Reportagem

“Barba do Savimbe” salva vida de repórter

Edivaldo Cristóvão

Jornalista

Carlos Raimundo, depois da queda, estava a jorrar muito sangue. No momento, os colegas ficaram preocupados com o incidente, mas calmamente o guia turístico Paizinho disse: “vamos pôr a Barba do Savimbe para o sangue parar”

08/05/2022  Última atualização 14H20
© Fotografia por: DR

O jovem primeiro mastigou a folha e só depois a colocou sobre a ferida. O resultado foi favorável e Carlos parou de sangrar.

Carlos disse que perdeu os sentidos de repente, depois de sentir os batimentos do coração a acelerar. Quando despertou não teve a noção do que se passava, nem se lembrava da queda, mas minutos depois perguntou pela sua câmara de filmar, o que deixou os colegas espantados, porque, apesar do seu estado débil, não se esqueceu das suas responsabilidades.

O incidente aconteceu nas Quedas de Kalandula, em Malanje, quando a comitiva constituída pelos repórteres Giovanni António e Carlos Raimundo (TV Zimbo), Milton Manaças (jornal O País), Carlos Cristóvão (Platinaline) e Edivaldo Cristóvão (Jornal de Angola), o consultor de comunicação Hamilton Viage e o "fiel” motorista da Biocon Faustino Manuel (sempre pontual a apoiar a equipa) partiu para uma aventura naquele ponto turístico.

A equipa de reportagem saiu de Luanda com destino a Malanje para fazer a cobertura das actividades alusivas ao Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, assinalado a 28 de Abril, realizadas pela Inspecção Geral do Trabalho.

Depois de várias reportagens, a equipa decidiu ir fazer algumas imagens às Quedas de Kalandula, já que estavam apenas a cerca de 43 quilómetros de distância. 

A equipa de reportagem chegou às Quedas de Kalandula por volta das 10h00, sendo recebida pelo guia turístico Paizinho, que garantiu que o percurso até a ribanceira, onde as águas caem sobre as pedras, duraria apenas dez minutos.

Os dez minutos transformaram-se em quase uma hora, cada troço era mais difícil que o outro, eram pedras escorregadias, chão com lamaçal, árvores e montanhas e uma descida de mais ou menos 150 metros.

Quando pensávamos que era o último troço, Paizinho só dizia "falta mais um pouco, depois desta descida chegamos”.

Cada promessa do Paizinho era um alívio, mas as promessas eram "infundadas”. A equipa acabou mesmo por se chatear com o guia e deixou de acreditar nele.

Alguns repórteres durante o percurso tiveram quedas, sem grandes danos físicos. Apenas o Carlos teve aquela infelicidade e acabou por levar cinco pontos no ferimento, na pequena cirurgia realizada no Hospital Municipal de Kalandula.

 

"Nunca vi algo do género”

Apesar das dificuldades e constrangimentos que surgiram durante o percurso, a equipa de reportagem sentiu-se satisfeita ao ver a maravilha que são as Quedas de Kalandula.

O repórter da TV Zimbo Giovanni António disse que nunca viu algo do género. "É a minha primeira vez a estar aqui. Estou feliz e sinto um desejo realizado. Mas penso que o Governo deve apostar mais para melhorar as condições dos turistas”, salientou.

Giovanni António realçou que no percurso que a equipa de reportagem fez devia ser montada uma ponte de madeira para facilitar a deslocação das pessoas "porque é triste ver os turistas em perigo, com o risco de perderem a vida”.

Carlos Cristóvão, repórter da Platinaline, disse ter ficado feliz por conseguir captar imagens inéditas que podem servir de quadro. Afirmou ter gostado de ver "a fonte que transbordava um líquido límpido, como se fosse um produto tratado em fábrica”.

Carlos Raimundo considerou que apesar do ferimento que teve, o momento vai ficar na sua história. "O mais importante é que conseguimos atingir o objectivo e agradeço a Barba do Savimbe por ter ajudado a estancar o meu sangue. Depois da cirurgia já me sinto melhor”, disse.

O guia turístico Paizinho tem 19 anos, mas era o único incansável durante todo o percurso, enquanto uns perdiam o fôlego ele estava sempre bem disposto.

"Kota já estou habituado com isso. Por cada descida e subida cobramos aos turistas cerca de 20 mil kwanzas. É um dinheiro que já ajuda para sustentar a família e pagar os estudos”, informou.

Paizinho frisou que durante a semana o movimento nas Quedas de Kalandula é fraco, apenas a partir de sexta-feira é que os turistas começam a surgir. O jovem confessou que, no meio da mata, o que mais tem aparecido são cobras e macacos. Estes últimos surgem mais no final do dia.

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