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Biden lamenta "crise de fé" e desafia jovens contra divisão e ódio

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, lamentou sábado a divisão e o ódio no país, que sofre uma "crise de fé" nas instituições, e desafiou os jovens a trabalharem para curar as feridas da nação.

29/05/2022  Última atualização 00H45
© Fotografia por: DR | Arquivo

Falando para mais de 6.000 jovens da Universidade de Delaware, com o país de luto pelas vítimas de dois tiroteios em massa no espaço de duas semanas, Joe Biden apelou ao envolvimento da nova geração no futuro do país: "Agora é a tua hora", salientou.

"A tua geração, mais do que qualquer outra, terá que responder à pergunta: Quem somos nós? O que apoiamos? Em que acreditamos? Quem seremos?", disse o presidente norte-americano.

Biden apelou à intervenção dos jovens pelo futuro dos Estados Unidos: "Tu podes fazer a diferença, tu podes levantar o país, tu podes enfrentar os desafios do nosso tempo".

"Há uma mensagem que espero que tu leves de mim hoje: Não é hora de ficar à margem. [...] Precisamos que todos vocês se envolvam na vida pública e na vida desta nação", acrescentou o chefe de Estado.

Pedindo aos jovens universitários que se lembrem que "a democracia é um empreendimento humano", o presidente norte-americano indicou que o poder político faz "muitas coisas bem", mas "às vezes fica aquém", ressalvando que "isso é verdade" nas próprias vidas de cada cidadão, como na vida da nação.

"No entanto, a democracia torna o progresso possível. E o progresso vem quando começamos a ver-nos novamente não como inimigos, mas como vizinhos", declarou.

Biden recordou ainda a amarga divisão do país sobre o Vietname, na década de 1960, e da dor que se seguiu aos assassinatos de "heróis" -- dois Kennedy e Martin Luther King Jr. --, referindo que durante esses tempos tumultuosos houve progresso, por exemplo, nos direitos civis e no direito de voto.

"Bem, agora é a tua hora. Os desafios são imensos, externos e domésticos, mas as possibilidades também [...]. Tudo é possível na América", reforçou o democrata, considerando que esta é uma década decisiva para o país, num momento em que se pode escolher o futuro que se quer e "decidir que a escuridão não prevalecerá sobre a luz".

O presidente disse também que a actual geração de jovens graduados tem uma vantagem inicial, porque "é a mais generosa, a mais tolerante, a menos preconceituosa, a mais educada" da história americana.

"Mantenha a fé e traga-a de volta", exortou.

O chefe de Estado também se referiu aos recentes tiroteios em massa, nomeadamente o de terça-feira numa escola primária em Uvalde, no Texas, que provocou a morte de 19 crianças e dois professores, e o de 14 de maio, em que um atirador que defendia o ódio racista matou 10 negros num supermercado em Buffalo, Nova Iorque.

"Muita violência. Muito medo. Muita dor", referiu Biden, no seu discurso aos jovens graduados, admitindo que embora não seja possível "proibir a tragédia", pode-se "tornar a América mais segura".

Biden formou-se na Universidade de Delaware em 1965, com dupla especialização em história e ciência política, foi senador neste estado norte-americano durante mais de 30 anos antes de se tornar vice-presidente. Este foi o seu quinto discurso de formatura na universidade, onde a escola de políticas públicas e administração tem o seu nome.

 

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