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cabinda: Cidadãos levantam dúvidas sobre a existência da doença

Cidadãos em Cabinda duvidam da existência de casos positivos da Covid-19 na região, onde 250 pessoas já foram infectadas e uma morreu vítima da pandemia.

29/10/2020  Última atualização 11H25
À reportagem do Jornal de Angola, os cidadãos justificam a sua posição com o facto de os casos positivos não serem apresentados publicamente, no sentido de despertar a sociedade sobre os perigos da doença.
Por isso, em determinados bairros, mercados, escolas, instituições bancárias e bares é visível o ajuntamento de pessoas sem máscaras e, muito menos, preocupadas com a lavagem das mãos com água e sabão e a higienização com álcool em gel.

Os casos mais evidentes de incumprimento das medidas de biossegurança são visíveis nos dois principais mercados da cidade de Cabinda, nomeadamente, São Pedro e Cabassango, onde facilmente se observa a falta de distanciamento físico, inexistência de recipientes adaptados com torneiras com água para a higienização das mãos, vendedores sem máscaras ou usando de forma incorrecta.
Na Praia dos Pescadores, na Baixa de Cabinda, é um autêntico "Deus nos acuda”. O local serve de principal centro de venda de peixe e atracagem de embarcações provenientes da vila petrolífera do Soyo, com mercadorias diversas, pessoas e pescado, tornando-o no epicentro de contágio da Covid-19.

Alunos do ensino secundário e estudantes universitários apenas fazem o uso da máscara no recinto escolar. Quando estão na via pública a retiram sob pretexto de que dificulta a respiração.       
Para Maria Sambo, 18 anos, o novo coronavírus não existe e considera duvidosos os números de casos na província de Cabinda. Segundo ela, a Secretaria Provincial da Saúde devia expor publicamente as pessoas infectadas pela Covid-19.

"O novo coronavírus não existe, porque não há provas. As pessoas não estão a ver ou a constatar os doentes infectados com o vírus. Penso que o Ministério da Saúde deve mostrar os doentes infectados, só assim a população estará convicta que o novo coronavírus realmente existe”, defendeu.
Carlos Sílvio, 18 anos, estudante da 12ª classe, também é da opinião de que a  Covid-19 não existe na província de Cabinda. "Não sei explicar se existe ou não, mas não acredito que existe esta pandemia na região”, disse.
Alfredo Muanda, 37 anos, também tem dúvidas sobre a existência do vírus em Cabinda. "Tenho muitas dúvidas, porque muita gente não acredita no vírus”, disse.

Opinião diferente

Heldânio Graciano, 18 anos, afirmou que, apesar de ter dúvidas sobre a existência do novo coronavírus, o uso de máscara é importante para evitar o contágio da pandemia no seio da população.
Maria Soto Mavango, 14 anos, aluna da 8ª classe, aconselha as pessoas a usarem a máscara para se protegerem da Covid-19. "O não uso da máscara é um perigo para a sociedade, porque em qualquer lugar podemos nos infectar com o vírus. As pessoas devem ter mais cuidado e manterem a higiene onde estiverem”, aconselhou.

Romeu Conde, 22 anos, também concorda que as pessoas devem usar a máscara para se protegerem da doença. "Devemos usar a máscara. Quem não acredita no vírus, deve ter maior cuidado, porque pode contaminar facilmente outras pessoas”, alertou.
Ernestina Lando, 38 anos, apela às pessoas a usarem a máscara para evitar o aumento constante de casos positivos da Covid-19 na província de Cabinda. "Devemos acreditar na existência deste vírus, porque estamos a acompanhar as mortes e o aumento de casos positivos em todo o país”, concluiu.

Atitude irresponsável

O governador de Cabinda considera que o surgimento de novos casos na província resulta da "atitude irresponsável” de muitos cidadãos que teimosamente continuam a ignorar os apelos das autoridades sanitárias para o cumprimento das medidas de biossegurança, como o uso correcto da máscara, lavagem das mãos com água e sabão e a higienização com álcool em gel.

"A província de Cabinda tem estado a registar, quase que diariamente, casos positivos da Covid-19. Infelizmente, muitos cidadãos têm ignorado as medidas de prevenção”, lamentou, acrescentando que a mobilização da população é fundamental para inverter o gráfico epidemiológico na província.

Marcos Nhunga exortou os membros do Governo da Província, sobretudo os administradores municipais, a trabalharem com as autoridades tradicionais no sentido de promoverem acções de sensibilização no seio da população.
O governador disse também ser necessário que a população cumpra com as medidas previstas no novo Decreto Presidencial, evitando os ajuntamentos na via pública, festas, entre outros convívios, por serem principais focos de contágio da Covid-19.

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