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Cabo Verde deve diversificar economia além do turismo

A economista da ONU que segue as economias lusófonas africanas disse hoje que a economia de Cabo Verde está a recuperar da pandemia, salientando a necessidade de diversificar as fontes de receitas fiscais.

16/01/2022  Última atualização 09H45
© Fotografia por: DR

"Cabo Verde deverá crescer 5% este ano, contando com um levantamento progressivo das restrições às viagens, maior vacinação a nível global, mas também contando com o crescimento de outras exportações, em linha com o crescimento da procura de parceiros europeus e recuperação em sectores como agricultura, construção e transportes.

 No entanto, não será suficiente para chegar ao nível de 2019 devido à enorme recessão de quase 15% em 2020 e crescimento de apenas 3,8% em 2021", disse a economista Helena Afonso, do Departamento das Nações Unidas para Assuntos Económicos e Sociais (UNDESA).

Em entrevista à agência Lusa na sequência da divulgação do relatório sobre a Situação e Perspectivas Económicas Mundiais deste ano, na quinta-feira, Helena Afonso afirmou que "com uma dívida pública acima de 150% do PIB, o crescimento será importante para manter a sustentabilidade da dívida, mas é importante mitigar os efeitos económicos e sociais da pandemia e, a médio prazo, diversificar a economia para lá do turismo e gerar receitas de mais fontes".

Cabo Verde está a assistir ao regresso dos turistas, mas ainda assim "a um nível muito abaixo de antes da pandemia", o que é especialmente preocupante para um país que tinha, em 2019, cerca de 40% do PIB dependente do turismo.

"O setor é um dos pilares da economia, valia 40% em 2019, agora vale 25%, e está numa recuperação lenta e incerta, com progressos na vacinação, com quase metade da população completa, e isso é muito encorajador porque está claramente acima da média em África", diz Helena Afonso, acrescentando, ainda assim, que "a variante Ómicron trouxe um aumento de casos e atrasou a recuperação do turismo e de outros sectores, pelo que a recuperação económica é incerta, até porque não se pode excluir a possibilidade de surgirem novas variantes em 2022".

O UNDESA melhorou na quinta-feira a estimativa de crescimento para as economias africanas, antevendo uma expansão de 3,8% no ano passado e uma aceleração para 4% este ano.

"A actividade económica em África continua a recuperar dos eventos sem precedentes de 2020, mas a um ritmo frágil, com a previsão de crescimento a ser marcada pela elevada incerteza e exposição a repetidas vagas de infecção por covid-19, como se viu recentemente com a variante Ómicron", escrevem os analistas do UNDESA.

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