Mundo

Burkina Faso: Ex-líder da Junta Militar formaliza a demissão

Sob pressão de parte do Exército e após 48 horas de distúrbios, o tenente-coronel Paul-Henri Sandaogo Damiba resolveu, este domingo, finalmente, renunciar às funções como presidente da transição.

03/10/2022  Última atualização 06H00
Damiba aceita entregar o poder © Fotografia por: DR

De acordo com a Reuters, que cita uma fonte militar, o documento foi assinado no início da manhã de ontem na base aérea de Ouagadougou.

Chegado ao topo do Estado pelas armas, após derrubar o Presidente Roch Marc Christian Kaboré, Damiba permaneceu no poder por pouco mais de oito meses. O capitão Ibrahim Traoré, chefe do 10º Regimento de Comando de Apoio (10º RCAS), com sede em Kaya, sucede-o à frente do Movimento Patriótico de Salvaguarda e Restauro (MPSR).

Ontem de manhã, grande parte do Exército acabou por apoiar a unidade Cobra, que esteve na origem do motim, deixando Damiba sem escolha a não ser aceitar a derrota, apesar de até à última hora terem decorrido conversações mediadas pelo clérigo Mogho Naaba, um dos líderes tradicionais mais influentes do país, para que fosse ainda possível um entendimento.

No sábado, Damiba utilizou a sua página do Facebook da Presidência, para pedir aos golpistas que evitassem uma "guerra fratricida que o Burkina Faso não precisa neste contexto”. Afirmando que não havia deixado o poder, negou formalmente ter se refugiado na base francesa de Kamboinsin. "É apenas uma embriaguez manipular a opinião pública”, acrescentou, respondendo assim às acusações dos golpistas que, em discurso televisionado, afirmaram que ele "planeou uma contra-ofensiva a partir de uma "base francesa” perto de Ouagadougou.

Paris rapidamente negou que isso estivesse planeado, mas não impediu os manifestantes de atacar a Embaixada da França em Ouagadougou e o Instituto Francês em Bobo-Dioulasso. Poucas horas depois, na noite de sábado para domingo, o capitão Traoré tentou acalmar as coisas.

A França condenou "com a maior veemência”, os ataques contra a sua Embaixada no Burkina Faso, indicando que "a segurança dos seus compatriotas” é a "prioridade”, após um novo golpe de Estado naquele país. "Condenamos a violência contra a nossa Embaixada, com a maior veemência”, afirmou à AFP a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês, Anne-Claire Legendre, acrescentando haver "equipas mobilizadas para garantir a segurança” dos cidadãos franceses. "É a nossa prioridade”, disse.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Mundo