Economia

BDA aponta razões da demora na cedência dos vários créditos

Isaque Lourenço

Jornalista

A presença de sócios menores de idade na estrutura de grande parte das empresas angolanas foi apontada, recentemente, pelo Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) como um factor de atraso na resposta rápida aos pedidos de crédito.

31/05/2021  Última atualização 06H15
O Banco de Desenvolvimento de Angola tem sido um dos catalisadores do sector produtivo nacional, através do PRODESI © Fotografia por: Edições Novembro
Segundo os técnicos de avaliação de projectos e de crédito do banco, Yuri Laurindo e Vivaldo Quitongo, nas condições em que um dos sócios da empresa é pessoa menor de idade, o processo com esta natureza deve ter aprovação do Tribunal.
No encontro promovido pela Associação de Jornalistas Económicos (AJECO), os quadros do BDA aproveitaram reiterar a disposição da instituição em continuar a financiar a economia, p­articularmente as empresas, devendo, somente, os projectos submetidos apresentar viabilidade e cumprir com as etapas exigidas para a aprovação.

O analista de projectos Yuri Laurindo disse existir casos no BDA em que processos de há mais de um ano em espera, por várias insuficiências, são superados por outros de menos de dois, três ou quatro meses. Tal só prova, argumentou, não se tratar de morosidade do banco, mas de conformidade processual do solicitante.
Yuri Laurindo disse também que o banco apoia empresas sem liquidez e que, no momento, precisem de capital, desde que o estudo efectuado pelos seus técnicos provem a viabilidade do negócio e a eventual falência não esteja ligada à acção directa dos gestores.

Conforme reiterou aos jornalistas económicos, o Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) está apostado em cumprir com o seu objectivo estratégico de financiar a economia nacional com o equivalente a 250 milhões de dólares, em 2021, tendo como prioridade os sectores primário e secundário.
No detalhe, Yuri Laurindo disse que cerca de 50 por cento deste valor deverá compreender financiamentos no âmbito da linha de crédito do Deutsche Bank, avaliada em 125 milhões de dólares, sendo que os programas do banco vão cobrir 30 por cento.

"Os restantes 20 por cento serão direccionado a outros produtos financeiros do banco, como são os casos do crédito de campanha agrícola, crédito de infra-estruturas e  apoio à produção agrícola, crédito máquinas e equipamentos agrícolas, crédito projecto de investimento agrícola, alívio económico, linha de crédito à banca comercial e outros financiamentos de médio/longo prazo”, mostrou.

Já o analista de crédito Vivaldo Quitongo, outro dos prelectores do evento conjunto AJECO - BDA, assegurou que a linha do Deutsche Bank é uma solução de concessão de empréstimo à exportação e importação, ao abrigo de um acordo celebrado entre a filial daquela instituição de origem alemã em Espanha, o BDA e o Governo de Angola, representado pelo Ministério das Finanças como garante cujo propósito é o de promover e apoiar o sector privado angolano na importação de bens e serviços imprescindíveis à implementação de projectos de investimento.

"Os sectores prioritários a serem financiados pelo Deutsche Bank são o primário e o secundário, com um valor mínimo de concessão de cinco milhões de dólares, numa operação em que o proponente deverá entrar com 15 por cento de comparticipação”, afirmou.


Acesso à informação

O economista Rui de Sousa Malaquias, convidado da Associação de Jornalistas Económicos (AJECO), no seminário organizado com o BDA, disse que a imprensa económica tem a obrigação de trazer para o público informações relevantes e de interesse nacional, seja por acesso privilegiado ou pela leitura dos balanços financeiros que as instituições são obrigadas a divulgar regularmente.

Rui Malaquias citou, no caso do BDA, ser importante dizer-se ao público a razão da citação particular de um crédito malparado da Angola Cables, que, para si, é sinal de que os gestores do banco pretendem evitar a repetição futura de episódios em que volumes altos saem do banco sem as devidas garantias de reembolso, mesmo existindo garantias soberanas do Estado.

Um outro dado de Rui Malaquias tem a ver com o facto de o jornalismo económico ter a obrigação de divulgar as melhores práticas e aquelas que não sejam as mais recomendadas, sem com isso ferir os preceitos de ouvir todos os interessados e publicar os factos sem depender da permissão ou não dos visados.
Os gestores da AJECO, os jornalistas João Joaquim, da Rádio Nacional de Angola, e Mateus Cavumbo, do Jornal de Economia & Finanças, disseram ser este o caminho de aproximação às fontes e de análise criteriosa das informações financeiras, através de técnicos-especialistas, o que se pretende seguir.

Neste momento, reiteraram os dirigentes, decorre uma formação técnica sobre mediação de seguros para os membros da AJECO, numa parceria com a Academia de Seguros e Fundos de Pensões e a Triunfal Seguros.

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