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Buco-Zau contemplado com mais projectos sociais

Bernardo Capita|Cabinda

Jornalista

A governadora da província de Cabinda, Mara Quiosa, prometeu, para breve, a construção de vários equipamentos sociais no município do Buco-Zau, no âmbito do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM, para melhorar a qualidade de vida da população.

12/11/2022  Última atualização 12H00
Aumento de salas de aula e reabilitação das vias de acesso estão entre as prioridades © Fotografia por: José Soares| Edições Novembro
Mara Quiosa, que visitou há dias aquele município madeireiro, localizado a cerca de 120 quilómetros a norte de Cabinda, para se inteirar sobre os principais problemas, prometeu, também, prestar maior atenção aos projectos sociais que vão ser implementados, "para diminuir as dificuldades que continuam a condicionar o bem-estar dos cidadãos”.

Segundo a governadora Mara Quiosa, dar-se-á prioridade à construção de um sistema de tratamento de água (ETA) na sede municipal, ao aumento de salas de aula e à reabilitação de vias de acesso para facilitar o escoamento de produtos do campo para as zonas de maior consumo e de comercialização.

Dados disponíveis dão conta que os habitantes do município consomem água proveniente da bacia hidrográfica do Luali, onde os garimpeiros de ouro fazem a lavagem de cascais do referido mineiro, que extraem no mesmo rio, fazendo com que a água fique com cor estranha.

A governadora Mara Quiosa disse ser urgente a construção de um sistema de tratamento de água na localidade e defendeu a necessidade de se encontrar um outro rio que possa servir de fonte de captação, para o abastecimento de água à sede do município e a outros projectos habitacionais que estão a surgir.

"A solução do problema é construir um sistema de tratamento de água no Buco-Zau, porque o antigo já não permite que a água esteja em condições para o consumo humano, devido ao excesso de detritos que absorve, resultante do processo de lavagem de ouro”, disse a governadora.

 

Danos ambientais

O administrador do município de Buco-Zau, Óscar Dilo, também, reconheceu que os habitantes da circunscrição consomem água impura, devido aos danos ambientais causados à bacia hidrográfica do Luali, principal fonte de abastecimento de água.

" Estamos preocupados. A população está a consumir água de baixa qualidade, devido à exploração e lavagem de ouro ao longo da zona ribeirinha”, alertou.

Acrescentou que a extração e o garimpo de ouro no rio Luali tem estado a alterar as características da principal fonte hídrica do município, afetando o ecossistema aquático, tornando impossível a pesca, o consumo de água, banho e outros afazeres domésticos.

"Os danos ambientais à bacia hidrográfica do Luali resultam, sobretudo, da exploração e lavagem de ouro, que é feita no rio, por empresas e garimpeiros”, lembrou.

O administrador disse ser urgente a construção de uma ETA no município, porque a única existente é muito velha e não tem capacidade de suportar a procura, tendo em conta a densidade populacional. 

Segundo o administrador, o município de Buco-Zau, de acordo com o Censo Populacional de 2014, tem cerca de oito mil habitantes, o que supera as capacidades da ETA.

Óscar Dilo apresentou, também, à governadora, o problema de falta de salas aula, o que tem feito com que muitas crianças fiquem fora do sistema de ensino.

 

Garimpo de ouro

Para o regedor Filé Matoco, a situação da água é uma das maiores preocupações dos habitantes da localidade, principalmente os da sede do município.

Defendeu a necessidade de se pôr ordem no processo de exploração de ouro, sobretudo no que toca ao garimpo, por estar a causar muitos constrangimentos, aumentar o absentismo escolar, poluição do rio e afluentes, erosões e conflitos interpessoais com tendências criminais.

Filé Matoco solicitou ao Governo da província mais médicos especialistas para o Hospital Regional Alzira da Fonseca, uma unidade sanitária que, segundo referiu, carece de cirurgiões, oftalmologistas, estomatologistas, pediatras, gino-obstetras, entre outros as especialidades.

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