Cultura

Bandas tradicionais divulgam o folclore

Manuel Albano

Jornalista

O improviso tem sido, nos últimos tempos, a opção da maioria das bandas musicais para suprir as lacunas existentes no mercado nacional, no acompanhamento instrumental de músicos de estilos tradicionais.

07/07/2021  Última atualização 09H00
Festival do “Corredor do Kwanza” serviu para promover e divulgar mais o © Fotografia por: DR
Os poucos agrupamentos e bandas especializadas têm encontrado poucos espaços para o desenvolvimento das suas actividades, por existir uma fraca aposta nos estilos musicais tradicionais e nos seus intérpretes. 
Os músicos desses estilos encontram algumas dificuldades para serem acompanhados, o que tem obrigado muitos artistas a optarem pelo play back, nas actividades artísticas e culturais. 

Em declarações, ontem, ao Jornal de Angola, o director artístico, teclista e percussionista da banda tradicional  "Real”, Esteves Bento, disse ter criado o conjunto em 2011, na altura como generalis-ta. Há três anos, explicou, apercebendo-se da carência de bandas especializadas para o acompanhamento dos músicos de estilos tradicionais, decidiu dedicar-se somente a esses géneros musicais.

Segundo o instrumentista, o mercado precisa de mais grupos musicais especializados para ajudar a promover e divulgar as músicas de raiz e os seus intérpretes. "Sentimos que havia poucas bandas e que os músicos tinham dificuldades no su-porte instrumental, por isso, decidi criar o meu projecto que tem tido muita aceitação no mercado”.

A banda, que foi o suporte instrumental do Festival de Música Tradicional "Corredor do Kwanza”, realizado na passada sexta-feira, na Quiçama, é composta por Esteves Bento (director ar-tístico, tecladista e percussão), Petelo Sá (guitarra solo), Kito (guitarra ritmo), Bem Joly (guitarra baixo), Guelor (bateria), Valdo (percussão), Melma Capata e Nauricas (coros).  

Facilidade comunicativa

O técnico de som Seguka Cassule, um dos mais solicitados no marcado, reconhece que trabalhar com bandas que dominam a matéria facilita no momento dos acertos finais, por estarem habituadas a acompanhar instrumentalmente os músicos promotores e preservadores do folclore.Para o técnico de som, é importante que se incentive a criação de bandas musicais especializadas, em determinados estilos, porque facilita nos momentos de ensaios e durante a realização de quaisquer actividades músico-cultural. 

Quem corrobora com o mesmo pensamento é o técnico de som Manuel Chapim, que coordena o som entre a "régi” (local para controlo técnico sonoro de um espectáculo) e o palco. 

De acordo com o técnico, existe uma maior interacção e facilidade de comunicação quando a banda já conhece os mais variados estilos musicais tradicionais e as características dos próprios cantores.   
  Promoção de livros em feira na Quiçama
A primeira edição do Festival de Música Tradicional  "Corredor do Kwanza”, visando o resgate, promoção e valorização do folclore nacional, promoveu, ainda, durante dois dias, no município da Quiçama,  uma feira do livro.

Este ano, o festival decorreu sob o lema "Nas margens do Kwanza, no reencontro dos nossos hábitos, costumes, ritmos e tradições”, inserido nas festividades do 83º aniversário da Quiçama, assinalados a 2 do mês em curso. 

Um dos grandes mentores e promotores da feira foi a livraria A.M.S, do município de Cacuaco. O gestor de "stock" da livraria, João Quarenta Martins, disse ao Jornal de Angola que a iniciativa serviu para ajudar a promover os escritores nacionais e estrangeiros, num espaço de diversidade cultural.

Durante a realização da feira, disse, conseguiu-se vender alguns livros desde os motivacionais, empreendedorismo, psicologia, direito, cristianismo, infanto-juvenis, romances e contos nacionais. "Sentimos que muita gente gosta de ler e procuravam mais livros sobre o empreendedorismo. O grande obstáculo é o fraco poder de compra dos leitores pelo que existe a necessidade de nestes eventos existirem políticas de redução dos preços dos livros, para que mais pessoas possam adquiri-los." 

Esta edição do festival contou com a participação dos músicos Baló Januário, Zanga Maka, Titi Neusa, Macaxi, Dimbila, Big Bang, Sebastian, Sondoca, Original Coopera, Say Say, Sabor, Mário Sumbo e o grupo da Njimba, todos da região da Quiçama. 

O grupo tradicional Akamba Vanene, do Bié, Kumbi Lixia e Dueto XP do Mussende, do Cuanza-Sul, Miguel Zau "Mig” e Bala Bala, a representar Luanda, Disbunda, Amados de Ambaca e Tinho Amado, do Cuanza-Norte, integraram a lista de convidados.

O festival de Música Tradicional da Quiçama teve, igualmente, a participação de grupos de danças tradicionais do país, com destaque para  o Tunjila Twa Jikota e TX de Cangandala, de Malanje, e o Ballet de Catete, assim como de Pack dos Santos, de Icolo e Bengo, Vozes do Nambwa, do Bengo, e o grupo carnavalesco Viveiros do Njinga Mbandi, do município de Viana, Luanda.

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