Economia

BNA reduz taxa básica de juro de 20 para 19,5 por cento

Pedro Peterson

Jornalista

O Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola (BNA), decidiu reduzir a Taxa Básica de Juro de 20 para 19,5 por cento e da taxa de juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez de 23 para 21 por cento em função da consistência do abrandamento da evolução de preços na economia nacional, desde o início do ano em curso, como resultado do contínuo e rigoroso controlo da liquidez.

27/09/2022  Última atualização 08H45
© Fotografia por: santos pedro | EDIÇÕES NOVEMBRO

Reunido na sua 18º sessão, o CPM do BNA, decidiu ainda manter inalterada a taxa de Juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez em 15 por cento em virtude da apreciação do kwanza em relação às principais moedas utilizadas nas transacções com o exterior e do aumento da oferta de bens essenciais de amplo consumo

Em conferência de imprensa realizada ontem, o CPM do BNA assegurou que além do ambiente interno, a decisão tomada teve em consideração o contexto externo e riscos inerentes, dada a exposição da economia angolana ao sector petrolífero e ao peso dos bens alimentares importados no cabaz de oferta ao mercado interno.

Assegurou que o BNA vai continuar a acompanhar de perto os desenvolvimentos internacionais mais impactantes sobre a economia, de modo a actuar atempadamente, caso a evolução justifique. 

Enfactiza que a nível global, a maioria das economias continua a observar taxas de inflação elevadas, provocadas pelo conjunto de medidas tomadas para contrariar os efeitos da pandemia da Covid-19 e pelo choque negativo dos preços dos combustíveis e dos alimentos, em consequência de um contexto internacional influenciado pelo conflito militar no leste europeu.

Face a esta situação, os bancos centrais têm vindo a optar por políticas monetárias contraccionista, operacionalizadas principalmente através do aumento continuado das taxas de juro de referência.

No plano nacional, os fundamentos macroeconómicos continuam animadores.

O sector externo da economia tem vindo a beneficiar da melhoria dos termos de troca, com a conta de bens a registar um saldo superavitário de 23,3 mil milhões de dólares norte americanos em termos acumulados até Agosto de 2022, um aumento de 78,5 por cento comparativamente a igual período de 2021.

Este desempenho positivo reflecte o aumento do valor das exportações em 67,8 que excedeu o crescimento de 49,2 por cento observado nas importações.

As projecções do sector externo para os restantes meses do ano em curso mantêm-se positivas, não obstante a previsão de pressão em baixa do preço do barril de petróleo nos mercados internacionais, dadas as expectativas de abrandamento do ritmo de crescimento das principais economias mundiais.

As Reservas Internacionais, no final do mês de Agosto, situaram-se em 13,8 mil milhões de dólares, o que se traduz numa cobertura de cerca de 7 meses de importações de bens e serviços.

No sector real, os dados sobre o emprego e o clima de confiança dos gestores e empresários, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), referentes ao segundo trimestre de 2022, evidenciam a consolidação do crescimento da actividade económica.

Não obstante as incertezas sobre a economia internacional e potencial impacto sobre a economia nacional, a perspectiva do crescimento da actividade económica no país é positiva, tanto para último trimestre do corrente ano, como para 2023.

No que se refere à actividade financeira, comparativamente a Dezembro de 2021, destaca-se o crescimento em 7,1 por cento do stock de crédito concedido em moeda nacional. Apesar da preocupação com o crédito mal parado que se situa em 21 por cento.

No domínio monetário, a trajectória da Base Monetária em moeda nacional continua consistente com os objectivos de política monetária, tendo recuado 0,12 por cento no mês de Agosto, correspondendo a uma contracção no ano de 2,74 por cento.

A inflação prossegue o seu percurso de desaceleração e no mês de Agosto fixou-se em 19,8 por cento, abaixo dos 21,4 do mês anterior e dos 26,1 do período homólogo.

As classes de alimentação e bebidas não alcoólicas, hotéis, cafés e restaurantes e de lazer recreação e cultura foram as que mais contribuíram para a queda do ritmo de crescimento da inflação homóloga.

O CPM mantém a perspectiva de a taxa de inflação no final do ano em curso situar-se abaixo da previsão inicial de 18 por cento, caminhando para o objectivo de um dígito no médio prazo.

Intervenções no mercado visam devolver a estabilidade dos preços

O ano de 2023 prevê-se bastante promissor para a economia nacional tendo em conta as decisões que o Banco Nacional de Angola (BNA) tem vindo a tomar no sistema financeiro e monetário para garantir bom  funcionamento dos mercados de bens e de serviços.

Segundo o governador do BNA, José Massano, o banco central, como regulador do sistema financeiro nacional, tem vindo a efectuar intervenções no mercado para repor os níveis de estabilidade dos preços no mercado, não obstante as incertezas do mercado internacional.

José Massano citou, como exemplo, os encontros que o BNA tem vindo a manter com os operadores do mercado e mais recentemente com os operadores da cadeia alimentar, que visou fundamentalmente, aferir o grau de dificuldades tendo em conta o ultimo trimestre do ano.

"Desta vez mantivemos um encontro com os importadores de bens alimentares e fizemos com uma certa preocupação positiva, porque, como sabem, a classe de bens alimentares e de bebidas não alcoólicas é a que mais pesa no cálculo do Índice do Preço do Consumidor (IPC), sendo do nosso lado relevante obter com regularidade informação sobre o andamento do sector para poder compreender e avaliar que medidas podem ser adoptadas para facilitar a operação destes agentes". 

Jose Massano lembrou que em Julho de 2021, o BNA agravou as condições monetárias, fazendo subir as taxas de juro "e hoje temos o registo de benefícios de algumas daquelas medidas adoptadas".

Segundo o responsável, hoje provou-se que o BNA tomou as medidas necessárias adequadas e tem estado a registar um ritmo de desaceleração da evolução de preços na nossa economia.

"Estamos certos de que, no inicio desse ano, Luanda apresentava uma taxa de inflação de cerca de 27 por cento, e estamos nesse momento com uma taxa de inflação de cerca de 19 por cento. É um ritmo bastante acelerado de queda e esse esforço que vai acontecendo tem que ser repercutidos a nível das condições monetárias", disse José Massano.

O governador disse que, ao BNA não interessa tão somente subir as taxas de juro, "temos um objectivo que é assegurar a estabilidade dos preços e a medida que este exercício resultar na materialização do objectivo, as condições monetárias irão se desagravando". disse.

Processos dos bancos Keve, Económico e Finibanco aguardam conclusão

O administrador do BNA, Rui Minguês, disse o processo de suspensões impostos a algumas instituições financeiras que operam no mercado ainda não foram concluídos, aguardando por decisão final do órgão regulador.

Segundo o responsável, no caso do Banco Económico, já fez a aprovação das suas contas e do seu plano de reestruturação tendo o documento sido submetido ao BNA, que mereceu o ponto de vista positivo.

Disse que o banco está a concluir o processo de registo dos membros dos seus órgãos sociais e só depois é que o BNA estará em condições de emitir informações pública relativamente ao estado dos seus balanços.

"Neste momento ainda estamos a concluir estes registos, já há vários membros dos órgãos sociais da administração que estão aprovados e já começaram a exercer, mas só quando concluímos este processo é que havemos de prestar informações necessárias a este processo" disse..

Quanto ao Finibanco e do Banco Keve, o governante disse que o primeiro está suspenso por irregularidade nas operações cambiais até a confirmação de que os elementos que estavam  em falta na sua apreciação fossem concluídos.

"Estamos presentemente a verificar se o Finibanco já conseguiu ultrapassar estes constrangimentos e tão logo que isso fique confirmado, poderá ser autorizado a regressar a operar no mercado cambial", esclareceu.

Já o banco Keve que também foi multado por incumprimento e insuficiência nos seus níveis de controlo interno, no que diz respeito às realizações de operações cambiais. Rui Mingues disse que o banco está num processo de melhoria dos seus indicadores e tão logo e a situação esteja ultrapassada, o BNA fará a devida comunicação.

No que toca ao aumento de capital no banco Keve, Rui Minguês esclareceu que o BNA rejeitou a operação porque o financiador não é uma instituição financeira certificada pelo banco central e naquilo que são o cumprimento das normais, foi instruído ao Banco Keve a encontrar uma nova solução para o financiamento do seu aumento de capital.

"Este processo ainda não está concluído, estamos a fazer uma apreciação da nova proposta que nos foi entregue e  logo que tenhamos a resposta diremos a nossa posição", disse.  

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