Opinião

Bandeira número três: Juventude e Mulheres

Adebayo Vunge

Jornalista

Na altura em que escrevo essa crónica e o momento em que os leitores poderão lê-la, muita coisa poderá ter acontecido.

25/04/2022  Última atualização 07H30

É um hiato de tempo relativamente curto, mas em que poderão agigantar-se eventos verdadeiramente impactantes. O principal deles, prende-se à segunda volta das eleições presidenciais em França onde, apesar de algumas incertezas, tenho plena convicção de que Emanuel Macron será reeleito, derrotando mais uma vez a sua concorrente Le Pen, fazendo prevalecer toda a racionalidade do eleitorado francês, não obstante o apelo da extrema-direita. De resto, são os eleitores da direita e da extrema-esquerda que ditarão o desfecho imprevisível destas eleições.

Enquanto isso, a contenda entre a Rússia e a Ucrânia, esta última com o suporte cada vez mais declarado da União Europeia e dos Estados Unidos, prossegue, intensificando-se combates em algumas regiões, especialmente no Leste, estando em causa regiões como  Donbass e Mariupol, o que também coloca sérias incertezas quanto ao futuro próximo de paz naquela região, com impactos económicos e políticos em diversas outras geografias.

Enquanto isso, estamos a viver um momento particular da governação do Presidente João Lourenço que começa agora a apresentar alguns resultados do árduo trabalho desenvolvido nos últimos anos. O primeiro deles tem a ver com a recuperação económica, pois foram anos sucessivos de recessão, com a dívida pública a entrar numa linha perigosíssima e impondo sérias reformas do lado fiscal, com uma consolidação orçamental que nos permitiu adoptar medidas seriamente restritivas da despesa pública. Não obstante isso, o Governo comportou-se como un bon élève (bom aluno, como diriam os nossos amigos franceses).

Aposta do investimento público concentrou-se naquilo que é extremamente necessário. Foram ou estão a ser construídos novos hospitais, foram ou estão a ser construídas novas escolas, foram ou estão a ser reabilitadas as principais estradas nacionais, destacando-se aqui a Estrada Nacional 630, no troço Malange – Saurimo. A reabilitação da Cabotagem de Cabinda a Luanda passando pelo Soyo é um importante projecto económico e social não apenas para aquela região, que terá um impacto brutal para todo o país, permitindo que mais pessoas e mercadorias possam circular a partir desses pontos.

Mas se a corrupção e o combate à pobreza são bandeiras importantes, não podemos deixar de prestar uma atenção muito particular aos jovens e às mulheres. Seja por causa da sua relevância político-eleitoral, mas principalmente em termos demográficos na medida em que todos sabemos o peso que estes grupos representam na nossa pirâmide etária. Por isso, defendo a urgência da aposta em políticas de fortalecimento ao apoio que é prestado aos jovens, destacando de forma muito particular a formação técnico-profissional.

Eu sou um fã dos Centros de Formação Profissional, especialmente os CINFOTEC que deveríamos ter espalhados por todo o país, tal como as escolas médias agrícolas pois são áreas sobre as quais conseguimos dar competências às pessoas e ao mesmo tempo gerar emprego e auto-emprego, o que permite gerar renda, retirar a larga massa da juventude perdida na ociosidade do álcool ou ainda do subemprego.

Se já não podemos retroceder na política de formação superior, podemos ao menos, como fazem os nórdicos, os alemães e os franceses assumir que nem todos precisamos de ir à universidade e que não basta ser licenciado (no nosso caso com uma qualidade duvidosa) para poder auferir boa remuneração e um nível de vida condigno. Quantos soldadores a indústria petrolífera continua a importar? Quantos electricistas as empresas de construção civil e obras continuam a importar? E estes são apenas alguns exemplos.

Por outro lado, é importante que tenhamos uma formação cívica, cultural e religiosa mais acutilante estimulando o planeamento familiar de modo a controlarmos as taxas de fecundidade e assim termos as pessoas, neste caso particular, as mulheres a contribuírem de forma mais incisiva e proactiva, não apenas na informalidade, como hoje se assiste.

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