Reportagem

Bombeiros minimizam riscos para salvar vidas de pessoas e animais

André da Costa

Jornalista

Alto, magro e com fala pausada conta que faz tudo o que aprendeu para salvar vidas humanas e de animais. Falamos do inspector-bombeiro Sanú João Maria, inspector da Direcção de Resgate e Salvamento do Serviço Nacional de Protecção Civil e Bombeiros.

04/05/2022  Última atualização 09H50
© Fotografia por: Kindala Manuel | Edições Novembro

Acrescenta que gosta do que faz e sente-se orgulhoso quando salva pessoas. Sanú João Maria ingressou nos Bombeiros no dia 30 de Dezembro de 2005, com cerca de 25 anos. Na altura era jogador de básquete, no extinto clube da Nocal, tendo sido chamado muitas vezes para a Selecção Nacional. 

Possuidor de uma vasta experiência profissional, fruto de diversas formações em várias especialidades, como formação de formadores, especialista em extinção, inspector de prevenção, resgate e salvamento, protecção civil e formação na área aquática, conta que o seu sonho era ser médico.

Quando ingressou nos Bombeiros, foi colocado na Escola de Formação de Bombeiros e o seu empenho foi reconhecido com várias propostas de cargos de chefia, tendo sido o primeiro comandante do Quartel dos Bombeiros da Centralidade do Kilamba, em Luanda. Cinco anos depois foi transferido para a Direcção de Extinção no Departamento de Táctica e depois para a Direcção de Resgate e Salvamento, onde trabalha, há quatro anos, como chefe de departamento.

Sabe e gosta do que faz. Fala com satisfação quando o assunto é salvar vidas, mas fica triste quando se trata de falar de condições, que, em sua opinião, os bombeiros deveriam ter, por ser uma profissão que considera de alto risco. 

Sanú Maria define o bombeiro como alguém que ama o próximo e que está sempre pronto para ajudar os cidadãos a sair do perigo. 

"Ser bombeiro não é fácil, mas quem corre por gosto não se cansa, basta aprender cada vez mais e melhorar o trabalho todos os dias", sublinhou, acrescentando que, "infelizmente, o bombeiro ainda não é devidamente valorizado. Gostaríamos que o Estado, em particular o Ministério do Interior, apostasse mais em criar outras condições de trabalho, para minimizar os riscos e melhorar a prestação de serviço", disse.

Carência de meios 

Daniel Makiesse, outro bombeiro contactado pela nossa reportagem, defende a criação de uma Brigada Cani-na nos Bombeiros e mais investimentos.

O inspector conta que entrou nos Bombeiros em 2007, por considerar uma profissão apaixonante e por gostar de salvar vidas. Começou pela sala operativa e, dois anos depois, foi transferido para a Direcção de Comunicação e Imagem. Acrescenta que entra às 8h00 e não tem horário própria para sair do serviço.

Para o chefe do Departamento de Comunicação Institucional e Imprensa do Serviço Nacional de Protecção Civil e Bombeiros, intendente Félix Domingos, todo o bombeiro vive sob risco, sai de casa sem certeza de que vai voltar. "Temos consciência dos risco que corremos, mas, ainda assim, abraçamos a profissão, com amor e dedicação".

Acrescentou que o bombeiro está presente em todo o tipo de sinistro, como resgate e salvamento em terra, no mar e/ou acidentes de viação. "O bombeiro dedica a sua vida para salvar também animais". 

Equipas de especialistas 

Félix Domingos explica que, na Escola Nacional de Formação de Bombeiros, são formadas equipas de resposta, com especialistas em atendimento  pré-hospitalar, bombeiros nadador-salvador, de extinção e de resgate e salvamento. 

Explicou que, em caso de acidente de viação, envolvendo um motociclo, o do-ente é colocado numa ambulância com médicos e enfermeiros com treinamento em matérias de primeiros socorros e competências para reanimar e administrar medicação, ao longo do percurso até ao hospital. 

Segundo Félix Domingos, os bombeiros nadador-salvador têm a missão de salvar vidas humanos em espaços aquáticos (rio, mar, lago ou lagoa) e estão preparados para mergulhar em águas profundas, a seis, sete metros de profundidade, buscando a vítima ou um bem.

A especialidade de resgate e salvamento é composta por uma equipa de bombeiros preparados especificamente para fazer resgates aéreos, terrestres e aquáticos. São bombeiros preparados só para missões de resgate. Só vão buscar aquilo que está confinado. Havendo, por exemplo, um cidadão pronto a se suicidar, atirando-se de num edifício, ou uma criança numa varanda a correr risco de cair, quem vai nestas missões é o bombeiro de resgate e salvamento. O mesmo acontece com acidentes com vítimas encarceradas.

O bombeiro-Sapador é aquele que extingue o fogo, dominando a capacidade do volume de água, a pressão e o diâmetro da mangueira, da bomba, o tipo de incêndio e o material a usar. 

Quanto às actividades preventivas, existem os bombeiros de especialidades de prevenção, que são os que visitam as residências, empresas e estabelecimentos, para aferir se têm ou não condições de prevenção contra incêndios, existindo, também, bombeiros especialistas em investigação de incêndios.

"Em Angola existem meios para que os bombeiros possam trabalhar, mas precisam de manutenção e assistência", sublinhou Féliz Domingos.

O Dia Internacional do Bombeiro foi estabelecido em 1999, após uma intensa circulação de Emails pelo mundo, gerada pela trágica morte de cinco bombeiros, num incêndio, na Austrália. Em diversos países da Europa  celebra-se o Dia Internacional do Bombeiro por este ser o Dia de São Floriano, o padroeiro dos bombeiros.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Reportagem