esse mercado está desactivado há um bom tempo e também tenho conhecimento de que há um processo a decorrer na PGR por causa do mesmo”, disse.

A venda ambulante desordenada a nível da vila de Cacuaco é uma realidade, ao ponto desse fenómeno provocar inclusive grandes engarrafamentos que se estendem desde a zona da Ponte Azul até à ponte das antigas salinas, sobretudo no período da tarde.

Indagado a respeito disso, Adão Valentim reconheceu esse constrangimento, mas prometeu que a abertura das vias de acesso em obra vai permitir sanear o problema, na medida em que os vendedores serão coagidos a fazerem a sua actividade nos mercados construídos no interior dos bairros.


Augusto Panzo/Cacuaco


INFRA-ESTRUTURAS BÁSICAS
Rede escolar e sanitária entre os sectores que mais crescem


Cacuaco tem conhecido, nos últimos dois anos, avanços significativos na prestação de serviços de qualidade às po-pulações, com a extensão da rede escolar e sanitária ao interior do território, revelou, em declarações ao Jornal de Angola, a propósito dos 82 anos de existência da vila-sede, que se comemoram hoje, o administrador do Distrito Urbano de Cacuaco-sede.

Adão Pacheco Valentim lembrou que o Distrito Urbano de Cacuaco-sede dispõe de uma rede escolar constituída por 31 escolas, entre primárias, primeiro e segundo ciclos, liceus e tecnológicas, enquanto a saúde dispõe de seis unidades sanitárias, quatro postos de saúde, um Hospital Municipal e um Centro de Saúde de referência.

O governante salientou que o número de infra-estruturas sociais erguidas no Distrito ainda não é suficiente, mas reconheceu que já melhorou bastante, comparando com a situação de há dois anos, quando dispunha apenas de uma unidade sanitária, para atender um universo de mais de um milhão de habitantes.

Avançou que neste momento estão em construção no bairro Mayombe, mais duas unidades sanitárias, uma com capacidade para 180 camas, projecto de iniciativa do Ministério da Saúde, bem como o Centro de Saúde, que está a ser erguido com recursos próprios da Administração Municipal preste a ser inaugurado.

No âmbito do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), o Distrito Urbano de Cacuaco beneficiou de um Centro de Saúde de referência, inaugurado recentemente pela governadora de Luanda, Ana Paula de Carvalho, que dispõe de vários serviços essenciais como pediatria, medicina geral, maternidade, de apoio clínico e auxiliares, laboratório, ecografia, radiologia e morgue e equipado com tecnologia de última geração.

Adão Valentim garantiu que, numa primeira fase, vai funcionar com 60 técnicos e cinco médicos e vai atender, diariamente mais de 400 pacientes. No mesmo âmbito foi inaugurado, também, uma escola do I ciclo com sete salas de aulas no bairro Che Guevara.

 

Vias de comunicação

Ainda no âmbito do Plano Integrado e Intervenção nos Municípios (PIIM), decorrem, também, as obras de reabilitação de várias vias de comunicação, cujo projecto prevê ainda a colocação de iluminação pública, a construção e asfaltagem de ruas e a betonagem de uma estrada com 12 quilómetros.

Estão também em curso no Distrito, a reabilitação das estradas da ex-conduta que vai ligar o Caterpillar ao Kifangondo, no Norte do município e a que intercepta a Estrada Nacional Número 100 à barra do Bengo, cujas obras já estão na ordem dos 34 por cento de execução física.

Adão Pacheco Valentim fez saber que no âmbito das propostas do orçamento para o próximo ano económico (2023) foram elaborados ainda vários projectos, desde a construção de uma nova infra-estrutura da administração do Distrito Urbano de Cacuaco, já que a actual é improvisada e a reabilitação de algumas escolas, postos de saúde e vias de comunicação nos bairros 4 de Fevereiro e Nova Urbanização.

A emblemática Vala da Agosmil que vai dar ao mar está, nesse momento também a ser desassoreada e vai ser revestida com betão com vista a extinguir de uma vez por todas o problema de inundações nos bairros adjacentes.

 

Energia, água e saneamento básico

Quanto à questão de energia e água, o Distrito Urbano de Cacuaco-sede apresenta poucos problemas, pois de acordo com Adão Pacheco os projectos executados ao longo deste ano no sector permitiram a redução significativa dos constrangimentos que antes apresentava para os moradores do bairro Emanuel na Barra do Bengo.

E, relativamente ao saneamento básico, afirmou que desde que a empresa de limpeza Elisal ganhou o concurso público reconheceu que tem feito um trabalho excelente, com a nova metodologia de recolha de resíduos sólidos.

"Actualmente já não se encontram amontoados de lixos ao longo das artérias da vila e das principais vias dos bairros periféricos.

Lembrou, por outro lado, que para combater a proliferação de vendedores ambulantes nas ruas da vila-sede, na Estrada Nacional 100 foram colocadas algumas bancadas para a acomodação dos vendedores, mas reconhece que mesmo assim os ambulantes insistem em vender ao longo da referida via.

Afirmou que do estudo concluiu-se que os vendedores não comercializam os produtos nos bairros onde residem pelo facto de lá não existirem estradas, razão pela qual, logo que forem abertas as vias da Cerâmica Pedreira, Mulenvos, Embondeiro, o trânsito será desviado e os taxistas passarão pelos bairros dos Embondeiros e Eco Campo.

 

Actividade comercial

De acordo com o governante, o mercado que mais arrecada receita é o de peixe, o famoso Mundial, que chega a fazer oitocentos e cinquenta mil kwanzas (850.000 Kzs) por mês na época de chuva, sendo que este valor aumenta no cacimbo, época de maior captura do pescado.

Referindo-se à tradicional Festa de Cacuaco, acrescentou que há dois anos que não eram realizadas devido à pandemia da Covid-19, mas agora que os números de casos diminuíram consideravelmente, a Administração Municipal gizou um vasto programa para se comemorar o aniversário do município que coincide com o do Distrito Urbano de Cacuaco-sede.

O Distrito conta com cincos campos para a prática de futebol onze e de salão e a Administração no quadro do seu programa prevê reabilitar mais dois campos com vista à massificação do desporto.

Com 31 bairros, em termos de distribuição territorial não existem quarteirões, mas sim  sectores e cada bairro tem quatro ou cinco sectores.

De acordo com o censo populacional de 2018 o Distrito-sede de Cacuaco comporta mais de 238 mil habitantes e a maior parte dedica-se à agricultura, pesca e comércio precário.

 

Sobre o município

O município de Cacuaco dista a 18 quilómetros de Luanda e está administrativamente dividida pelos Distritos Urbanos do Cacuaco-sede, Kicolo, Mulenvos de Baixo, Sequele e comuna da Funda.

Está limitado a sul pelos  municípios de Viana e Cazenga, a oeste pelo Oceano Atlântico e município de Luanda  a norte e a leste pelo município do Dande, na província do Bengo. O município é atravessado de Norte a Sul pelo rio Bengo.

Segundo as projecções populacionais de 2018, elaboradas pelo Instituto nacional de Estatística, conta com uma população estimada em 1.237 477 habitantes e uma área territorial de 571 quilómetros quadrados, sendo o terceiro município mais populoso de Luanda.

O marco arquitectónico que define a localidade é o busto de António Moreira, o primeiro soba local, junto ao Mercado Municipal.

De acordo com um relatório da Administração local, existem no município mais de meia centena de unidades de produção industrial do ramo mineiro e alimentar, com um aumento notável de panificadoras e de fábricas de blocos.

As empresas  Cimangola, Vidrul, Coca-cola e a Induve são as principais unidades fabris do território.

No município pratica-se a pesca artesanal e a agricultura especialmente para a produção de mandioca, milho, tomate, cebola, beringela, couve entre outros legumes para o auto consumo e venda, principalmente nos mercados da Funda, Kifangondo e da Vidrul, em benefício da população do município e do resto da província de Luanda.

Quanto aos recursos pecuários, o município conta com aviários, gado bovino, ovino, caprino e suíno geridos por pequenos produtores e pessoas singulares.

O território era, também conhecido pela produção de sal em grandes quantidades, mas  as salinas foram desactivadas na sequência das inundações pelas águas do mar.


Maiomona Artur/Cacuaco

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