Economia

BPC dá mais valor aos activos

Kamuanga Júlia | Saurimo

Jornalista

O activo do Banco de Poupança e Crédito (BPC) saiu mais valorizado no exercício económico de 2019, passando de 1.909 mil milhões de kwanzas para os 2.024 mil milhões de kwanzas.

18/05/2020  Última atualização 19H06
Eduardo Pedro | Edições Novembro © Fotografia por: Banco público é o maior em termos de carteira de clientes e rede de agências em todo o país

No Relatório & Contas de 2019 depreende-se também a opção de reduzir os créditos a clientes, que baixaram de 684.387 milhões de kwanzas, em 2018, para 41.724 milhões.

Apesar disso, o resultado líquido individual do Banco de Poupança e Crédito (BPC), no exercício económico de 2019, saldou-se em 403.731 milhões de kwanzas negativos, bem acima dos 26.852 milhões de kwanzas de 2018. Os Fundos Próprios também são negativos, fixados em 82.119 milhões de kwanzas.

Para o auditor externo, o BPC representa um risco sistémico na banca nacional, estando a sua sobrevivência, ainda que não posta em causa, dependente do sucesso do programa de reestruturação em curso. Entre as medidas já aprovadas pelo accionista e que o auditor ressalta, consta a entrada de novos accionistas no capital do banco, que se poderá concretizar através da subscrição de Obrigações Indexadas no montante de 544.735 milhões de kwanzas e dinheiro vivo num valor de 15 mil milhões. Em toda esta estratégia, está também subjacente a continuidade da linha de redesconto existente no Banco Nacional de Angola.

Na sustentação da sua opinião com reservas, os auditores da Crowe explicam, contudo, que o banco público reforçou significativamente, no período, a imparidade dos créditos concedidos e dos outros devedores face a 31 de Dezembro de 2018, no montante de 795.785 milhões e 442.601 milhões, respectivamente, que representa cerca de 96 por cento da carteira bruta estimada.

No entanto, sobre aquele reforço e com argumento da aplicação da norma emitida pelo Comité de Supervisão Bancária de Basileia, intitulada “Tratamento Regulatório de Provisões Contabilísticas” por um período transitório, numa abordagem prudencial e contabilística, entendem ter o banco deferido na rubrica de outros activos o montante de 756.287 milhões de kwanzas. O reconnhecimento do seu resultado está a ser feito de forma gradual e por período de três anos (2020 a 2022).

O auditor traça, ainda assim, um cenário mais vantajoso com o acordo assinado em Março de 2020 entre o BPC e a RECREDIT, com a cedência de 80 por cento do montante de 950.967 milhões de kwanzas em créditos brutos da sua carteira de malparado com desconto de 94 por cento, contra a entrega de Obrigações do Tesouro. O justo valor representado no balanço foi de 57.058 milhões de kwanzas.

O auditor faz também referência que o banco tem vindo a inventariar os outros activos fixos tangíveis, no montante de 117.038 milhões de kwanzas, valor acima dos 106.417 milhões do apresentado nas contas anteriores, e os activos intangíveis no montante de 3.996 milhões, estes ligeiramente abaixo dos 5.468 milhões calculados em 2018. Nestas operações, as contas do banco incluem os imobilizados em curso, cuja finalidade é identificar e documentar os bens corpóreos e incorpóreos que estejam em funcionamento e que são utilizados nas actividades da instituição bancária.

Numa recente publicação do BNA, o banco público liderou, no I trimestre, deste ano, a listagem dos operadores com o maior número de clientes (contas abertas), tendo também a maior rede de balcões (agências e postos de atendimentos) pelo país.

Um dos desafios do banco é a redução das reclamações, onde também lidera.

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