Cultura

Banda Dizu Dietu surge no mercado nacional

Analtino Santos

Jornalista

A Banda Dizu Dietu (Nossa linguagem musical ou Nosso Som) acaba de surgir no mercado musical nacional, com a sua estreia pública realizada no passado domingo, no Restaurante-Esplanada da Praça da Unidade Africana, no Bairro Miramar, em Luanda.

11/01/2022  Última atualização 07H50
Mais recente banda musical surgida no domingo último no mercado angolano tem como marca as canções do passado © Fotografia por: Alberto Pedro| Edições Novembro
Teddy Nsingui, Raúl Tollingas, Mias Galheta, Rufino Cipriano, Lito Graça, Legalize, Bucho e Yark Spin fazem parte deste projecto musical da Brasom, que reunirá artistas de diferentes gerações e formações, com a proposta de trazer canções da saudade.

O espectáculo de estreia teve uma componente de música instrumental, com Teddy Nsingui a abrir com "Choro da Madrugada”, um original de Mário Fernandes dos Negoleiros do Ritmo. Dos dois mais referenciados guitarristas da música angolana, Marito e Zé Keno recorreram a "Semba Henda” e "Pôr do Sol”. O seu lado de cantor esteve presente em "Juju” e "Coco”, trazendo a rumba congolesa de Tabu Ley Rochereaux e Francó.

A juventude mostrou a força com Bucho e Yark Spin, o primeiro a assegurar  a percussão e o segundo o ritmo que caracterizou os principais temas da nossa música. Bucho como sempre mostrou que absorveu muito bem as batidas e "rufos” de Joãozinho Morgado. Yark Spin evidenciou os seus dotes de solista em "Ngola” e "Plena Jacto” trazendo mais uma vez Marito dos Kiezos e revivendo o autor do "Solista Praguejado”, de Constantino dos Águias Reais.

Lito Graça e Legalize foram as vozes para as canções da saudade proposta para a estreia da Banda Dizu Dietu como: "Kua Dila”, "O Manu Ua Fudi”, "Kamba Diame”,”Cinco Sociedades”, "Rumba Ya Tukina”, "Rosa Maria”, "Kialumingo”, "Semba Lecado”, "Zinha”, "Kumbia Dya” , "Calema”, "Manuel” e outros sucessos. Os dois emocionaram a plateia nos temas imortalizados pelas interpretações de Teta Lando, Pedro Romeu, David Zé, Urbano de Castro, Artur Nunes, Carlos Burity e Sabu Guimarães.

Rufino Cipriano, nos teclados, também entrou na recriação de um instrumental recorrendo aos sons latinos com "Playa Coloredo” de Hugo Blanco. Mias Galheta, o baixista, discreto em palco, esteve sempre a fazer a marcação ideal dos temas. Tollingas alia de modo oposto, a presença em palco não passou despercebido assim como o som da dikanza, instrumento indispensável na música de matriz nacional.

Ilídio Brás, responsável desta iniciativa, justificou da seguinte forma a criação da banda: "Foi o primeiro de uma série de quatro concertos que acontecerão aqui e, posteriormente, vamos levar para outros pontos da cidade. A nossa marca será canções do passado, por isto na fase inicial pensamos em Banda Jienda (saudades)”.

Raúl Tollingas propôs o nome Dizu Dietu, termo em kimbundu que em português significa "Nossa linguagem musical”. Lucas Cabral e Rui Saraiva, dois entusiastas da música angolana e conselheiros da Brasom, aprovaram e assim nasceu a Banda Dizu Dietu, uma formação que vem na sequência da apresentação do livro "A mística e simbolismo dos tambores - Joãozinho Morgado”, da autoria do crítico literário Jomo Fortunato.

Gilberto Júnior, Manuel Claudino, Tony da Baba, Rui Lopes dentre outras figuras ligadas ao movimento cultural testemunharam o nascimento de uma formação com potencial para o mercado musical nacional e que concilia a experiência de artistas consagrados, com jovens preocupados em manter a rítmica angolana.


  EM FEVEREIRO
António Zambujo actua no Brasil


O músico português António Zambujo estará em digressão pelo Brasil entre 10 e 19 de Fevereiro, com o seu novo álbum "António Zambujo Voz e Violão”, com concertos agendados em quatro cidades brasileiras. O primeiro ponto de paragem de Zambujo em solo brasileiro será no Rio de Janeiro, onde se apresentará a  10 de Fevereiro, seguindo no dia 12 para Florianópolis, capital estadual de Santa Catarina e, no dia seguinte (13), para Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul.

A digressão do músico português pelo Brasil terminará com dois concertos em São Paulo, marcados para 18 e 19 do próximo mês.
Em "António Zambujo Voz e Violão” - o seu nono álbum e o oitavo de originais -, o músico inspira-se no nome daquele que considera um dos discos da sua vida: "João Voz e Violão”, álbum de João Gilberto editado em 1999.

O seu novo álbum sucede a "Do Avesso” (2018) e ao álbum de tributo a Chico Buarque, "Até Pensei Que Fosse Minha” (2016), que valeu ao músico português uma nomeação para os Grammy latinos, na categoria de Melhor Álbum da Música Popular Brasileira.
"António Zambujo incorporou as influências do cancioneiro brasileiro, em particular da Bossa Nova, na sua música, primeiro forjada na tradição do Cante Alentejano e do Fado, de onde partiu para criar uma personalidade única, inspirando um novo ciclo na música portuguesa, ao mesmo tempo que derruba fronteiras, reais ou imaginárias.

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