Economia

BIOCOM anuncia perdas de 250 milhões de kwanzas provocadas por incêndios

A BIOCOM, uma companhia de bioenergia implantada em Cacuso, Malanje, anunciou ontem perdas de 249,059 milhões de kwanzas só no período de 30 dias situado entre 16 de Junho e 15 de Julho, em resultado do que chama “queimadas criminosas” causadas por moradores da região “de forma intencional, especialmente para a caça de animais” selvagens.

24/07/2020  Última atualização 08H10
DR © Fotografia por: Marcas da destruição causada pelo fogo posto por caçadores

A companhia denunciou ao Jornal de Angola a ocorrência de seis incêndios naquele período, em conflagrações que afectaram fazendas nas que tem plantações de cana-de-açúcar, envolvendo 32 talhões ou uma área total de 846,03 hectares. Uma lista das ocorrências aponta para a queima de nove talhões afectando uma área de 240,99 hectares na fazenda Pungo Andongo, a 16 de Junho, e outra de cinco talhões (175,23 hectares) na mesma fazenda, a 25 daquele mês.

Contam-se os incêndios em dois talhões (60,58 hectares) da fazenda Mangolê a 23 de Julho, bem como de quatro talhões numa fazenda denominada Salto Cavalo, a 4 de Julho, de igual número de talhões na fazenda Kilamun, no dia seguinte, destruindo uma área de 74,41 hectares, e na Pedras Kwanza, a 8 de Julho, queimando mais de 147 hectares.

A BIOCOM declarou que, de Abril à presente data, período em que transcorreu metade da época da safra, a produção de açúcar situou-se em 40 mil toneladas, 35 por cento da meta de 115 mil toneladas estabelecida para o ano em curso (além de 18 mil metros cúbicos de álcool neutro e 63 mil megawatts de energia eléctrica renovável a partir da biomassa).

A BIOCOM queixa-se do facto de, apesar de criminosas, as queimadas serem tratadas como “fenómenos isolados”, considerando-as, antes, actos de “vandalismo” e “crimes contra o ambiente e contra a propriedade”, geralmente lavras de camponeses e projectos agro-industriais como a BIOCOM.

Recrutamento em período de restrição

Apesar dessas adversidades, a companhia anunciou um recorde de produção diária de 920 toneladas de açúcar, na primeira semana de Julho, o que é atribuído a um novo planeamento das operações a que a BIOCOM se obriga depois dos incêndios. Além disso, a empresa reformulou toda as operações para manter a actividade nas condições das restrições recomendadas para evitar a propagação da pandemia da Covid-19, com o fim explicito de “produzir mais açúcar, gerar emprego e rendimentos”.

Desde Abril, um mês depois da vigência de medidas excepcionais para a contenção da propagação da pandemia, a empresa elevou o quadro de pessoal para um total de três mil trabalhadores, entre os quais 725 recrutados para a manutenção das operações em tempo integral, 24 horas por dia. Entre recrutados contam-se 484 trabalhadores rurais e 28 operadores de máquinas e de processos industriais, além de mão-de-obra de outras profissões e ofícios como mecânicos, motoristas, lubrificadores, caldeireiros, instrumentistas, enfermeiros e pedreiros.

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