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BM financia empresas de Cabo Verde com mais 10 milhões dólares

O Banco Mundial (BM) aprovou um financiamento adicional de 10 milhões de dólares para apoiar a agenda governamental de reestruturação e privatização das empresas públicas de Cabo Verde, anunciou neste sábado (19), aquela instituição.

19/06/2021  Última atualização 15H12
cidade de Cabo verde © Fotografia por: DR

Em comunicado, o Banco Mundial refere que o financiamento, aprovado na sexta-feira (18) pelo conselho de administração, visa "aumentar e expandir as actividades para reforçar a gestão fiscal” relacionadas com o sector empresarial do Estado e que se trata de apoio adicional ao projecto de 20 milhões de dólares, em vigor desde Outubro de 2018 com as autoridades de Cabo Verde.

"Apoiará a agenda governamental de reestruturação e privatização das empresas públicas, promoverá o Investimento Directo Estrangeiro no sector das SOE e encorajará as reformas no sector da habitação”, acrescenta o comunicado, sublinhando que este apoio adicional é ainda justificado com a crise provocada pela pandemia de Covid-19 nas empresas estatais do arquipélago.

"A crise teve um impacto negativo no desempenho financeiro do sector SOE, que já era considerado fraco. É crucial aprofundar o apoio ao sector para reduzir os riscos fiscais e manter a sustentabilidade da dívida pública, que é significativamente posta em causa, e apoiar a recuperação económica pós-pandémica, reforçando a competitividade e melhorando a prestação de serviços”, explica, citada no comunicado, a representante residente do Banco Mundial em Cabo Verde, Eneida Fernandes.

O sector empresarial do Estado em Cabo Verde integra 23 empresas, que fornecem serviços públicos essenciais, incluindo áreas economicamente estratégicas como os transportes, electricidade, habitação e serviços financeiros, recorda o Banco Mundial.

O Projecto de Gestão Fiscal das Empresas Públicas já permitiu apoiar a privatização da companhia aérea nacional (Transportes Aéreos de Cabo Verde), desde Março de 2019 liderada (51%) por investidores islandeses, bom como proporcionou o início do "reforço da capacidade do Ministério das Finanças no controlo do risco fiscal do sector das empresas públicas”.

O quadro de cooperação entre o Banco Mundial e Cabo Verde para o período de 2020 reconhece a importância de reforçar a gestão fiscal no arquipélago e inclui "o apoio à adopção de um forte programa de consolidação fiscal para conter o crescente endividamento” do país, que já se encontra acima de 150% do Produto Interno Bruto (PIB).

"O endividamento significativo do sector das empresas públicas também se tornou uma fonte significativa de riscos fiscais, exacerbando assim as vulnerabilidades a médio prazo. Consequentemente, acelerar e aprofundar o processo de gestão do risco fiscal requer reformas urgentes no sector das empresas públicas, apoiadas pelo reforço institucional da gestão macroeconómica e da supervisão" destas empresas, aponta o Banco Mundial.

Cabo Verde enfrenta uma profunda crise económica decorrente da ausência de turismo desde Março de 2020, devido à pandemia de covid-19, sector que garante 25% do PIB do país e registou uma recessão económica histórica de 14,8% no ano passado.

 

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