Entrevista

“Beleza é uma fome que não se satisfaz”

Manuel Albano

Jornalista

A especialista em moda Marleyh Selo mostra-se preocupada com as questões relacionadas com o quotidiano dos jovens. Ela é de opinião que os jovens devem se superar e se auto-valorizar. Dona de múltiplos ofícios e de fácil comunicação, Marleyh Selo tem dado cartas no mundo empresarial e da moda na qualidade de consultora de imagem e etiqueta, sendo bem-sucedida quer no mercado nacional, quer no internacional. A também comentadora do programa “Fashion Police” do canal de TV Zap News lançou em 2019 o livro “Brio na Moda e a Filosofia da Auto-Aceitação” e em Outubro de 2020 “O Poder do Auto-Conhecimento e a Beleza de Seres Tu Mesma”. É com ela que conversamos.

20/12/2020  Última atualização 11H48
Marleyh Selo, consultora de Moda e Etiqueta © Fotografia por: DR
Como surgiu a ideia do livro "O Poder do Auto-Conhecimento e a Beleza de Seres Tu Mesma”?

Surgiu da indignação que senti no evento "Infinity Mind”, em Janeiro deste ano, em que fui palestrante convidada, juntamente com o escritor e empresário moçambicano Arcélio Tivane e o escritor e educador financeiro Daniel Vunge. Na presença de mais de 50 pessoas, perguntei "Quem é bonito(a) aqui?”. Ninguém respondeu. Percebi logo que raramente as pessoas têm um auto-conceito positivo de si mesmas, excepto o transmitido pelo outro.

É uma mulher muito preocupada com a questão da auto-aceitação. Porquê?

Sinceramente, sim. Sou uma mulher que está sempre preocupada com a estabilidade psico-emocional. Afinal, vivemos numa sociedade recheada de pessoas diferentes, que, entretanto, não aceitam a diferença. A indústria da estética ganha milhões e cresce criando padrões e rótulos. Por esta razão, especializei-me em Psicologia da Auto-Imagem, estudo a teoria holística e escrevo sobre auto-estima. É uma forma de ajudar outras mulheres a descobrir o poder da auto-aceitação.
 
Alguma vez se sentiu na condição de se auto-aceitar devido a algum problema de discriminação na adolescência ou nos dias actuais? Existe algum episódio que muito a marcou sobre o assunto e que gostaria de partilhar com a sociedade?

Sim, já aconteceu comigo. Eu tenho gengivas pretas. Quando era criança as pessoas iam a minha casa e perguntavam por mim da seguinte forma: "aquela miúda de gengiva preta está?”. Confesso que durante algum tempo aquela situação incomodava-me. Até que percebi que as implicações eram por ser diferente e única, e isso incomodava as pessoas com gengivas de cores iguais.

Até que ponto ter conhecimentos sobre o que é ou não belo pode influenciar, positivamente, na auto-estima de alguém relativamente à padronização ocidentalizada dos valores estéticos?

Pode influenciar positivamente em todos os aspectos. Vai mudar completamente a maneira como o indivíduo olha para si a nível psicológico, emocional, religioso e físico. Esta mudança de perspectiva vai estimular a reafirmação de identidade e permitir que ele pare de se comportar como camaleão. Face aos padrões estéticos vai ser mais auto-confiante e vai gerar auto-valor e auto-respeito.

Apresenta no livro exemplos de famosos que, independentemente dos seus "defeitos” físicos sempre se auto-afirmaram socialmente. A ideia é mostrar à sociedade que o problema não está na aparência física mas na mentalidade?

Com certeza. O que o indivíduo pensa de si mesmo e como reage à pressão social sobre determinado tema tem grande incidência no que ele irá fazer, por isso exalto a busca pelo auto-conhecimento, para gerar a auto-aceitação e a auto-valorização. O conceito de aparência (beleza e perfeição) é sempre fugaz e efémero. É uma fome que não se satisfaz.
 
Se tivesse o poder de mudar a mentalidade da sociedade sobre a importância das pessoas se valorizarem mais por onde começaria?

Uau! Que mulher honrada seria! Acredito que eu criaria bebidas energéticas, barras comestíveis e cremes reforçados com "vitaminas de auto-aceitação”. Assim, sempre que alguém quisesse aumentar o nível do seu auto-valor poderia comer, passar no corpo ou beber (risos).

Qual é a sua próxima meta na escrita?

Desafiei-me a lançar cinco livros antes dos 35 anos. E estou a 50 por cento da meta. Em breve vou apresentar aos leitores o livro "Etiqueta Social e Empresarial”.

Como jovem sente que tem conseguido dar o seu contributo para o desenvolvimento do país?

Não só sinto como tenho a certeza. Fiz "Prova Social” e o resultado é positivo. O feedback que recebo dos leitores, ouvintes, formandos, clientes e dos fazedores de opinião dá-me a base para fazer esse afirmação.

A questão da estética, moda, imagem e etiqueta está intrinsecamente ligada à sua área de conforto. Podemos defini-la como uma mulher multifacetada?

Felizmente sim. Tenho várias formações internacionais nessas áreas, actuo como profissional certificada, tenho uma empresa que actua nas áreas de imagem e etiqueta, assim como tenho uma rubrica de rádio na mesma área.

PERFIL
 Marleyh Selo  é consultora de Imagem e Personal Shopper certificada.
É consultora de Etiqueta e de Brafitting, formadora e CEO da Academia de Imagem e Etiqueta Marleyh Selo, Lda. Tem ainda certificação internacional em Dress Code Empresarial e Consultoria a Políticos; Consultoria de Moda by Danielle Ferraz; Cerimonial e Precedências; Etiqueta Empresarial e Locução para Televisão e Rádio.
Recentemente participou no 5º evento internacional online de Networking, restrito aos membros do Clube de Consultores de Imagem, numa iniciativa da Escola de Imagem e Estilo do Brasil, onde ministrou o tema "O poder do auto-conhecimento no processo de construção de uma imagem”.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Entrevista