Economia

BPC recupera 32 mil milhões de kwanzas

O Banco de Poupança e Crédito (BPC) anunciou ontem, ao Jornal de Angola, que uma crescente adesão de devedores à Campanha Renascer, de saneamento da carteira de crédito malparado, levou à recuperação de 32 mil milhões de kwanzas em cinco meses.

29/02/2020  Última atualização 16H16
Contreiras Pipa | Edições Novembro © Fotografia por: Particulares e empresas inadimplentes procuram renegociar dívidas

O volume recuperado representa 2,8 por cento da carteira de crédito malparado, em Dezembro de 2018 estimada em 1.118 mil milhões de kwanzas, mas, o concorrido processo de adesão prevê, também, a reestruturação do crédito com base no prolongamento do período de amortização, renegociação dos juros, perdão total dos juros de mora ou o perdão de 50 por cento dos juros corridos.
O banco considera que “ainda não é possível apresentar um balanço do crédito reestruturado, que é significativamente maior que o valor já recuperado”, uma vez que “muitos mutuários que possuíam créditos em mora e com os quais o BPC não tinha qualquer ligação, optaram pela decisão da revisão das condições de pagamento e a melhoria das garantias,
“Assistimos ao crescimento das intenções de regularização do crédito, quer seja por liquidações ou reestruturações, o que tem levado, à redução da carteira de crédito malparado”, declarou o banco, reconhecendo, entretanto, que os resultados até aqui conseguidos “estão aquém dos propósitos definidos na Campanha Renascer”.
O BPC indicou que a afluência de inadimplentes acentuou-se com a divulgação dos apelos, há cerca de quatro semanas, para o que os clientes em situação de incumprimento contactassem as unidades orgânicas do banco.
O perfil dos clientes que estão a regularizar as dívidas evoluiu com a elevação dos conceitos que regem a campanha que, inicialmente concebida para particulares, foi depois alargada a todos os outros segmentos.
Do volume recuperado ao longo da campanha, só 4,25 por cento diz respeito ao sector de particulares, de acordo com os dados avançados pelo BPC.
Informações de Dezembro indicavam que o banco mostrava, naquela altura, uma tendência para o crescimento do “stock” de provisões para crédito, que passou de 460,8 mil milhões, em Dezembro de 2018, para 1.298,1 em Novembro de 2019, representando um rácio de cobertura de provisões sobre a carteira de crédito de 92 por cento, o que, entre outras coisas, inviabiliza a capacidade do banco para emprestar.
Em Dezembro, o BNA declarou, no fim de um exercício de avaliação da qualidade dos activos de 13 dos 26 bancos que operam em Angola, o BPC e o Banco Económico (BE) por concentrarem as maiores necessidades de capitalização, exigindo a recapitalização das duas instituições até Junho do ano em curso.
O BPC declarou, naquela altura a este jornal, ter aceite as recomendações do exercício e que tinha até ao dia 28 de Fevereiro para apresentar um plano de acção para recuperar os rácios prudenciais.

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