Economia

BNA quer bancos na Bolsa de Valores

O governador do Banco Nacional de Angola, José de Lima Massano, quer que os bancos comerciais considerem a possibilidade da dispersão de acções na Bolsa da Dívida e Valores de Angola (BODIVA), para o reforço do escrutínio e da transparência das suas operações.

31/07/2021  Última atualização 07H55
© Fotografia por: DR
Ao discursar, ontem, em Luanda, no encerramento do fórum Banca, do jornal "Expansão”, que elegeu o tema "As Transformações do Sector Bancário Angolano a Curto e Médio Prazo”, José de Lima Massano disse ver na obrigatoriedade de prestar informação ao mercado em tempo útil e em observância das exigências de calendário estabelecido pelas bolsas um importante instrumento que deve ser maximizado pelos gestores bancários.

"A entrada para o mercado regulamentado de capitais pode também  facilitar o reforço da própria estrutura de capitais por acesso ao financiamento através da emissão de acções a novos investidores ou mesmo accionistas existentes, ou de obrigações a investidores institucionais ou particulares, alcançando um leque mais alargado de investidores”, considerou.

Embora não se saiba de uma data efectiva para o início do mercado de acções, o último segmento da Bolsa de Valores a arrancar, o governador do banco central lembrou que o país vive tempos desafiantes e de mudança, sendo preciso mobilização total "para acompanhar e ser parte activa do processo de transformação da economia, através do desenvolvimento do sistema financeiro, que se quer credível, resiliente, sustentável e indutor de crescimento económico e bem-estar social”.
 
Inclusão atinge 50 por cento

De acordo com José de Lima Massano, os caminhos da inclusão financeira em Angola, actualmente com cerca de 50 por cento da população adulta já com acesso à oferta de serviços básicos bancários, coloca a banca nacional nos marcos do Banco Mundial e também alinhada com a média continental africana. Tal posição, defendeu, leva ao desenvolvimento dos sistemas de pagamento, onde pontificam as transferências instantâneas.

O governador entende que a regulação e a supervisão terão de assegurar que o processo de transformação digital do sistema financeiro ocorra sob critérios de segurança, eficácia e competitividade.

Assim, disse, em complemento ao alinhamento da regulamentação e supervisão às melhores práticas internacionais, está em consideração uma outra iniciativa que terá impacto significativo na forma de trabalhar do BNA no domínio da supervisão, que é a adopção da tecnologia para supervisão, também conhecida como Suptech (abreviação em inglês para Supervisory Technology).

"As bases de dados distribuídas, a robótica, a inteligência artificial e a capacidade, cada vez maior, de computação quântica, estão na base da transformação de muitos processos que propiciam a inovação no sistema financeiro, incluindo no domínio da supervisão”, apontou.

Numa clara migração tecnológica, anunciou, o BNA vai apostar na aplicação de "big data” e inteligência artificial às ferramentas utilizadas para a supervisão, que aumentam o volume, variedade, velocidade e validade dos dados sob gestão.

A inteligência artificial permite fazer análises de dados complexos e em volumes que ultrapassam a capacidade humana e, assim, substituir as abordagens actuais, baseadas no envio de relatórios e inspecções "on-site” morosas e frequentemente reactivas.
 
Aviso 10/20

Na abertura do fórum, a ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, disse que o negócio bancário envolve muitas partes directamente interessadas, sendo as famílias e as empresas (na qualidade de depositantes e quando recorrem ao crédito), as administrações, os accionistas e os trabalhadores dos bancos, bem como o Estado (no papel estratégico de orientar a banca e o sistema financeiro para o adequado suporte do desenvolvimento económico e social).

Nessa base, Vera Daves incentiva os bancos a um total engajamento na materialização do Aviso 10/20 (documento do BNA que obriga os bancos a dedicarem 2,5 por cento do activo líquido a favor do financiamento à produção nacional), tendo em vista o fomento da produção interna por via do crédito, seja de matérias-primas, a aquisição de tecnologia, maquinaria e equipamentos.

"A banca é, portanto, vital para a economia. Torna-se, por isso, fundamental conhecer com a máxima profundidade e, em cada momento, o papel que lhe cabe, de identificar, atrair e financiar a capacidade empreendedora dos agentes económicos e de modo sustentável canalizar capitais para o crescimento económico, visando a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, uma vez que a robustez do sector privado está fortemente dependente também do papel da banca”, afirmou.

Considerou que o país está a verificar, gradualmente, a entrada em cena de novos operadores no sistema financeiro: as fintech. Tal realidade corresponde ao crescimento da economia da informação e contém ameaças e oportunidades com um enorme potencial disruptivo.

Vera Daves falou em desafios e oportunidades que persistem na banca, tendo citado a criação de uma oferta de produtos e serviços financeiros mais acessíveis, inclusiva e económica para os angolanos e para as empresas, suportadas por um sistema financeiro sólido.

Em matéria de bancarização da população, disse a ministra, o país está ainda muito longe do que seria razoável. "Dadas as circunstâncias geográficas e demográficas, é pela digitalização dos serviços bancários que, no médio prazo, lá chegaremos, na medida em que a expansão da bancarização é um desafio que temos de vencer pois é condição necessária para a inclusão financeira de toda a nossa população e tem externalidades positivas em todos os domínios da nossa economia”, afirmou.

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