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Brasileiros escolhem hoje o próximo Presidente

Mais de 156 milhões de eleitores brasileiros vão hoje às urnas para escolher entre mais de 29 mil candidatos às eleições presidenciais, federais, estaduais e ainda governadores.

02/10/2022  Última atualização 08H10
Brasileiros escolhem hoje o novo Presidente da República, governadores e deputados © Fotografia por: DR

A votação tem lugar em 5.570 cidades do país e em 181 locais no exterior, com o apoio de quase 1,8 milhões de delegados e membros de mesa.

Os números são gigantescos, à imagem do país do tamanho de um continente: além dos 11 candidatos presidenciais, concorrem ainda 224 a governador, 243 ao Senado, 10.630 a deputado federal, 16.737 a deputado estadual e 610 a deputado distrital, nos 27 Estados (contando com o Distrito Federal) no país.

Dos mais de 29 mil candidatos, 1.323 procuram a reeleição.

Há dois tipos de sistema eleitoral que serão utilizados. Através do sistema maioritário serão escolhidos 27 governadores, 27 senadores e um Presidente. Se nenhum dos candidatos atingir mais de 50 por cento dos votos válidos, os dois mais votados disputarão uma segunda volta agendada para o dia 30.

Cada senador tem um mandato de oito anos e, nestas eleições, um terço das 81 cadeiras do Senado vai ser renovado. Será eleito um senador por cada unidade federativa.

Pelo sistema proporcional, vão ser eleitos todos os 513 deputados federais para a Câmara dos Deputados, para os próximos quatro anos, e milhares de deputados estaduais e distritais das 26 assembleias legislativas dos Estados e da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Ao contrário do que acontece no Senado, onde todos os Estados são representados de igual forma, na Câmara dos Deputados, cada Estado (e o Distrito Federal) elege uma bancada de representantes na proporção do número dos eleitores.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 66 por cento das candidaturas são masculinas. Mais da metade das pessoas são casadas e a maioria dos candidatos tem entre 40 e 54 anos.

A maioria identificou-se como não branca: 14,12 por cento identificam-se como negros, 36,15 por cento como mestiços, e 48,2 por cento como brancos. Apenas 0,64 por cento (186 candidatos) se identificaram como indígenas.

Em relação ao grau de instrução, 15.968 candidatos (54,57 por cento) têm o grau de ensino superior completo, um quarto tem o secundário e 9,28 por cento não completaram o ensino superior.

Ao contrário das eleições anteriores, haverá uma espécie de unificação do fuso horário no período eleitoral: todas as mesas de voto funcionarão das 08:00 de Brasília (12h00 em Angola) às  18 horas.

Tal como nos outros actos eleitorais, o voto é obrigatório para maiores de 18 anos, sendo opcional para analfabetos, para os 16 e 17 anos de idade e maiores de 70.

De acordo com o TSE, "a manifestação individual e silenciosa por meio de bandeiras, adesivos, camisetas e outros adornos é permitida”, por isso, "é possível votar com a camiseta de candidata ou candidato”.

Contudo, é proibido angariar votos, distribuir material impresso, assim como aglomeração de pessoas com roupas alusivas a um candidato.

Em relação ao uso de Internet, as autoridades eleitorais esclareceram que "é permitido manter nas redes sociais, 'sites' e 'blogs' publicações com conteúdos relacionados à campanha eleitoral, desde que publicados até à véspera da votação”.

"Publicações no dia do pleito são proibidas”, acrescentaram.

É proibido ainda o transporte de armas e munições por coleccionadores, atiradores desportivos e caçadores durante as eleições marcadas para o próximo domingo. A proibição vale para a véspera, o dia das eleições e às 24 horas do dia seguinte ao sufrágio em todo o território brasileiro sob pena de prisão em flagrante, por porte ilegal de arma, em caso de incumprimento.

As eleições presidenciais no Brasil têm a primeira volta para hoje e a segunda, caso seja necessária, para o dia 30.

Além do cargo de Presidente e Vice-Presidente, estão em jogo os Governos dos 27 estados do país, a renovação completa da Câmara dos Deputados, a renovação parcial do Senado e das assembleias legislativas estaduais.


Nos últimos sete anos

Taxa de desemprego regista baixa acentuada

A taxa de desemprego no Brasil diminuiu para 8,9% da população economicamente activa em Agosto, caindo para o seu nível mais baixo dos últimos sete anos, anunciou, ontem, o Governo.

A taxa de desemprego, no país da maior economia da América Latina, não tinha sido tão baixa desde os 8,7% registados em Julho de 2015, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A partir daí, a taxa não desceu abaixo dos dois dígitos e atingiu um recorde de 14,9% em Setembro de 2020, afectado pela crise económica gerada pela pandemia Covid-19.

Após a nova recessão em 2020, quando a economia caiu 3,9% devido à pandemia, a recuperação do país em 2021, com um crescimento de 4,6%, permitiu que o Brasil começasse novamente a gerar emprego.

Segundo o IBGE, o número de desempregados no Brasil em Agosto era de 9,7 milhões, o mais baixo desde Novembro de 2015.

Da mesma forma, o número de pessoas empregadas aumentou em Agosto para um recorde de 99 milhões, em comparação com 91,7 milhões no mesmo período do ano passado.

Apesar desta melhoria, o número de trabalhadores informais em Agosto era de 39,3 milhões e o número dos que trabalham sem segurança no sector privado atingiu um recorde de 13,2 milhões.

Isto não impediu que a taxa de informalidade caísse de 40,6% em Agosto de 2021 para 39,1% no mês passado.

 Após investigação contra seu assessor.


 Sistema seguro

Urna electrónica utilizada há 25 anos no Brasil

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, do partido PSD, afirmou que a urna electrónica é utilizada "com inegável sucesso” há 25 anos. Pacheco recebeu no Congresso Nacional delegações estrangeiras que acompanham o processo eleitoral brasileiro.

"Essa presença tão expressiva e tão variada demonstra o interesse internacional pelo nosso país e o seu sistema eleitoral, particularmente pela utilização, com inegável sucesso, de urnas electrónicas há 25 anos,” disse o presidente do Senado.

Segundo Pacheco, a urna electrónica "revelou-se fundamental à concretização dos princípios eleitorais, possibilitando assegurar o voto secreto e universal. " Este sistema de votação constitui um pilar da democracia brasileira”.

O grupo de observadores internacionais vai acompanhar o apuramento dos votos e o teste de integridade das urnas que é feito hoje.


Garante imprensa brasileira

Exército vai aceitar  resultados eleitorais

O Alto Comando do Exército (ACE) brasileiro vai reconhecer o resultado das eleições presidenciais sem contestar o mesmo,  disseram  fontes militares  à publicação O Estado de São Paulo.

De acordo com a CNN Brasil, que terá confirmado esta informação junto de fontes militares, o tema foi tratado durante a última reunião, que aconteceu a 15 de Setembro.

Na sexta-feira, dia 30 de Setembro, o Exército negou que o tema tivesse sido tratado nesta reunião. Mas, de acordo com as fontes ouvidas pelas duas publicações brasileiras, o tema foi mesmo discutido e ficou decidido: após o apuramento do Tribunal Superior Eleitoral, os resultados não serão contestados.  Segundo contou à CNN uma fonte do Exército, sob condição de anonimato, durante a reunião chegou-se à conclusão de que não havia motivo para não confiar no voto electrónico - e que, "até que se prove o contrário, elas são seguras e o resultado confiável”.

Os 16 generais que compõem o ACE reúnem-se hoje, e vão  acompanhar as eleições e apuramento dos votos. Também, outros militares, pertencentes ao Comité de Transparência das Urnas, vão controlar os testes de integridade, que verificam o funcionamento correcto dos equipamentos em 641 urnas, 56 delas com uso de biometria de eleitores.

Nos últimos dias, o candidato à reeleição, Jair Bolsonaro, referiu que só vai deixar o Governo Federal "bem lá para frente” e perante "eleições limpas”. Bolsonaro nunca confirmou se vai aceitar os resultados das eleições para as quais não é o favorito, e fez referência, mais do que uma vez, ao ano de 1964, quando a ditadura brasileira se instaurou.

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