Economia

BNA volta a avaliar a qualidade dos activos da banca comercial

O Banco Nacional de Angola (BNA) procede, desde Outubro, à reavaliação da qualidade dos activos dos bancos comerciais que operam no país, processo que a instituição promete concluir em Dezembro, com recomendações específicas, podendo incluir, em alguns casos, o aumento de capitais.

30/11/2019  Última atualização 12H53
João Gomes | Edições Novembro © Fotografia por: Governador revela iminência da divulgação dos resultados do processo de avaliação de activos

A informação foi prestada ontem, em conferência de imprensa, pelo governador do Banco Nacional de Angola (BNA), José de Lima Massano, quando fazia o balanço à imprensa, da reunião do Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola (CPM), que analisou a evolução, em Outubro, dos indicadores macroeconómicos e dos mercados monetário e cambial.

Aos bancos comerciais com necessidades de rever o capital, de acordo com José de Lima Massano, o BNA vai dar um prazo de até Julho do próximo ano para se adequarem às exigências do Banco central. Interrogado sobre as sanções reservadas aos bancos incumpridores, o governador do BNA traçou quatro cenários, que vão da reestruturação à fusões de bancos e da entrada de novos accionistas na estrutura societária à perda de licença.
Da última vez que o BNA recomendou a revisão do capital social dos bancos comerciais foi em Fevereiro do ano passado. Nessa altura, a instituição determinou que fosse elevado 2,5 mil milhões para 7,5 mil milhões de kwanzas, o equivalente a 24 milhões de dólares.
Por incapacidade de actualizarem os respectivos capitais, duas instituições bancárias, nomeadamente o Bancos Mais e o Banco Postal, viram bloqueadas as licenças que as habilitavam a operar no mercado bancário do país.
Reunido em sessão ordinária, o Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola constatou que o processo da desinflação da economia continua o seu curso, não obstante a implementação do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) e a liberalização da taxa de câmbio, ocorridas em Outubro de 2019.
O Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN), de acordo com as conclusões saídas do encontro, apresentou uma variação mensal de 1,38 por cento, ligeiramente abaixo da registada no mês anterior (1,45 por cento) e uma variação homóloga de 16,08 por cento, igual à observada no período anterior (16,08 por cento).
A classe de alimentação e bebidas não alcoólicas continua a ser o principal factor de pressão sobre os preços na economia, tendo no mês de Outubro sido secundada pela classe de bebidas alcoólicas e tabaco. As restantes classes registaram uma evolução nos preços mais branda do que no mês precedente.
A variação mensal do Índice de Preços Grossista (IPG) fixou-se em 1,58 por cento, ficando ligeiramente acima da variação verificada no mês anterior (1,51 por cento). A variação homóloga situou-se em 18,10 por cento, ligeiramente superior à registada no mês anterior (17,76 por cento).
O Índice de Preços Grossista dos Produtos Nacionais, de acordo com José de Lima Massano, continua acima da variação dos produtos importados, cenário que se observa desde meados de 2018.
A Base Monetária em Moeda Nacional, variável operacional da política monetária, expandiu 92,64 mil milhões (6,81 por cento) face à uma contracção de 11,68 por cento registada em Setembro de 2019.
A expansão da Base Monetária, reflectiu-se no aumento das reservas bancárias em moeda nacional, o que se traduziu em 75,40 mil milhões (8,24 por cento) e das notas e moedas em circulação, no montante de 17,25 mil milhões (3,86 por cento).
No mercado monetário interbancário, foram transaccionados 181,55 mil milhões de kwanzas, representando uma diminuição de 72,27 mil milhões (28,47 por cento) face ao período anterior.
A LUIBOR na maturidade overnight situou-se em 14,91 por cento, o que representou um aumento de 14,39 por cento, face a Setembro de 2019.
As Reservas Internacionais Brutas (RIB) situaram-se em 15,47 mil milhões de dólares, representando um grau de cobertura de importações de bens e serviços de 7,54 mes.

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