Cultura

Cabinda possui 22 monumentos históricos

Alberto Coelho | Cabinda

Jornalista

A província de Cabinda possui, actualmente, 22 monumentos e sítios classificados como património histórico-cultural nacionais e outros 84, já inventariados, remetidos ao Ministério da Cultura, Ambiente e Turismo (MCTA) para figurarem na lista de bens patrimoniais, no contexto da identidade cultural angolana.

18/04/2022  Última atualização 09H45
© Fotografia por: DR

Na lista dos 22 bens classificados pelo MCTA consta, dentre outros, o local de concentração e embarque de Escravos (Malembo), o Cemitério dos Nobre (Mbuku-Mbuadi), o marco histórico do Tratado de Simulambuco,  local onde foi assinado, em 1885, um acordo entre os príncipes de Cabinda e os reis de Portugal, a Igreja São Tiago Maior de Lândana, primeiro património cultural reconhecido a nível da província de Cabinda, em 1959, os Tratados de Chinfuma e Tchicamba e vários edifícios de estilo Holandês, incluindo o Palácio do Governo Provincial.

Em declarações ao Jornal de Angola, o secretário provincial da Cultura, Ernesto  Barros André, disse que das 84 propostas remetidas à consideração do MCTA para reconhecimento como património nacional, o destaque vai para os Bakama, uma organização secreta e sincrética que faz parte da vida dos Cabindas e dos seus nativos.

"Trabalhamos afincadamente para que os Bakama sejam reconhecidos como património nacional. Neste momento, já formalizamos tudo que é necessário junto do Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente e estamos à espera do despacho que considera os Bakama como património nacional”, sublinhou.

Para Ernesto  Barros André, a classificação desses bens patrimoniais visa, sobretudo, valorizar, preservar e divulgar a importância histórica dos referidos locais, no contexto da identidade cultural angolana, tendo acrescentado que os locais ora identificados são de interesse turístico que servem para descobrir a nossa própria história e levar o sector a contribuir significativamente para a economia do país, através do turismo cultural.

"O turismo cultural foi uma das grandes apostas do sector. Quando qualificarmos esses locais e revermos o nosso património cultural, permitir-nos-á elaborar catálogos sobre os monumentos e sítios históricos colocando-os em hotéis, serviços administrativos, portos, aeroportos, etc, para que os  visitantes possam ter conhecimentos antecipados desses locais.”

Sítios históricos sobre a luta de libertação nacional

A  província de Cabinda, afirmou Ernesto  Barros André, identificou seis locais históricos que contribuíram na luta de libertação nacional, iniciada a 4 de Fevereiro de 1961, para serem reconhecidos como património cultural nacional.

O secretário provincial da Cultura disse que dos locais inventariados de maior impacto na luta de libertação nacional, destacam-se a localidade de Macamanzila, onde, em 1961, um grupo de  cidadãos nacionais destemidos, munidos de meios rudimentares como paus, catanas e espingardas de fabrico caseiro, atacaram posições militares das tropas portuguesas, bem como a "Curva dos Mortos”, no município de Buco-Zau, onde se registou o primeiro ataque dos combatentes angolanos contra os portugueses a nível da Segunda Região militar, em 1964.

Destacou, igualmente, a "Curva das Pedras”, onde foi morto, nos anos 1970, o médico militar português, filho do então governador ultramarino de Angola; a zona de convergência de Chimbeti, onde decorreram várias batalhas entre as tropas coloniais e os combatentes da luta de libertação nacional, e o quartel atípico do exército português, localizado no Miconje Velho.

A localidade de Ntó, onde se desenrolou a famosa "Batalha de Ntó”, a 8 de Novembro de 1975, quando o exército do ex-Zaíre, acompanhado de mercenários franceses e da FLEC tentou invadir e ocupar Cabinda para programar a independência do território e inviabilizar a independência nacional, no dia 11 de Novembro de 1975.

"São locais de interesse histórico cultural. Com o desenvolvimento do turismo cultural, precisamos passar a mensagem da nossa memória colectiva e permitir às pessoas contemplarem ‘in situ’ a nossa história.”

 

 

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Cultura