Desporto

Barros reclama faixas dos títulos de campeão

Mazarino da Cunha |

Jornalista

O antigo ponta de lança da equipa principal do 1º de Agosto, João Joaquim Barros da Costa, também conhecido por “Pelé de Ambaca” ou Barros, reclamou, hoje, da direcção do clube militar as três faixas de campeão do Girabola (1979, 1980 e 1981), títulos conquistados durante a sua passagem pela agremiação do Rio Seco.

18/05/2020  Última atualização 22H53
Edições Novembro © Fotografia por: Tricampeão pelos rubro e negros, ao lado do guarda-redes, está a atravessar dificuldades

“Não tenho nenhuma recordação do 1º de Agosto. Nada que me possa orgulhar do clube. Nunca recebi as faixas de campeão nacional do Girabola, pelos três títulos”, revelou triste.

Consultado sobre a ajuda que tem recebido da agremiação militar do Rio Seco, Barros reconhece o esforço da actual direcção. “Tenho tido apoio. Mesmo não sendo de grande ou médio gabarito, dá para não morrer a fome”, disse desgostoso com o tratamento que lhe foi dado pelas anteriores direcções do clube das Forças Armadas Angolanas (FAA).

Barros aplaude o gesto da direcção do 1º de Agosto, particularmente do presidente do clube Carlos Hendrick e do director-geral, Fernando Barbosa, mas reconhece que é quase nada pelo que fez pelo conjunto do Rio Seco.

“Neste momento, tenho de agradecer o gesto do director-geral do 1º de Agosto e, actualmente, do novo presidente do clube. Mas, não estou satisfeito com aquilo que me dão. Mas, pronto, é o que devo aceitar”, destacou visivelmente agastado com o tratamento que lhe está a ser dado.

Questionado se já contactou o presidente do clube, Carlos Hendrick, para a resolução do problema, Barros revelou tem mantido conversas telefónicas apenas com o director-geral. “Tenho falado com Fernando Barbosa e outras pessoas do clube. Fizeram o que fizeram e eu aceitei, mas nada está resolvido”, conta um dos fundadores do futebol no clube.

O Jornal de Angola apurou que Barros aufere um subsídio mensal de 100 mil kwanzas pela Caixa Social das FAA. Para o antigo artilheiro, o valor é insuficiente para a cesta básica, principalmente nesta fase da luta contra a propagação da pandemia da Covid-19.

“Compras um saco de arroz, uma caixa de óleo de soja e outra de sabão, e já não terás dinheiro para sobreviveres noutros dias. O que é que posso esperar do 1º de Agosto?”, conta o veterano dianteiro.

Antes do 1º de Agosto, Barros jogou oficialmente no Recreativo do Libolo, com Higino Carneiro (actual deputado), em 1973, depois passou pela equipa do Corpo de Polícia Popular de Angola (CPPA) com Napoleão Brandão “Tio Alfredo”.

Barros jogou cinco épocas na equipa do Rio Seco, onde foi tricampeão nacional do Girabola e vencedor da Taça de Angola (1984).


Barbosinha desconhece estado de saúde do ex-jogador
O director-geral do 1º de Agosto, Fernando Barbosa”Barbosinha”, disse, ontem, ao Jornal de Angola, que desconhece o actual estado de saúde do antigo avançado da equipa principal de futebol do clube militar do Rio Seco, Barros, também conhecido por Pelé de Ambaca.

“Nós (direcção) não temos conhecimento da sua condição de saúde, porque passam pelo clube milhares de atletas. Aos jogadores, que têm solicitado apoio e dentro das nossas possibilidades, temos ajudado e resolvido os seus problemas”, revela o dirigente.

Barros, que completou no sábado passado 68 anos e conquistou os três primeiros títulos do Girabola com a camisola da formação militar, encontra-se debilitado devido a um problema no joelho direito.

Barbosinha garantiu que Barros nunca solicitou o amparo da direcção do clube, para tratamento médico. “Não. Nunca levantou esta questão. Sempre que as pessoas solicitam apoio, nós mandámos, para o Hospital Militar, onde funcionam os nossos médicos. Mas, ele nunca pediu”, disse o responsável.

Em relação às faixas de campeão do Girabola, que o antigo dianteiro reclama do 1º de Agosto, Fernando Barbosa diz que nem se recorda de o clube ter oferecido aos atletas que arrebataram os primeiros títulos para o clube.

“Nem sei, se na altura havia faixas de campeão. Penso que não havia. Ganhava-se o campeonato, era dada uma taça e acabou. Não havia mais nada”, justifica o director-geral.

A fundação do 1º de Agosto aplicou-se numa estratégia de desenvolvimento do desporto militar, definida pelas Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA), através do Comité Desportivo Nacional Militar (CODENM).

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