Cultura

Batucadas e danças do Carnaval a caminho do asfalto em Luanda

Francisco Pedro

Jornalista

Os grupos de Carnaval de Luanda realizam no dia 29 de Outubro, atrás do Cinema Atlântico, o desfile de apuramento para concorrentes das classes A, B e infantil, numa disputa denominada Assalto ao Carnaval (Liguilha).

24/09/2022  Última atualização 07H00
Presidente da APROCAL, Tany Narciso, durante a conferência de imprensa ontem realizada © Fotografia por: Maria Augusta | Edições Novembro

Há dois anos consecutivos de os grupos e foliões terem ficado privados de dançar e cantar os folguedos de maneira mais descontraída, desta vez aproximam-se o soar dos batuques, latas e apitos, assim como os bailados e o "gingar” dos reis e rainhas, princesas, varinas e gentios. Todos que fazem acontecer a maior manifestação popular. "Ao Nosso Carnaval, Havemos de Voltar”, segundo poema do Presidente Agostinho Neto.

O desfile de rua, também designado Carnaval, fora de época, terá uma edição especial no dia 26 de Novembro, em que os grupos voltam a dançar sem competição, no âmbito do centenário do Presidente Agostinho Neto, a decorrer na Avenida Deolinda Rodrigues, defronte do Instituto Médio de Economia de Luanda (IMEL).

De acordo com Tany Narciso, presidente da Associação Provincial do Carnaval de Luanda (APROCAL), o Entrudo do centenário de Neto estava previsto para as festividades do Dia do Herói Nacional, 17 de Setembro, no município de Icolo e Bengo, em Catete, mas não se concretizou em função das alterações resultantes do processo eleitoral, e da tomada de posse do novo Governo.

"Todas as canções de Carnaval que narram os feitos do Presidente Neto, as danças e alegorias produzidas entre 1978 e 1979, vão ser relembradas durante os desfiles do Centenário do Poeta Maior”, é dessa maneira que os foliões vão enaltecer e recordar o primeiro Presidente de Angola, segundo o responsável da APROCAL.

O assalto ao Carnaval faz-se, geralmente, em Setembro, "não aconteceu por causa das eleições e das cerimónias a posteriores, por isso, faremos em Outubro dentro das actividades do FENACULT especial, em comemoração do centenário do Presidente Agostinho Neto”, disse, ontem, em conferência de imprensa para divulgação da agenda do Entrudo e, simultaneamente, comemorar os 27 anos de existência da APROCAL, com a participação de representantes de empresas parceiras (patrocinadoras) e jornalistas.

O Carnaval no FENACULT, a criação de um banco de dados dos grupos de Carnaval, a campanha de captação de patrocínio, a Feira do Carnaval e a realização de cursos para os integrantes do júri constam entre as prioridades do programa da APROCAL, antes dos desfiles competitivos, que acontecem de 18 a 20 de Março de 2023, na Marginal da Praia do Bispo.

Tany Narciso reconheceu que os investimentos financeiros e outras despesas materiais feitas pelos grupos, para se organizarem, ultrapassam os benefícios provenientes dos prémios ou de outras conquistas. Por esse motivo, existem estratégias por parte da associação, que visam aumentar, nos próximos anos, o valor do prémio disponível actualmente.

Nos últimos dois anos, revelou não ter sido fácil convencer os parceiros (patrocinadores) por causa da pandemia da Covid-19, "que arrasou financeiramente as grandes e pequenas empresas e famílias”, criando embaraços na organização financeira dos prémios.

Anunciou uma boa nova para a próxima edição, a reintrodução do Prémio BAI-Canção do Carnaval.

A APROCAL dispõe de um site, melhorou logo, e tem trabalhado com o Governo para que  o Entrudo deixe de depender dos orçamentos provenientes do Ministério da Cultura e Turismo e do Governo Provincial. "A Perspectiva é facilitarmos que a sociedade assuma, com o tempo, as despesas, ou, o orçamento global do Carnaval”, realçou o presidente da APROCAL.

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