Mundo

Cabo Verde e Portugal cooperam na protecção e conservação do Tarrafal

Cabo Verde e Portugal assinaram ontem um protocolo para protecção e conservação do património cultural, com destaque para o antigo Campo de Concentração do Tarrafal, visando a candidatura a património mundial.

07/07/2021  Última atualização 08H25
O antigo Campo de Concetração do Tarrafal foi classificado Património Cultural Nacional © Fotografia por: DR
O memorando de entendimento foi assinado pelos ministros da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, Abraão Vicente, e da Cultura de Portugal, Graça Fonseca, no âmbito de uma visita oficial de dois dias que a governante portuguesa efectua ao arquipélago e aconteceu no antigo Campo de Concentração do Tarrafal, no norte da ilha de Santiago. 
Com a assinatura do documento, os dois países pretendem cooperar na protecção, conservação, salvaguarda e divulgação do património cultural, através de formação, capacitação técnica, partilha de conteúdos científicos, publicações, investigação, intercâmbio profissional, actividades científicas conjuntas. 

A ministra da Cultura portuguesa, Graça Fonseca, disse que o protocolo vai ajudar na elaboração da candidatura do antigo campo de concentração do Tarrafal a Património Material da Humanidade, feita em colaboração com o trabalho que o Governo português está a realizar na Fortaleza de Peniche. 

"São dois locais que têm uma história para contar, estamos a partilhar o trabalho, iniciamos em Portugal com todo o processo de musealização da Fortaleza de Peniche, agora Museu Nacional da Resistência", afirmou a ministra. 

O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, Abraão Vicente, disse que, depois da reabilitação concluída há quatro meses, o país dá início a uma nova etapa de preservação e valorização da memória colectiva e "nunca esteve tão perto" da entrega da candidatura do antigo campo de concentração do Tarrafal a Património da Humanidade. Acreditando que a candidatura tem todas as condições para ser "vitoriosa", Abraão Vicente disse que, além de Portugal, espera contar com "total engajamento" de Angola, Guiné-Bissau, Moçambique, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe. 

O ministro afirmou que o país pretende entregar a candidatura na próxima data disponibilizada pela UNESCO, esperando que seja no próximo ano, mas explicou que o Governo tem toda a legislatura de cinco anos que iniciou em Abril para o fazer. "O objectivo traçado é neste mandato entregar o dossier de candidatura do campo de concentração", garantiu o titular da pasta da Cultura, indicando que será juntamente com o dossier da tabanca. 

Situado na localidade de Chão Bom, o antigo Campo de Concentração do Tarrafal foi construído em 1936 e recebeu os primeiros 152 presos políticos em 29 de Outubro do mesmo ano, tendo funcionado até 1956. Reabriu em 1962, com o nome de "Campo de Trabalho de Chão Bom", destinado a encarcerar os anticolonialistas de Angola, Guiné-Bissau e Cabo Verde. 

Após a desactivação, o complexo funcionou como centro de instrução militar e desde 2000 alberga o Museu da Resistência. O espaço foi classificado Património Cultural Nacional em 2004 e integra a lista indicativa de Cabo Verde a património da UNESCO.Ao todo, foram presas neste "campo da morte lenta" mais de 500 pessoas: 340 antifascistas e 230 anticolonialistas.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Mundo