Economia

Bancos têm divisas para cobrir a procura

Cristóvão Neto

Jornalista

O Banco Nacional de Angola (BNA) declarou ontem, em nota divulgada no portal electrónico, que o mercado cambial dispõe de divisas suficientes para cobrir a procura, instando, por isso, os bancos comerciais a sujeitarem-se à obrigação de executarem as operações solicitadas pelos clientes em cinco dias.

27/11/2020  Última atualização 13H05
BNA dá conta do equilíbrio do mercado e insiste na observação dos prazos de venda de divisas © Fotografia por: DR
O documento, destinado aos operadores do sistema bancário, afirma que "O mercado cambial regista, actualmente, uma oferta de divisas em linha com a procura e, por conseguinte, os bancos comerciais dispõem de moeda estrangeira para cobrir a totalidade da procura declarada nos seus mapas de necessidades”. 

Nessa acepção, o BNA reitera "a obrigatoriedade da execução das operações legítimas em cumprimento rigoroso dos prazos definidos no Instrutivo 01/2020, de 10 de Janeiro”, considerando que "a ineficiência no tratamento  das instruções ordenadas pelos clientes, além dos desconforto em relação ao banco comercial, desabona a qualidade dos serviços e a confiança no sistema financeiro nacional”.O Instrutivo 01/2020, a que se refere a nota, foi emitido pelo BNA para sujeitar os bancos comerciais a executarem as operações de venda de moeda estrangeira aos clientes num prazo máximo de cinco dias úteis, a contar da data de entrega da documentação de suporte ou da emissão de licenciamento pelo próprio banco central.

A disposição, emitida em Janeiro, mas que passou a vigorar a 10 de Fevereiro, instava a que bancos comerciais, em caso de recusa ou não execução das operações no prazo estabelecido, informem os clientes por escrito, apresentando os motivos para a negação ou atraso na execução da operação.Os casos de recusa podem dar-se no decurso do cumprimento, pelos operadores bancários, da regulamentação cambial e de prevenção do branqueamento de capitais e combate ao financiamento do terrorismo em vigor, incluindo certificar-se da legitimidade da origem dos fundos dos clientes para a realização das operações, algo que o instrutivo declara que deve ser feito com rigor.O instrutivo encorajava os clientes a apresentarem reclamações ao BNA em caso de incumprimento infundado do estabelecido no regulamento por parte do banco comercial em que ordenem a operação.
Apreciação do Kwanza

A declaração do BNA surge depois de dados que mostram que, ao longo do mês de Novembro, os intervenientes do mercado cambial disponibilizaram, por via da plataforma electrónica de ne-gociação Bloomberg FXGO, cerca de 555,7 milhões de dólares, permitindo cobrir a totalidade da procura de divisas declarada pelos operadores autorizados, de cerca de 400 milhões.

Números obtidos pela nossa reportagem mostram que, conjugada com acções de política monetária, a moeda nacional tem encontrado um novo patamar de equilíbrio, tendo-se verificado, no presente mês, uma apreciação do kwanza de 2,36 por cento em relação ao dólar e de 0,61 por cento face ao euro.
  BCI e Prestígio pressionam a taxa de câmbio 

Os bancos que venderam o dólar ao câmbio mais alto, na jornada de ontem, foram o de Comércio e Indústria (BCI), BAI Microfinanças (BMF) e Keve, que negociaram a moeda norte-americana a 687,156, bem como a 672,491 e 668,998 kwanzas, de acordo com a lista da operações divulgada pelo BNA.Os bancos Millennium Atlântico (ATL), de Investimento Rural (BIR) e de Poupança e Crédito (BPC) foram os que operaram com as taxas mais competitivas, vendendo o dólar a 646,375, assim como a 650 e a 650,110 kwanzas.

A taxa mais alta, à qual negociou o BCI, era 3,52 por cento mais alta que a média dos bancos, de 663,793 kwanzas, situando-se 6,31 acima da mais baixa, operada pelo ATL. Nas transacções do Euro, os bancos Prestígio (BPG), VTB África e BCI foram os que mais pressionaram a taxa de câmbio, ao venderem a moeda europeia a 818,873, a 817,508 e a 811,772 kwanzas, respectivamente.

As taxas mais baixas foram negociadas pelo Standard Bank Angola (SBA), a 782,866 kwanzas, o Banco Económico (BE), a 787,819, e o Banco Comercial do Huambo (BCH), a 789,369 kwanzas.A taxa mais alta, do BPG, era superior à média dos bancos, de 798,533 kwanzas, em 2,55 por cento, e em 4,60 por cento mais elevada que o menor câmbio, oferecido pelo SBA. 

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