Sociedade

Cabinda: Obras do PIIM caminham em ritmo lento em Cacongo

Dos seis projectos aprovados, avaliados em mais de mil milhões de kwanzas, no âmbito do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), apenas um, de construção e ampliação da escola primária Spel Tendele, está a ser executado no bairro 1º de Maio, município de Cacongo, província de Cabinda.

09/12/2020  Última atualização 22H40
PIIM pevê a construção de um sistema de abastecimento de água na sede comunal de Malembo © Fotografia por: DR
Outros projectos, de construção do sistema de abastecimento de água na sede comunal de Malembo, mercado do peixe, rede de iluminação pública, construção e apetrechamento de uma escola de 12 salas de aula para albergar alunos do segundo ciclo do ensino secundário, bem como de aquisição de meios e equipamentos para o saneamento básico e operações de manutenção das vias terciárias, continuam "presos no papel”.
A administradora de Cacongo, Marta Beatriz, disse, ao Jornal de Angola, que o único projecto em execução, no município, está avaliado em 353 milhões 605 mil e 875 kwanzas. 
O nível de execução física da obra, a cargo da empreiteira Tecno Casa, é de cerca de 20 por cento, e contempla a construção de um campo polidesportivo, balneários, parque infantil, campo de futebol e muro de vedação, além da construção de mais 12 salas de aula, totalizando 24, para aumentar a sua capacidade de 1.300 para 2.600 alunos.
Marta Beatriz adiantou que as demais obras consignadas no PIIM, para o município de Cacongo, já beneficiaram de pagamentos na ordem dos 15 por cento do seu valor aprovado. Sublinhou que as obras de construção do mercado do peixe ainda não arrancaram, por questões técnicas. 
Quanto ao projecto de iluminação pública, esclareceu que já foram pagos 15 por cento do valor global, e que, neste momento, a empresa aquém foi adjudicada a obra, trabalha na criação das condições materiais necessárias para o início da empreitada.
 "O projecto de construção do sistema de água de Massábi ainda não começou a ser executado, assim como da escola do segundo ciclo. A obra está condicionada ao local onde deverá ser erguida. E, a aquisição de material de saneamento ainda não se efectivou”, explicou.
 Ainda no âmbito do PIIM, Cacongo vai beneficiar da construçăo de 300 moradias sociais e 120 apartamentos. O objectivo é requalificar a antiga vila Guilherme Capelo e melhorar as condições de habitabilidade dos munícipes.
 De acordo com a administradora de Cacongo, caso os projectos consignados no PIIM sejam todos implementados, irão trazer uma mais-valia para o município, na medida em que vai impulsionar o desenvolvimento da localidade, bem como intervir de forma directa e significativa na melhoria das condições de vida das populações.
 À margem do PIIM, outros projectos são desenvolvidos no quadro do Programa de Desenvolvimento Local (PDL) que visa a melhoria das condições socioeconómicas de Cacongo, nas áreas da Saúde, Educação, vias de acesso, distribuição de água potável e energia eléctrica.
O problema da água, segundo a administradora Marta Beatriz, poderá ser resolvido em definitivo, com a entrada em funcionamento, para breve, do sistema de produção de Sassa-Zau, que vai atender mais de 600 mil habitantes dos municípios de Cabinda e Cacongo. 
Neste momento, disse, decorre o processo de cadastramento dos potenciais consumidores, para a instalação de contadores e torneiras nas residências dos interessados. Quanto à energia eléctrica, afirmou que está na forja a instalação de duas centrais térmicas nas sedes comunais de Massábi e Dinge, além da central térmica de Malembo, para minimizar o fornecimento.
Nos  sectores de Educação e Saúde, Marta Beatriz destacou a construção de novas infra-estruturas escolares, que estão a conferir uma maior capacidade de absorção de alunos no sistema de ensino, e do novo hospital municipal, com capacidade para 70 camas, e vários postos de saúde.
 "Os valores alocados servem, basicamente, para resolver os principais problemas da população, no âmbito social. No interior do município, temos poucos recursos humanos no sector da saúde. Isso nos cria sérios constrangimentos no atendimento à população”, deplorou.
Na Educação, o município controla 49 escolas, que albergam um total de 12.560 alunos matriculados em diversos níveis de ensino, no presente ano lectivo. 
As aulas são administradas por 408 professores.  Em relação às operações de reabertura e manutenção das vias de acesso,  a administradora de Cacongo lamenta a exiguidade dos recursos financeiros para esse fim, na medida em que o valor de 268 milhões, destinados à aquisição de meios e equipamentos para o saneamento básico, é insuficiente para as necessidades do município.
Apesar disso, Marta Beatriz garante que estão em curso várias acções de reabertura de algumas vias de acesso, para facilitar a circulação de pessoas e bens, e assegurar o escoamento dos produtos do campo para as áreas de venda.  
Potencialidades agrícolas
Com uma superfície territorial de cerca de 1.763 quilómetros quadrados, e uma população estimada em 39.076 habitantes, Cacongo é um dos quatro municípios da província de Cabinda, cuja actividade principal se resume na agricultura, pesca e pecuária.
 Na província, é o maior produtor de banana, cuja produção se estima em mais de 200 toneladas por semana. Pela falta de compradores e infra-estruturas de processamento na província, a cidade de Ponta-Negra, na República do Congo Brazzaville, tornou-se no principal mercado de exportação do produto.
Uma fonte da Administração Geral Tributária (AGT) no posto fronteiriço de Massábi disse, ao Jornal de Angola, que mais de 20 toneladas de banana atravessam diariamente a fronteira nacional, com destino ao país vizinho. A administradora de Cacongo lamentou o facto de no processo de comercialização, o produtor angolano sair sempre a perder, porque são os congoleses que determinam o preço da venda da banana.
 Para contornar a situação, Marta Beatriz defende a instalação de pequenas unidades de processamento da banana, no município, para ajudar os produtores e valorizar a produção nacional. "A nossa esperança reside na concretização do projecto, no sector da Agricultura, referente ao sistema da cadeia de valores, que consiste na implementação de infra-estruturas de processamento da banana, na nossa província”, referiu.
Para demonstrar as potencialidades agrícolas do município, realizou-se, recentemente, a primeira Feira Agropecuária e Pescas, que teve a duração de três dias e contou com a participação de mais de 200 expositores, entre cooperativas agrícolas, associações de camponeses e pequenos agricultores de banana, mandioca, ginguba e dendém, criadores de gado bovino, caprino e suíno, pescadores e outros, cuja actividade contribui no fortalecimento da produção familiar.
Sob o lema "Fomentar o agro-negócio para impulsionar a nossa economia”, a Feira Agropecuária e Pescas visou, sobretudo, facilitar o escoamento massivo de produtos das zonas rurais, promover o empreendedorismo e estabelecer trocas de experiência entre os produtores locais.
O governador de Cabinda, Marcos Alexandre Nhunga, que visitou a feira, garantiu, na ocasião, o apoio incondicional do Governo aos camponeses da região, no processo de escoamento de alimentos agrícolas das zonas de produção para as áreas de venda, bem como criar condições de processamento dos mesmos, com a instalação de pequenas unidades de transformação, para compensar os esforços dos agricultores, evitando que os produtos se estraguem.
Marcos Nhunga apelou aos empresários no sentido de intervirem na compra, conservação e processamento dos excedentes da produção de mandioca, banana, dendém, ginguba, e de outros alimentos, para motivar os camponeses a participarem cada vez mais no processo de produção nacional, evitando a importação de bens alimentares que podem ser produzidos localmente, no quadro das acções que intervêm na cadeia alimentar da província.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Sociedade