Cultura

Cabinda: Morte de Vicente Manguebele enluta comunidade do Tchizo

Bernardo Capita | Cabinda

Jornalista

As populações do Tchizo, em Cabinda, continuam a chorar a morte da autoridade tradicional e chefe máximo dos Bakama, Vicente Manguebele, uma referência daquela comunidade, ocorrida, domingo, aos 77 anos, vítima de doença.

21/09/2022  Última atualização 07H05
Vicente Manguebele foi uma autoridade tradicional do Tchizo © Fotografia por: José Soares | Edições Novembro | Cabinda

De acordo com o programa das exéquias, o malogrado vai a enterrar no próximo domingo, 25, num cemitério nos arredores do Tchizo, onde está sepultado o seu pai Ndjimbi Nkonko, antecedido dos rituais do "Zinpunzi”, exibição dos Bakama e a dança folclórica "mayeye”.

Em declarações, ontem, ao Jornal de Angola, o sobrinho do malogrado Manuel Morais Lola destacou que o seu tio foi uma referência incontornável do "bastião do poder tradicional dos povos autóctones da região Centro e Sul de Cabinda”. Razão pela qual, referiu, além de ter sido considerado "um sacerdote tradicional”, foi também a autoridade tradicional que detinha a responsabilidade de efectuar as cerimónias ligadas às bênçãos tradicionais a nível do município sede de Cabinda. "A cultura local perde uma grande referência da cultura da região que detinha muita experiência sobre a cultura dos Bakama”, destacou.

Vicente Manguebele, disse, foi o primeiro sacerdote tradicional de Cabinda designado por "Ntombe Si”, para quem a sucessão não será difícil, porque enquanto em vida "foi transmitindo a sua experiência às pessoas mais próximas”, garantiu.

O sobrinho afirmou estar garantida a continuidade do seu trabalho, por ter conseguido transmitir o legado às novas gerações. "Ele preparou homens, trabalhou com os filhos, sobrinhos e netos para serem os seus sucessores”, detalhou  Manuel Morais Lola.

No seu entendimento sobre assuntos tradicionais, o nome de Vicente Manguebele ficará gravado nos anais de uma futura história da cultura dos Bakamas, que necessária e obrigatoriamente terá de ser redigida, em prol da identidade cultural do país.

Vicente Manguebele sucedeu o seu pai, Ndjimbi Nkonko, falecido em 1986, aos 92 anos. O cargo será assumido por um familiar directo da mesma linhagem, ou seja, por um filho ou sobrinho, filho de uma irmã, baseando-se no princípio de sucessão matriarcal.


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