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Burkina Faso excluida da reunião em Bruxelas

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, discutiu. quinta-feira (27). em Bruxelas. a “situação muito preocupante” no Sahel com os ministros dos Negócios Estrangeiros de quatro países da região e bilateralmente, face aos desacordos sobre a participação do Burkina Faso no encontro.

28/01/2022  Última atualização 07H00
Militares golpistas enfrentam ameaça de sanções da União Europeia e de países da CEDEAO © Fotografia por: DR
"Recebi em Bruxelas os ministros dos Negócios Estrangeiros do Mali, Mauritânia, Níger e Chade. Devido a uma falta de acordo entre os países do Sahel sobre os participantes na reunião ministerial, a Presidência do Chade, após consultar os seus homólogos, e em acordo connosco, decidiu adiar a reunião para quando as condições estiverem reunidas”, explicou o alto representante da UE para a Política Externa e de Segurança, numa declaração à imprensa sem espaço para perguntas.

Borrell indicou que, "em contrapartida”, manteve "encontros bilaterais, a fim de ter discussões com cada um dos interlocutores” dos países do G5 Sahel, com excepção do Burkina Faso, palco de um golpe militar na segunda-feira, e que era suposto estar representado no encontro ministerial de ontem entre a UE-G5 Sahel, representado pela sua embaixadora.

"Esta série de encontros permitiu fazer um ponto da situação, muito preocupante, no Sahel, e sobretudo dos últimos desenvolvimentos no Burkina Faso e no Mali, bem como sobre a extensão de ameaça de conflitos aos países vizinhos”, disse o dirigente espanhol. "Para cada um dos meus interlocutores, a minha mensagem foi - espero-o - muito clara: a União Europeia mantém o compromisso com o Sahel, a UE é um parceiro fiável e de longa duração. As populações têm necessidades urgentes a nível de segurança, ajuda humanitária e perspectivas sociais e económicas”.

Advertindo que "a impaciência aumenta” junto das populações "e essa fragilidade alimenta os movimentos terroristas”, o Alto Representante sublinhou que "o apoio externo não basta”, recordando que "a primeira responsabilidade cabe às autoridades dos países do Sahel”, pois são estas que devem "dar respostas aos seus cidadãos, fornecendo-lhes serviços públicos no conjunto do território”.

Borrell mencionou aqueles que são actualmente os dois maiores focos de preocupação na região do Sahel, o Mali e o Burkina Faso. "Em linha com as declarações da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental [CEDEAO], sublinhei a nossa grande preocupação face à presença de mercenários russos no Mali e os graves riscos que tal representa para a população civil. Os métodos desses grupos são incompatíveis com os nossos esforços colectivos em prol da segurança e do desenvolvimento”, começou por dizer. O Alto Representante revelou ter dito ao ministro dos Negócios Estrangeiros maliano, Abdoulaye Diop, que "a UE deseja continuar comprometida com o Mali e o Sahel, mas não a qualquer preço”.
 A cronologia de uma rendição
O Presidente deposto do Burkina Faso, Roch Marc Christian Kaboré, "está fisicamente bem” e detido pelo Exército numa vila, disse, ontem, uma fonte do seu partido. A fonte que havia narrado anteriormente as circunstâncias em que o Presidente foi forçado a deixar o poder não pôde, no entanto, dizer nada sobre o seu estado de espírito, mas disse que "ele tem um médico à sua disposição”, revelou a fonte do Movimento Popular para o Progresso. "Foi ele quem escreveu a carta de demissão publicada pela televisão nacional, mas não posso dizer em que condições o fez”, acrescentou a mesma fonte.

Segundo a mesma fonte, "Kaboré não foi preso nas primeiras horas da acção dos soldados amotinados. A sua residência particular foi isolada pelos amotinados e foi necessário que a sua guarda usasse uma estratégia para o retirar de lá no interior de um veículo sem identificação para o colocar em um lugar seguro”.

A fonte acrescentou: "Ele não estava na caravana automóvel crivada de balas” e da qual três veículos foram vistos na manhã de segunda-feira por um jornalista da AFP. Eram os carros dos seus seguranças que conseguiram iludir a vigilância dos amotinados”.

Ainda de acordo com a mesma fonte, só mais tarde, "sob pressão dos amotinados, é que os seus guardas - notadamente gendarmes - tiveram que deixá-lo nas mãos dos golpistas. Neste momento, além do ex-Presidente Kaboré, encontram-se igualmente detidos e nas mãos dos militares o Primeiro-Ministro Lassina Zerbo e outros membros do Executivo que na altura do golpe estavam na sede do Governo. Os restantes, que estão em liberdade, estão impedidos de sair do país.

A CEDEAO realiza hoje uma cimeira extraordinária em formato virtual, para discutir a crise no Burkina Faso, na sequência do golpe militar que derrubou o Presidente Roch Kaboré. A organização, de que o Burkina Faso é um Estado-membro, condenou na segunda-feira a tomada do poder por oficiais do Exército, que mantêm detido o Chefe de Estado.

 


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