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Cabo Verde perdeu quase 20 mil empregos

Cabo Verde perdeu quase 20.000 empregos em 2020, devido à crise económica provocada pela pandemia de Covid-19, e deverá criar menos de 7.000 este ano, segundo as últimas previsões do Governo.

01/08/2021  Última atualização 09H39
© Fotografia por: DR
De acordo com dados compilados pela Lusa, a partir dos documentos de suporte à proposta de lei do Orçamento Retificativo para 2021, que o parlamento discute e vota, o Governo estima agora a criação de 6.837 empregos líquidos, quando a meta inscrita no Orçamento do Estado ainda em vigor apontava para a criação de 10.328 este ano.

Segundo os mesmos documentos, Cabo Verde criou 11.344 empregos em 2019, mas, com o início da crise provocada pela pandemia de Covid-19, essencialmente pela redução de mais de 70% na procura turística pelo arquipélago, o Governo estima que se tenham perdido 19.718 empregos em 2020.

Cabo Verde fechou assim com uma taxa de desemprego de 14,5% em 2020 – 11,3% em 2019 -, contra a expectativa governamental de quase 20%, um resultado menos negativo explicado com os sucessivos períodos de ‘lay-off’, sobretudo abrangendo as empresas ligadas ao turismo, em que o trabalhador recebe 70% do salário, suportado em parte pela segurança social cabo-verdiana.

"Este instrumento [‘lay-off’] teve um grande impacto na atenuação do crescimento do desemprego em Cabo Verde”, reconheceu o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia, aquando da aprovação no parlamento, em 15 de Julho, da prorrogação do regime simplificado de suspensão dos contratos de trabalho até 30 de Setembro.

Segundo o governante, a crise no arquipélago, devido à ausência de turismo, "é maior do que se pensava”, justificando assim a proposta de Orçamento Retificativo para 2021, que o parlamento discute este mês.

"A crise é maior do que se pensava e obriga a novas contas”, afirmou já esta semana Olavo Correia, sobre a revisão do Orçamento do Estado para 2021, admitindo que a retoma, que o documento em vigor apontava, "não correu como esperado”.

"Os turistas não vieram. A arrecadação fiscal está abaixo do projectado. A economia cresceu menos do que o previsto. Os apoios às famílias e às empresas continuam necessários”, acrescentou.

O turismo representa cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, mas, depois de um recorde 819 mil turistas em 2019, as limitações às viagens internacionais, devido à pandemia de Covid-19, provocaram uma quebra na procura de 70%. No primeiro trimestre deste ano, o Arquipélago recebeu cerca de 12 mil turistas, sobretudo de Portugal, quando em igual período de 2020 tinham chegado quase 190 mil.

A proposta de revisão orçamental para este ano prevê desde logo a revisão em baixa do crescimento económico para de 3,0% a 5,5%. No Orçamento ainda em vigor, estava previsto um crescimento de 6,8% a 8,5% em 2021, cenário agora afectado pela demora na retoma da procura turística.

O Orçamento Retificativo está orçado em cerca de 78 mil milhões de escudos (707,4 milhões de euros), entre despesas e receitas, incluindo endividamento, um aumento de 0,1% na dotação inscrita no documento ainda em vigor.
Prevê agora um endividamento público de 23 mil milhões de escudos (cerca de 208 milhões de euros), com o Governo a estimar um ‘stock’ da dívida pública equivalente a 158,6% do PIB até final de 2021.

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