Economia

BNA mantém inalteradas principais taxas de juros

António Capitão | Uíge

Jornalista

O Comité de Política Monetária (CPM) reuniu, sexta-feira(25), na sede da delegação regional nordeste do Banco Nacional de Angola (BNA), na cidade do Uíge, para analisar os principais indicadores macroeconómicos, tendo decidido manter inalteradas as principais taxas de juros, anunciou o governador do Banco Central.

26/11/2022  Última atualização 06H40
Governador do Banco Nacional de Angola fez o balanço da reunião do Comité de Política Monetária © Fotografia por: Filipe Botelho| Edições Novembro| Uíge

Segundo José de Lima Massano, o Comité de Política Monetária decidiu manter, em 19,5 por cento, a Taxa Básica de Juros (BNA); a 21 por cento, a taxa de juros da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez; e a 15 por cento, a taxa de Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez.

 Embora se tenha verificado a trajectória de desinflação da economia, disse, a decisão de manutenção das referidas taxas de juros se fundamenta no comportamento observado no mercado cambial para o mês de Outubro, período em que se assistiu à depreciação do kwanza face ao dólar, na ordem dos 10,6 por cento.

 O governador do BNA justificou a depreciação da moeda nacional face ao dólar com a redução da receita de exportação petrolífera, em 16,5 por cento, no terceiro trimestre, cenário que, disse, aconselha o alargamento do período de observação dos impactos das decisões tomadas na sessão de Setembro do Comité de Política Monetária.

 "No contexto internacional, o Fundo Monetário Internacional (FMI), no seu outlook do mês de Outubro, prevê um abrandamento económico mundial para os anos 2022 e 2023, justificado pela política monetária contraccionista perseguida pela larga maioria dos bancos centrais, pela política de Covid Zero adoptada pelas autoridades chinesas e devido ao prolongar do conflito militar no Leste europeu”, esclareceu.

 José de Lima Massano avançou que, no plano nacional, os fundamentos macroeconómicos continuam animadores, com o sector externo da economia a beneficiar da melhoria dos termos de troca, com a conta de bens a registar um saldo superavitário de 27,59 mil milhões de dólares, em termos acumulados no mês de Outubro, um aumento de 59,31 por cento comparativamente à igual período no ano passado.

Este desempenho, referiu, reflecte o aumento do valor das exportações em 54,80 por cento excedendo o crescimento de 46,7 observado nas importações. Contudo, sublinhou, no terceiro trimestre deste ano, o superavitário da conta de bens registou uma redução de cerca de 18 por cento, face ao trimestre anterior, resultante da queda do valor das exportações globais em 12 por cento, com particularidade no sector petrolífero em 16,5 por cento.

 Garantidos sete meses de importações

 O governador do BNA fez saber que as Reservas Internacionais, no final do mês de Outubro, se situaram em 13,41 mil milhões de dólares, o que se traduz numa cobertura de sete meses de importações de bens e serviços.

 Para o sector real, José de Lima Massano disse que as contas nacionais referentes ao segundo trimestre deste ano, divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), indicam um crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) em 3,6 por cento em termos homólogos, acima dos 2,8 por cento registado no primeiro trimestre.

"No mercado de trabalho, de acordo com as estatísticas de emprego, registou-se a diminuição da taxa de desemprego pelo quarto trimestre consecutivo, tendo atingido o percentual de 30 por cento”, disse.

 Quanto à actividade financeira, comparativamente a Dezembro de 2021, se destaca o crescimento de 10,30 pontos percentuais do stock de crédito concedido em moeda nacional, apesar da preocupação com o crédito malparado, que se fixou em 19,74 por cento, no mês de Outubro.

 O governador do BNA garantiu que, no domínio monetário, a trajectória da Base Monetária em moeda nacional continua consistente com o objectivo da política monetária, tendo registado uma variação de 0,83 por cento no mês de Outubro e em termos acumulados se observou uma contracção de cerca de 4,72 por cento.

 Inflação decrescente

José de Lima Massano afirmou que a taxa de inflação continua numa trajectória decrescente, ao atingir 16,7 por cento no mês de Outubro, abaixo da taxa de 18,2 por cento do mês anterior e de 26,9 do período homólogo, recuo influenciado pelo curso da política monetária e pela estabilidade da oferta de bens essenciais de amplo consumo.

 O governador do Banco Central informou que o Comité de Política Monetária vai continuar a orientar as suas políticas com o sentido de manutenção do actual curso de desaceleração da inflação, em linha com o objectivo do alcance da variação anual do Índice de Preços ao Consumidor Nacional (IPCN) de um dígito.

 O Comité volta a reunir e actualizar os dados no dia 20 de Janeiro de 2023.

 


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