Economia

Britânicos abrem unidade para processar terras raras oriundas de Angola

Um designado Local de Processamento de Terras Raras de Pensana foi inaugurado, em Saltends, Reino Unido, pelo secretário de Estado britânico para os Negócios, Energia e Estratégia Industrial, Kwasi Kwarteng, em decorrência das operações estabelecidas por empresas daquele país em Longonjo, anunciou, sexta-feira, a embaixada em Luanda.

31/07/2022  Última atualização 12H27
Mina em construção vai enviar 12,5 mil toneladas por ano a fábrica britânica © Fotografia por: DR

Em nota enviada à nossa Redacção, a missão diplomática acrescenta que a instalação, de última geração, no valor de 150 milhões de libras esterlinas, deverá iniciar a produção em 2024 e processar, por ano, mais de 12.500 toneladas de terras raras separadas, provenientes da mina da empresa em Longonjo, Angola, que está actualmente em construção.

Uma vez concluída, a Pensana estima que o local de produção responderá por 5,0 por cento da oferta mundial de terras raras, com foco em minerais críticos para serem usados em ímãs, que são componentes essenciais para baterias de veículos eléctricos e turbinas eólicas "offshore”.

A instalação é apoiada pelo Fundo de Transformação Automotiva do Governo do Reino Unido, um programa de 850 milhões de libras esterlinas para electrificar a cadeia de suprimentos automotiva da Grã-Bretanha e faz do Reino Unido um dos únicos lugares na Europa a ter instalações para refinar os óxidos de terras raras usados na criação de ímãs .

A inauguração marcou a publicação da primeira Estratégia de Minerais Críticos do Reino Unido, que define como o Governo britânico aborda o sector de minerais críticos nos próximos anos, destacando que, embora minerais como o lítio e o silício sejam vitais para a economia global, as cadeias de suprimentos são complexas e voláteis e dominadas por um pequeno número de países.

A estratégia também define planos para que o Reino Unido se estabeleça como líder mundial na produção de minerais críticos, realizando pesquisas e trabalhando com parceiros internacionais, como Angola, para construir relações comerciais e diversificar as cadeias de suprimentos.

De acordo com o documento, as operações no Longonjo dão-se no seguimento da missão "Desbravando Terra”, em que nove empresas mineiras britânicas visitaram as províncias de Luanda, Huambo e Benguela, em Abril último, à procura de oportunidades de investimento em Angola.

O embaixador britânico em Angola, Roger Stringer, é citado no documento a declarar que "o Reino Unido está no centro da Transição Global de Energia Verde” e que o trabalho que ocorre para que aquele país se estabeleça "como um produtor líder mundial de Minerais Críticos mostra como podemos usar a nossa inovação e experiência para trabalhar em colaboração com parceiros como Angola, para diversificar as nossas economias e alcançar maior prosperidade”.

A baronesa Northover, enviada comercial do antigo Primeiro-Ministro britânico a Angola e membro do Conselho da Pensana acrescentou que "o governo (britânico) comprometeu o Reino Unido a atingir emissões líquidas zero até 2050” estando "a proibir a venda de carros novos a  gasolina e gasóleo até 2030”, com o que "os fabricantes de automóveis estão a  investir fortemente em veículos eléctricos e a procura será sem precedentes”.

Segundo a baronesa Northover "a energia renovável está a ser intensificada, mas temos que viabilizar tudo isso. Alcançar a mudança necessária exige uma revolução industrial verde”, disse, manifestando satisfação por se estar "a trabalhar em estreita colaboração com Angola para obter as terras raras de forma sustentável”.

Angola, prosseguiu, "passou por uma guerra civil de 30 anos, mas agora tem paz há 20 anos. Há cinco anos que tem um Governo reformador que procura diversificar a economia do país para além do petróleo e dar esperança para o futuro aos jovens angolanos brilhantes.  Este projeto é mutuamente benéfico (para ambos os países”, concluiu.

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