Sociedade

Barreiras culturais atrasam afirmação da mulher

As mulheres e raparigas, sobretudo nas zonas rurais, ainda enfrentam muitas barreiras para a auto-afirmação por causa de factores culturais e tradicionais, o que as impede de usufruírem dos mesmos direitos que os homens, disse quarta-feira, em Luanda, a secretária de Estado para a Família e Promoção da Mulher.

17/09/2021  Última atualização 07H15
Executivo continua a traçar estratégias de maior valorização de pessoas do sexo feminino © Fotografia por: Vigas da Purificação | Edições Novembro
Elsa Bárber referiu que continuam a existir casos em que mulheres vivem proibições ao direito ao planeamento familiar, acesso ao sistema de ensino e aprendizagem e ao sonho da juventude, tendo em conta que um elevado número delas casa-se aos 14 anos ou mais cedo.

A secretária de Estado explicou que esses problemas são, ainda, um grande desafio para o Executivo, que tem de combater tais estereótipos, principalmente, por associarem a figura da mulher apenas no trabalho doméstico, reprodução e cuidadora.

"Com muita repulsa, ainda assistimos em várias zonas do nosso país a violação permanente dos direitos humanos das mulheres e raparigas, pais que violam e engravidam as próprias filhas, pastores a praticar pedofilia e o aumento da violência doméstica”, referiu.

Para Elsa Bárber, esses males enfermam a sociedade e prejudicam a concretização da igualdade de género. Por exemplo, no país, 52 por cento da população é feminina, ou seja, 12.579.83 dos 25.789.024 habitantes, e ocupam 53% da população economicamente activa.A secretária de Estado avançou que  37% (44.396) das mulheres estão no meio rural e constituem a principal força de trabalho no sector agrícola, resultando em cerca de 80% da produção de bens.

Elsa Bárber revelou que, de acordo com o Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde (IIMS 2015-2016), em Angola, 32% das mulheres foram vítimas de violência sexual, desde os 15 anos, e 8% de violência sexual em algum momento de suas vidas.O representante do Fundo das Nações Unidas para a População, Mady Biaye, disse que 55% das mulheres estão totalmente habilitadas para fazer escolhas sobre cuidados de saúde, contracepção e têm capacidade de dizer sim ou não ao sexo.

"Existem mulheres que podem tomar decisões sobre sua saúde sexual e reprodutiva. Mas, em Angola, apenas 62% das mulheres exercem esses direitos”, referiu, para adiantar que meninas e meninos com deficiência têm quase três vezes mais probabilidade de serem submetidos à violência sexual.

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