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Cacuaco com falta de institutos médios de construção civil

Avelino Umba|

O município de Cacuaco, um dos mais extensos da província de Luanda, precisa no mínimo de mais três institutos médios ou técnicos para atender a procura dos jovens interessados em terem uma formação académica diferenciada dos cursos de electricidade e construção civil ministrados no único Instituto Médio Politécnico que a localidade possui.

31/01/2019  Última atualização 11H33
Mota Ambrósio | Edições Novembro © Fotografia por: Estudantes obrigados a frequentar o liceu por falta de escolas técnicas ao nível do município

O director municipal da Educação em Cacuaco, Ma-teus Dala, disse ao Jornal de Angola que  o único instituto médio que o município possui lecciona apenas no período diurno, o que limita muito o sonho dos alunos que pretendem frequentar um outro curso médio na localidade onde vivem.
Com esta situação, prosseguiu,  a maioria dos alunos são obrigados a frequentar os liceus (antigos PUNIV) que no final do ciclo de formação não lhes conferem o grau de técnicos médios, por não terem uma formação específica para tal.
Segundo o director municipal da Educação, com a nova divisão administrativa, o Cacuaco perdeu 20 escolas para o município do Cazenga. E um dos exemplos é o Instituto Médio de Gestão do Kikolo que, anteriormente, pertencia ao Cacuaco e agora faz parte do Cazenga.
“Por isso, solicitamos às instituições de direito que olhem para esta grande ne-cessidade do município de Cacuaco e construam, pelo menos, uma escola técnica de saúde, Magistério Pri-mário, instituto médio de Economia e de Hotelaria e Turismo”, realçou o director municipal da Educação de Cacuaco.
Mateus Dala explicou que actualmente o município conta com 82 escolas, sendo  81  do ensino geral e um instituto médio técnico.
Informou  que nas referidas escolas foram matriculados 16.893 alunos para frequentar o presente ano lectivo, que começa no dia 1 de Fevereiro.
Dos alunos matriculados, 3.821 vagas foram disponibilizadas  para a 1.ª classe, 4.789 para a 7.ª classe e 6.979 para a 10.ª classe, as chamadas classes de entrada.
Para o responsável, os dados ilustram que o processo de matrículas correu sem sobressaltos.
De acordo com Mateus Dala, se for feita uma comparação com o número de alunos matriculados no ano passado, pode-se dizer que houve um aumento na ordem dos 20 por cento, e isso é satisfatório, porque se nota uma redução nas 15 mil crianças que se encontram fora do sistema de ensino.
Questionado sobre o porquê da existência de 15 mil crianças fora do sistema  de ensino, Mateus Dala disse que  se deve  à falta de salas de aula, em  função da extensão do município de Cacuaco, o número de escolas existentes não suporta todas  as crianças. “Por exemplo, num dos maiores bairros do município de Cacuaco,  o Belo Monte, existe apenas uma escola pública com seis salas de aula. Sendo assim, torna-se  difícil matricular todas as crianças que ali vivem”, explicou.
De acordo com o director da Educação, para todas as crianças do município estarem inseridas no sistema de ensino há necessidade de aumento de mais 30 escolas com 12 salas de aula cada, distribuídas pela circunscrição.
Informou, por exemplo, que algumas das escolas que o Cacuaco possui estão em zonas de difícil acesso, o que dificulta  os alunos em tempo de chuva.
Entre as dificuldades em algumas escolas, apontou  falta de carteiras, um mal que assola a maioria dos estabelecimentos de ensino, o que leva a que três alunos partilhem o mesmo assento, o que é não recocomendável. 
“Pensamos que para este ano lectivo a situação das carteiras  será ultrapassada, porque, desde o princípio do mês de Janeiro, começámos a receber secretárias novas. Mas apesar destas dificuldades, os professores sempre trabalharam com bravura e profissionalismo” acentuou Mateus Dala.
Em relação ao número de professores do município,  disse que existe um défice muito grande. Nesta altura, para o Cacuaco estar devidamente servido necessita  de, pelo menos, 1500 docentes  para todos os níveis de ensino geral.
“Mas vamos esperar pelos candidatos a professores que concorreram ao concurso público de ingresso de 2018. Estes vão poder mitigar a escassez destes quadros de que necessitamos muito”, referiu Mateus Dala.

Merenda escolar
O director municipal da Educação disse que as crianças desta localidade  beneficiam de merenda escolar, mas a prioridade recai para as escolas onde há alunos mais carenciados.Em relação à distribuição gratuita de livros escolares, informou que que  está salvaguardada.

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